sexta-feira, 9 de abril de 2010

Crônica: O CORONEL E A LUZ ELÉTRICA DE XIQUEXIQUE (BA)

O CORONEL E A LUZ ELÉTRICA EM XIQUEXIQUE


No início da década de 1930, quando Xiquexique (BA), ainda era precariamente iluminada com candeeiros utilizando o combustível querosene, o Cel. Francisco Xavier Guimarães, um dos líderes políticos da cidade, foi nomeado, pelo Interventor Federal na Bahia, Juracy Montenegro Magalhães, Prefeito Municipal, para um mandato de 1933 1938. O Cel. Francisco Xavier Guimarães foi o político xiquexiquense que por mais tempo, em três mandatos alternados, exerceu a chefia do executivo municipal. Ao assumir o terceiro mandato, em 1933, já chegou com a idéia pré-concebida de realizar pelo menos 2 grandes obras n: I) dotar Xiquexique de uma boa iluminação elétrica e II) construir um prédio decente para funcionar uma escola primária mantida pelo poder público. Realizou essas duas grandes obras. Hoje falaremos apenas da primeira, ou seja, a instalação de energia elétrica em Xiquexique (BA), nos idos de 1936, portanto há 74 anos atras.
Como ainda não existia a hidrelétrica de Paulo Afonso e a opção por um motor a óleo diesel era uma alternativa muito cara e inacessível para aquela pequena comunidade do interior baiano, o Coronel, ora Prefeito, resolveu visitar algumas cidades da Bahia para conhecer as alternativas existentes, ocasião em que tomou conhecimento de que algumas localidades eram dotadas de iluminação elétrica gerada a partir de um dínamo acionado por uma caldeira a vapor.
A partir daí, melhorar a iluminação de Xiquexique, utilizando um equipamento semelhante, passou a ser a obsessão do novo Prefeito e o principal assunto das suas conversas. O entusiasmo do chefe do Executivo contagiou todo o povo da cidade que passou a contar como certo que dentro de pouco tempo iria dispor de energia elétrica pois tinha plena confiança no seu líder político que era homem de muita credibilidade e muita força de vontade.
Como mantinha um excelente relacionamento pessoal e político com o Interventor da Bahia, Juracy Magalhães, o Prefeito, não perdeu tempo e em expediente a ele endereçado, solicitou-lhe, sem arrodeios, recursos para adquirir um equipamento a vapor objetivando dotar a sua cidade de energia elétrica. No documento enviado deixou bem claro que essa era uma promessa por ele feita aos seus conterrâneos e que já havia se transformado em anseio popular, por isso tinha obrigação de cumprí-la. Em atenção ao amigo Prefeito o Interventor Juracy Magalhães respondeu prometendo que dentro de pouco tempo Xiquexique seria contemplada com os equipamentos solicitados para a geração de energia elétrica de boa qualidade, resposta essa que foi amplamente divulgada por toda a cidade.
Confiado na promessa do amigo, autoridade mor do Estado da Bahia, o Prefeito, tímida e modestamente, limitado pelos parcos recursos da Prefeitura, iniciou a tomada de algumas providências no sentido de criar um mínimo de infraestrutura destinada a receber os equipamentos, chegando, inclusive, a preparar e fazer a posteação e fiação necessários à distribuição da energia elétrica que seria produzida pelo equipamento a vapor.
Mas, o tempo, senhor inexorável de todas as coisas, foi passando e nada de o Interventor cumprir a promessa feita alguns meses atrás, levando o Prefeito a começar a desconfiar que estava sendo enrolado pelo amigo. Como era homem de decisão resolveu ir à Salvador e tratar do assunto diretamente com Sua Excelência o Interventor. E, assim fez. Mas, em Salvador, quando da audiência com o Interventor Federal Juracy Magalhães, sofreu a maior decepção da sua vida ao ser informado, pessoalmente e a queima roupa, de que o Estado, naquele momento, não dispunha de verbas para atender ao pedido do amigo Prefeito, mas que este aguardasse que o assunto estaria na ordem de prioridade para quando o Estado dispusesse de recursos.
Foi uma decepção que quase o levou a morte, mas o velho Chico Guimarães era duro na queda e recompondo-se, despediu-se, cordialmente, do amigo e saiu do palácio ruminando uma solução para o caso. Já estava por ele decidido que Xiquexique teria uma considerável melhora na sua precária energia elétrica a querosene. Faltava apenas resolver como seria equacionado esse problema. Dia seguinte, já com as emoções controladas, tomou conhecimento de que em Salvador havia um escritório que se encarregava, após o fechamento do negócio, de importar o maquinário por ele desejado. Sem perda de tempo e somente por precaução, enviou carta para a sua mulher D. Otacília Guimarães (D. Donana) e pediu-lhe que lhe enviasse uma determinada quantia em dinheiro, pois, como não conseguira a verba desejada para a luz de Xiquexique iria comprar, com seus próprios recursos, o equipamento.
