domingo, 4 de julho de 2010

Fato histórico: Fundação do Flamengo de Xique-Xique (BA)


O Flamengo de Xique-Xique (BA)
– 08 de setembro de 1952 –

O Alfaiate e desportista João Batista Pacheco nasceu em Lençóis (BA) e por muito tempo residiu na cidade de Gentio do Ouro (BA), onde exerceu o nobre ofício de costureiro.
No final da década de 1940 desejando prosperar na profissão, mudou-se para Xique-Xique (BA) que naquela época já se apresentava como uma das melhores cidades da região. Alí, o atelier de João Pacheco, além dos clientes reuniam-se torcedores de futebol, principalmente nas segundas-feiras, para conversarem sobre os últimos resultados dos times do Rio e de São Paulo, segunda paixão do alfaiate, que além de desportista nato gostava de jogar futebol e torcia pelo Flamengo do Rio de Janeiro.
Estimulado, pois, por essas conversas de início de semana, em pouco tempo na nova cidade João Pacheco resolveu criar um time de futebol em Xique-Xique e, ajudado pelos amigos do bate-papo, principalmente os co-fundadores Sebastião Bandeira e Rubem Dário, realizou o seu desejo fundando o Clube Recreativo Flamengo de Xique-Xique, no dia 08/09/ 1952, data de aniversário do famoso homônimo do Rio de Janeiro.
O Flamengo de Xique-Xique existiu por mais de 20 anos tendo proporcionado ao seu fundador e aos seus torcedores muitos momentos de alegria com as vitórias sobre os times locais e sobre os times de outras cidades. O Flamengo de Xique-Xique sempre foi pródigo de grandes jogadores, todavia o elenco que se destacou dos demais foi o formado pelos jogadores: Luizinho, João Petu, Orlando, Enoque e Vieira; João Gomes, Zinho e Zé Bonfim; Zé Gordura, João Shimba, Rubem Dário, Onilton e Geraldo Marcelino.
Essa turma fez história no Flamengo de Xique-Xique.
OBS: A foto histórica que ilustra a postagem é uma das formações do Flamengo de Xique-Xique, vendo-se o seu fundador João Pacheco, à esquerda.

Por do Sol em Xique-Xique (BA).

LAGO DA IPUEIRA EM XIQUE-XIQUE

Diariamente o xiquexiquense é surpreendido pelo bonito por do sol da sua cidade. E, esse fenômeno natural, existente em todas as cidades do mundo, aqui é potencializado pela existência das plácidas águas do nosso Lago Ipueiras.
O desaparecimento das barcas à vela, substiuidas pelas barcas movidas a óleo diesel, ancoradas no porto, em nada diminuiu a beleza do nosso por do sol, que continuaria a ser facilmente observado e desfrutado pela população, não fosse a existência do HORROROSO PAREDÃO, construido pelas autoridades estaduais e precariamente mantido pelas autoridades municipais, que inibe, limita e às vezes impede a visão do lindo por do sol.
Precisamos urgentemente DEMOLIR O PAREDÃO, senão por uma questão de saúde pública, ante a sua tranformação do mesmo em sanitário público, mas, por uma questão de permitir ao povo de Xique-Xique voltar a apreciar o seu lindo por do sol que sempre foi uma caracteristica diferenciadora na cidade.

Crônica: As Barcas à Vela e os "Remeiros" do Rio São Francisco

AS BARCAS À VELA E OS "REMEIROS"
Juarez M. Chaves

(parte final)