Com o numerário disponibilizado no banco, dirigiu-se ao escritório e fechou o negócio para a compra da caldeira e demais acessórios necessários à produção de energia elétrica. Para felicidade do Prefeito, existia no depósito da importadora um desses equipamentos embalados, que de imediato foi despachado para Xiquexique via Juazeiro (BA), utilizando o trem de ferro e o vapor. Junto com o maquinário seguiram os técnicos encarregados da montagem e do funcionamento do conjunto gerador.
Em Xiquexique os equipamentos foram desembarcados e encaminhados para o local onde seriam instalados, um prédio novo especialmente construído no final da Rua Góes Calmon (Rua Grande) e por todos conhecido como prédio da Usina (foto), que, atualmente funciona como creche.
Enquanto os engenheiros trabalhavam em Xiquexique, montando o equipamento, o Prefeito permaneceu em Salvador pois, prometera a si próprio que somente colocaria os pés na cidade para inaugurar o luz. Ao tomar conhecimento de que todo o equipamento estava instalando e a caldeira, já testada, estava queimando lenha, saiu de Salvador de trem para Juazeiro e de lá pegou um vapor para Xiquexique. Todo o povo da cidade que acompanhava a odisséia desde que o Prefeito viajara para Salvador, esperava ansiosamente a chegada do líder para a festa da inauguração da luz. Ao passar por Pilão Arcado, cidade a pouco mais de 100 km de Xiquexique, o Prefeito enviou telegrama para os correligionários informando que no dia seguinte estaria entrando na cidade e gostaria de ver toda a população no cais da cidade a esperá-lo.
O desejo do velho Prefeito foi atendido, com a integralidade do povo, na beira do rio, de pé ao longo do cais, hoje inexistente destruído que foi pelo PAREDÃO. Aguardavam a triunfal entrada na Ipueira, do Cel. Chico Guimarães. Mas, o destino parecendo querer, mais uma vez, empanar o sonho do coronel, ainda lhe pregaria uma peça, como que querendo provar-lhe a tenacidade e a fibra para as tomadas de decisão. Assim, quando o vapor saia do Rio São Francisco para entrar no Canal do Guaxinim e ter acesso à Ipueira e ao porto da cidade, o experiente comandante do navio constatou que em face da seca, a profundidade do Canal não permitiria a navegabilidade e a chegada ao porto. Era mais uma tribulação para o velho coronel, que esperava navegar pelo Lago Ipueira tendo ao lado toda a tripulação e, em frente à cidade, emitir o longo apito do vapor anunciando a sua chegada festiva. De forma alguma aceitaria desembarcar em outro local que não o porto de Xiquexique para poder, subindo os degraus do cais do perau, ouvir a ovação popular.
Acostumado, pois, à tomada de decisões, verificou que somente reduzindo a carga do vapor e diminuindo-lhe o peso, poderia continuar navegando pelo Canal do Guaxinim e ter acesso ao porto. Assim, em negociação com o comandante, conseguiu que toda a carga fosse transferida para a lancha reboque e esta desatrelada e ancorada no Canal para ser recuperada na volta do vapor. Conseguiu, ainda que todos os outros passageiros desembarcassem na Ilha do Miradouro e permanecesse na vapor apenas a tripulação necessária.
Com essa drástica redução de peso, o vapor deslizou tranquilamente pelo Canal e no meio da tarde de 24.05.1936, ingressou na Ipueira em frente á cidade, já apitando com toda a força da caldeira e anunciando ao povo, que ainda permanecia postado na beira do cais, que o grande líder estava adentrando à cidade para inaugurar o prometida luz elétrica. A partir daí, a ovação foi generalizada. Os vivas, os gritos e as palmas eram tão intensos que mal se ouviam o pipocar das centenas de foguetes fabricados pelo fogueteiro Romualdo e que ali foram colocados para homenagear o Coronel Chico Xavier.
Sem perder tempo, o Coronel Prefeito desembarcou do vapor e mesmo sem ir em casa, dirigiu-se diretamente para a Usina, onde estava instalado a caldeira e lá, ainda sob os gritos e os aplausos do povo, o pipocar dos fogos de Romualdo e tendo como fundo musical os dobrados e hinos tocados pelas filarmônicas, o Prefeito, orgulhosamente acionando a chave geral, ligou todo o sistema que de imediato passou a gerar energia para toda a cidade, retornando em seguida, nos braços do povo, para a sua residência situada na praça D. Máximo.

OBS.: Para conhecimento da geração mais nova, a Caldeira forneceu energia a Xiquexique até o dia 07/04/1955, quando foi substituída por um motor a óleo diesel. Felizmente as nossas autoridades tiveram o discernimento e o bom senso de preservarem, na Praça 6 de Julho, esse equipamento que tantos serviços prestou aos xiquexiquenses.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pessoas que fazem Xiquexique: CASSIMIRO MACHADO NETO


CASSIMIRO MACHADO NETO

O nosso Historiador, Pesquisador e Professor CASSIMIRO MACHADO NETO nasceu no dia 08.01.1944, no distrito de Tiririca, quando ainda pertencia a Xiquexique, filho do Sr. Nemésio Pereira Machado e de D. Ercília Carvalho Machado. Cassimiro ou ‘Neto’, como também é conhecido, tem como ancestrais Venceslau Pereira Machado e Francisca Pereira Machado, casal fundador da cidade de Uibaí (BA), José Pereira Machado da Rocha e Maria Pereira Machado da Rocha, fundadores da vila de Ibitunane, Gentio do Ouro (BA) e Alberto Pires de Carvalho e Felícia Pires de Carvalho, fundadores, da cidade de Itaguaçu da Bahia.
Órfão de mãe aos 6 anos foi morar com os avós paternos com quem residiu até o ano de 1957, quando, junto com o pai, os irmãos e a madrasta embarcou no vapor Cordeiro de Miranda, com destino a Pirapora (MG) e de lá seguiram de trem para a cidade de São Paulo cumprindo o tradicional êxodo nordestino, onde, trabalhando e estudando, concluiu o curso Primário. Em dezembro de 1960 a família se mudou para a recém inaugurada Brasília e foram residir na cidade satélite do Núcleo Bandeirante, onde o nosso historiador continuou com seus estudos. Em 1964, Cassimiro já residia na cidade de Feira de Santana (BA), estudando no Instituto Bíblico Batista do Nordeste (IBBN). Em 1967, residindo na cidade de Queimadas (BA), começou a lecionar as disciplinas História e Geografia, nas quatro séries do curso ginasial, no Ginásio Municipal de Queimadas. No ano de 1968, residindo na cidade de São Luiz de Montes Belos (GO), passou a lecionar História e Geografia para turmas de ginásio e de curso para Formação do Magistério Primário, no Colégio Estadual daquela cidade.
Cumulando com as funções de professor, na década de 1969/1979, Cassimiro iniciou um trabalho de evangelização na Missão Batista, na vila Dimas, em Taguatinga (DF) mantido pela 1ª Igreja Batista de Brasília. Em julho de 1970, ja residindo em Ipupiara (BA), o nosso professor aceitando convite do Prefeito Municipal passou a lecionar o curso de Admissão ao Ginásio, para 110 estudantes da cidade, possibilitando, com isso a abertura do curso ginasial de Ipupiara, em março de 1971, tendo permanecido ministrando aulas naquele Município até o primeiro semestre do ano de 1975. De julho e dezembro de 1975, já residindo na cidade Wanderley (BA) dirigiu o Centro Educacional Professor Folk Rocha, tendo ali permanecido até o inal do ano de 1976. Em 21 de agosto de 1979, Cassimiro regressou à cidade de Central (BA), onde chegou a lecionar no Centro Educacional Cenecista e na Escola Professor Rosalvo Ferreira dos Santos, tendo em 1981 se transferido para Xiquexique (BA), onde fundou o Colégio Treze de Junho, que funcionou até dezembro de 1997. No dia 1º de julho de 1985, Cassimiro Machado Neto ingressou, por concurso, na rede estadual de Educação da Bahia, tornando-se membro dos corpos docentes de várias Instituições de ensino nas cidades de Xiquexique (BA) e Salvador (BA). No dia 19 de dezembro de 1987, o Professor Cassiniro, lançou em noite de autógrado realizada no Carranca Grande Hotel, o livro "Ecos Esparsos", e, em outubro de 1999, ao lançar a sua obra inédita "Um Sorriso Novo", relança, também, em segunda edição o seu já famoso "Ecos Esparsos", como que se preparando para o dia 29 de dezembro de 1999, quando lança em noite de gala no salão nobre da Câmara Municipal de Xiquexique, a sua obra prima "Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique". Continuando a sua sina de escritor e pesquisador da sua terra natal Xiquexique, publica, em abril de 2000, o I Volume de mais uma grande obra sobre a cidade "Memória Viva de Chique-Chique". Incansável na escrita, o Professor em novembro de 2008, lança, em pleno campus da Universidade Estadual da Bahia, mais uma obra da sua lavra "Geração Letras".
Em dezembro de 2002, o professor Cassimiro foi aprovado em vestibular da Universidade do Estado da Bahia–UNEB, em Xiquexique, para a primeira turma do curso de Licenciatura Plena em Letras Vernáculas e Literaturas da Língua Portuguesa, graduando-se em novembro de 2007. No dia 27 de abril de 2009, em reunião deliberativa, o Conselho Departamental do Campus Professor Gedival Sousa Andrade, DCHT/XXIV, da Universidade do Estado da Bahia– UNEB, em Xiquexique, resolveu, numa justa homenagem, dar à biblioteca setorial do referido campus o nome de "Biblioteca Cassimiro Machado Neto".
Ratificando a tradição e vocação de grande escritor e pesquisador o conterrâneo Professor Cassimiro está com cinco obras prontas para serem publicadas: "Memória Viva de Chique-Chique – Volume I" (2ª edição, ampliada), "Memória Viva de Chique-Chique – Volume II" (inédita), "Memória Viva de Chique-Chique – Volume III" (inédita), "O Craque de Ontem" (inédita) e "Meus Tipos Inesquecíveis" (inédita).
O nosso Professor Cassimiro já requereu aposentadoria, junto à Secretaria Estadual de Educação da Bahia, e logo que seja publicado ato aposentando-o, dedicará integralmente o seu tempo para fazer cursos, pesquisar e escrever temas diversos sobre a Bahia, o Brasil, a Terra, o Universo e a Eternidade.