O “remeiro”, também chamado de “vareiro”, era uma das figuras mais populares da beira do rio, formada por homens fortes e calejados que alugavam sua força de trabalho para possibilitar o comércio ao longo do rio. Cada barca levava seis, oito ou dez “remeiros”, que eram encarregados de propulsioná-la, por meio de grandes varas, ou varejões. Tudo se fazia como que cronometradamente, ao som de cantigas melancólicas: dispostos aos pares nas coxias da embarcação, os “vareiros” caminhavam em direção a proa arrastando n'água a ponta pesados dos varejões; aí, então, enquanto firmavam uma ponta no leito do rio, apoiavam a outra no próprio peito calejado e caminhavam em direção à proa, vergando o varejão no esforço de impulsionar a embarcação.
O “varejão”, era uma grande vara de madeira de aproximadamente 4 metros de comprimento com diâmetro de 10 cm, utilizadas pelos “remeiros” para impulsionar as barcas na ausência do vento ou para retirá-la de algum encalho sobre um banco de areia. Para isso colocavam uma das extremidades contra o peito e a outra apoiada no fundo do rio e, utilizando o corpo como alavanca, forçavam o deslocamento da grande canoa. Além da força física que levava ao deslocamento da barca, totalmente carregada de mercadorias, os remeiros também eram grandes equilibristas pois para cumprirem tão dura missão deslocavam-se ao longo da barca, da proa à popa e vice-versa, numa estreita passarela de não mais que 40 cm de largura com grande risco de caírem na água ao menor desequilíbrio.
E o trabalho era pesado. As varas usadas para empurrar as barcas rio acima produziam ferimentos no corpo dos "remeiros". Com uma extremidade da vara apoiada no peito e a outra fincada no leito do rio, era preciso muito esforço para fazer a barca se mover contra a correnteza ou ser desencalhada. O contato da vara com a pele provocava o surgimento de pequenas bolhas, as “cabeças de prego”. Até consumar-se a cura, o "remeiro" novato passava por uma longa e dolorosa iniciação que podia culminar com a aplicação de “toucinho quente” no ferimento. Os "remeiros" veteranos acreditavam que esse “remédio” ajudava na formação do calo que tornaria o trabalho suportável. Às vezes, era necessário segurar o jovem "remeiro" pelos pés e pelas mãos, pois a terapia – uma forma de cauterização – era muito dolorosa. Acreditava-se que o toucinho quente “matava aquelas carnes”, conforme contavam os velhos e "ex-remeiros". Se o ferimento fosse por ter trabalhado a bombordo no dia seguinte o remeiro trabalharia do outro lado, a estibordo. Uma vez formado o calo, o trabalhador passava a ser reconhecido como “remeiro de calo no peito”, ou seja, um marinheiro experiente para a faina das barcas.
Nas viagens rio abaixo, ajudados pela correnteza natural das águas, guardavam as varas e usavam remos que, por serem pesados demais, obrigavam os remeiros a se sentarem aos pares, frente a frente: enquanto um empurrava, o outro puxava o remo, imprimindo maior força. Nas grandes barcas, eram quatro trabalhadores, pois os remos eram ainda maiores. Era uma jornada muito pesada, quase um trabalho escravo, que poderia durar até 12 horas, quando tinha necessidade de “fazer uma madrugada” significando que a faina começaria às quatro horas da manhã.
Os “remeiros” eram contratados por viagem, ou seja, ida ao porto de destino e volta ao porto de origem, somente expirando o contrato de trabalho com o retorno da embarcação ao porto de onde partiu. Possuíam um linguajar próprio para identificar os percursos a serem contratados. Assim quando diziam que iriam trabalhar na modalidade “carreira grande”, significava uma viagem de Juazeiro (BA) a Januária (MG); “meia carreira”, seria o percurso de Juazeiro (BA) a Santa Maria da Vitória (BA), no Rio Corrente; “carreira inteira”, seria o maior percurso pois sairiam de Juazeiro (BA) com destino a Pirapora (MG).
A alimentação do remeiro era bastante pobre e invariavelmente consistia em farinha de mandioca, carne seca e feijão. Como sobremesa saboreavam a “jacuba”, que se resumia numa cuia cheia de água adoçada com rapadura raspada onde as vezes colocavam farinha, cardápio capaz de acalmar-lhes a grande sede e soma de fadiga das viagens.
Esses profissionais do remo também funcionavam como difusores da cultura da região, pois levavam de uma cidade para outra as notícias, os casos, mitos e lendas, as anedotas, os relatos de milagres do Bom Jesus da Lapa, as sextilhas e quadrinhas, toadas e cocos e tudo o mais que fossem aprendendo durante a viagem. Muitos pela natural vocação dos nordestinos eram hábeis repentistas, tocadores de viola, violão e instrumentos de percussão, com os quais faziam o acompanhamento das cantorias nos momentos de folga.
Ainda hoje pode-se encontrar na beira do rio remeiros com idade já avançada que continuam dando o testemunho de quando exerciam seu árduo trabalho, tão relevante para os ribeirinhos, ainda difundindo a poesia e as cantigas, assim como os mitos do Caboclo d’Água, da Mãe d’Água, do Cavalo d’Água, do Minhocão, a lenda da Cobra de Asas presa na gruta sagrada e os milagres do Bom Jesus.

sábado, 3 de julho de 2010

AGRADECIMENTO AO NOVO SEGUIDOR


AGRADECIMENTO

O BLOG XIQUEXIQUE AGRADECE, SENSIBILIZADO, A CHEGADA DE MARCELO MARÇAL, PROMETENDO MANTER A MESMA LINHA EDITORIAL E ESPERANDO PODER CONTINUAR ATENDENDO A EXPECTATIVA DE TODOS OS QUE, GENTILMENTE, SE DIGNAM EM ACOMPANHAR ESTE MODESTO BLOG

Foto antiga: OS PENITENTES DE XIQUE-XIQUE (BA)



OS PENITENTES

O PENITENTE é o membro de uma seita, existente em Xique-Xique (BA) e que se dedica à autoflagelação durante o período da Quaresma, principalmente durante a Semana Santa.
Nos anos 1950, existiam em Xique-Xique, dois grupos de Penitentes um situado na parte norte da cidade e outro com sede na parte sul, no bairro das Pedrinhas.
Na década de 1950 a Revista O CRUZEIRO esteve em Xique-Xique para fazer uma reportagem sobre a atuação dos Penitentes na nossa cidade.
Esta foto é daquela década e é flagrante de um momento em que os Penitentes, em plena atividade de autoflagelação, levantam a cabeça sem a proteção do pano que lhes garante o anonimato.
OBS: Para maiores informações sobre os PENITENTES veja a crônica "OS PENITENTES DE XIQUE-XIQUE", publicada no Blog XIQUEXIQUE, no dia 29.03.2010.

Fotos de Amantes: Casal de Cães



AMANTES CANINOS

Este casal, com tanta pele fofa sobrando, dificilmente terá o trabalho de procurar um colchão macio para dar continuidade às mútuas carícias.
Vejam a cara de felicidade dos dois.

Por do Sol em XIQUE-XIQUE (BA)


O POR DO SOL

Esta foto do conterrâneo JOÃO MACHADO, mostra bem o que é o nosso POR DO SOL.
Em todo o Velho Chico, somente a cidade de Xique-Xique, banhada pelo plácido Lago Ipueira pode exibí-lo, tão belo, realçando a grande Ilha do Gado Bravo que fica em frente e as canoas, ancoradas no porto da cidade, aguardando o raiar do dia seguinte para levar seus pescadores para nova faina diária.
Os moradores da cidade, mesmo já estando acostumados com essa beleza diária, não podem se dar ao luxo de continuar trabalhando e deixar de apreciar esse belo fenômeno que alí acontece todo fim de tarde.
Quando o xiquexiquense despertar para isso, verá com muita clareza o mal que o "PAREDÃO" está fazendo a cidade.