HISTÓRIA RESUMIDA DE XIQUEXIQUE (BA)



HISTÓRIA RESUMIDA DE XIQUEXIQUE (BA).
Parte II – 1832 a 1851

Vimos, em postagem anterior, que o Município de Xiquexique (BA), começou a se formar no ano de 1663, quando o Cel. Antônio Guedes de Brito fundou a Fazenda Pedras na área onde atualmente é a cidade. Com o decorrer do tempo, nas proximidades da Fazenda Pedras foram se instalando outras fazendas, que evoluíram para distritos, vilas e cidades, cujos nomes permanecem até os nossos dias: Pedras, Saco dos Bois, Riacho Grande, Marrecas, Tiririca, São Domingos, Canabrava do Gonçalo, Olho d’Água do Gonçalo, Riacho de Areia, Várzea Grande, Fazendinha, Riacho Largo, Vacaria, Vereda, Matinha, Roça de Dentro, Chapada, Forquilha, Gavião, São Gabriel, Lagoa de Canabrava, Quixabeira, Carnaúba, Serra Queixo, Alegre, Mamão, Lagoinha, Utinga e tantas outras. Como conta a história: “A atual cidade teve origem na fazenda Praia, pertencente a Teobaldo José de Carvalho, nascendo em 1700 um arraial com o nome de Xique-Xique. A capela, aí construída, dedicada Senhor do Bonfim e Bom Jesus foi elevada à categoria de freguesia em 1714 pelo arcebispo dom Sebastião Monteiro da Vide.” Em 1687, D. Inácia Araújo Pereira, viúva do Barão da Casa da Torre, Francisco Garcia Dias D’Ávila, permite que garimpeiros construam uma comunidade em uma ilha de sua propriedade perto de Xiquexique, surgindo daí um pequen povoado sob a proteção de Senhora Santana, instalada numa pequena capela. Essa ilha é atual Ilha do Miradouro. Em 1725 o português Alberto Pires de Carvalho compra uma grande área de terra que iniciava na Várzea Grande, até a margem do Rio Verde. Junto com sua mulher Felicia escolheram um local com abundância de água para ali construirem a sua residência e a sede da fazenda à qual deram o nome de "Fazenda Tiririca". Em 1765 foi a vez da criação do distrito de Marrecas, atual Iguira quando Marçal Ferreira dos Santos adquire grande área na margem direita do rio e uma ilha, dando o nome de Faz. Marrecas.

O MUNCÍPIO DE XIQUEXIQUE (BA).

CRIAÇÃO: Em 06.07.1832, o Conselho Provincial da Bahia, presidido por Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos, Visconde Mont’Serrat, emite um Decreto transformando a Freguesia de Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique em Vila e criando o Município, desmembrado de Jacobina (BA), com os seguintes limites: ao Sul: com o município de Paratinga; ao Norte: com o município de Sento Sé, ao Leste: com os municípios de Jacobina e Macaúbas, ao Oeste: com a margem direita do Rio São Francisco, perfazendo uma área de mais de 30.000 km². O Município e Xiquexique foi instalado no dia 23.10.1834, pela Câmara Municipal de Paratinga.
Câmara de Vereadores:Nesse mesmo dia foi eleita a Câmara Municipal de Xiquexique que foi composta pelos seguintes cidadãos: Capitão-Mor Álvaro Antônio de Campos, Antônio Joaquim de Novais Sampaio, Ernesto Augusto da Rocha Medrado, João Xavier da Costa, Clemente Sancho Pereira da Franca, Manoel Netto Martins (primeiro Juiz de Paz Municipal) e Francisco Antônio da Rocha.
Com a instalação do município no dia 23 de outubro de 1834 e a conseqüente posse de sua primeira Câmara Municipal, a população teve oportunidade de mandar os filhos estudarem as primeiras letras com os mestres-salas leigos, existentes na sede municipal e nos distritos. A educação, portanto continuou precária e basicamente se restrigia ao ensino das primeiras letras e rudimentos de aritmética.
Eleições:Em 16 de novembro de 1836 houve nova eleição para escolha dos novos sete vereadores da Câmara Municipal, para um mandato de 2 anos, concluindo com o seguinte resultado oficial: Clemente Britoaldo de Magalhães; João Xavier da Costa; Antônio Joaquim de Novais Sampaio; capitão-mor Álvaro Antônio de Campos; Ernesto Augusto da Rocha Medrado; José Rufino de Magalhães e Manoel Netto Martins. A nova Câmara, quando da sua instalação elegeu como presidente da mesa o vereador Clemente Britoaldo de Magalhães que com isso passou, também, a exercer a função de chefe do Executivo.
Atos e expedientes da Câmara Municipal:
I) Em abril de 1837, enviou ao Presidente da Bahia, Francisco de Souza Paraíso, expediente tratando sobre os temas: Enchentes no Rio São Francisco; Lavradores e criadores do vastíssimo município; Plantação de vazantes nas ilhas; A distância que separa as Vilas de Chique-Chique e Barra (12 léguas); Menciona o Juiz de Direito interino da Comarca da Vila da Barra.
II) Em outubro de 1837, a Câmara Municipal em correspondência ao presidente da província Francisco de Sousa Paraíso confirma que foram encontradas, na Serra do Assuruá, Xiquexique, enormes pepitas de ouro de pesos diversos, mas confessa sua omissão em cobrar dos mineradores e garimpeiros os impostos que determina a Lei dos Direitos do Ouro.
III) Em junho de 1838, a Câmara Municipal comunica ao arcebispado da Bahia o falecimento do padre Manoel dos Santos Viana, vigário da freguesia local e, na oportunidade solicita a nomeação de outro pároco.
IV) Em julho de 1839, a Câmara informa ao presidente da província da Bahia, Francisco de Sousa Paraíso a designação do ex-vereador Manoel Netto Martins para a função de Juiz Municipal e o ex-vereador Antônio Joaquim de Novais Sampaio, para Juiz de Órfãos.
V) Em novembro de 1839 a Câmara decide, por votação, acolher o nome do Teodoro Barreto Lima para coronel da Legião da Guarda Nacional do município, uma vez que já existia um abaixo-assinado contendo centenas de assinaturas de eleitores da paróquia solicitando o nome do referido cidadão para o cargo.
VI) Em dezembro de 1940, a Câmara informa ao presidente da província da Bahia, Dr. Paulo José de Melo Azevedo e Brito que estão paralisadas as obras de recuperação do templo da Igreja Matriz do Senhor do Bonfim, por falta de recursos financeiros e, na ocasião solicita uma verba no montante de oito contos de réis para a conclusão das obras.
VII) Em dezembro de 1840 a Câmara Municipal informa ao presidente da província da Bahia, Dr. Paulo José de Melo Azevedo e Brito que foi descoberta uma fantástica mina de ouro e diamantes na Serra do Açuruá, onde atualmente é o município de Ibituname.
Eleições: Em 1840 acontecem novas eleições em Xiquexique para compor a nova Câmara de Vereadores para um mandato de 2 anos, tendo sido eleitos os seguintes cidadãos: José Rufino de Magalhães; João Rodrigues Covas Sobrinho; Ernesto Augusto da Rocha Medrado; Francisco Antonio da Rocha; Antonio Mendes da Costa; Francisco Netto Martins e Leandro José Rodrigues, tendo os vereadores eleitos, escolhido José Rufino de Magalhães para presidente da mesa diretora
Atos e expediente da Câmara de Vereadores:
I) Em setembro de 1841 a Câmara Municipal informa ao presidente da província da Bahia, Dr. Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos o falecimento do juiz municipal designado Manoel Netto Martins.
II) Em outubro de 1841, o Presidente Dr. Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos acata o pedido da Câmara no sentido de que o estafeta dos correios de Jacobina (BA) acumule a tarefa de transportar, também a correspondência de Xiquexique para Barra
III) Em dezembro de 1841, o Presidente Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos comunicou à Câmara a designação de Pedro Manoel da Silva Albuquerque, por ela indicado, para a função de Promotor de Justiça em Xiquexique.
IV) Em dezembro de 1841 a Cãmara fez nova solicitação de verba para a conclusão das obras de reparação do templo da Igreja Matriz do Senhor do Bonfim e Bom Jesus, no total de oito contos de réis.
V) Em 1842 o Dr. João Maurício Wanderley, bacharel em direito e futuro Barão de Cotegipe, nascido na vizinha cidade da Barra, é nomeado Juiz de Direito de Xiquexique, tendo permanecido nessa função ate junho de 1844
Eleições: No final de 1842 novas eleições para compor nova Câmara de Vereadores, tendo sido eleitos: José Rufino de Magalhães, Francisco Netto Martins, Antonio Pereira da Costa, Antonio Roberto dos Santos, Manoel Fulgêncio de Azevedo, Leandro José Rodrigues e Antonio Mendes da Costa, tendo sido eleito, para presidente da mesa o vereador José Rufino de Magalhães.
Em 07.10.1843 os vereadores ouvem a leitura de um ofício enviado pelo presidente da província da Bahia, no qual comunica a separação da Justiça das vilas de Barra e Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique, mediante Decreto Imperial n° 276 de 24 de março de 1843, assinado por Sua Majestade Imperador Dom Pedro II.
Eleições: Em 15 de abril de 1844, novas eleições para vereadores tendo sido eleitos os seguintes: José Rufino de Magalhães – presidente, Antônio Roberto Magalhães, José Antônio Garrido, João Manoel de Novais, Francisco José de Carvalho, Cipriano Pinto Pugas e Ernesto Augusto da Rocha Medrado, composição essa alterada em janeiro de 1845 para: Manoel Fulgêncio de Azevedo – presidente, José Antônio Garrido, Antônio Moreira Pinto, José de Sá e Lira, Egídio da Gama Passos, Antônio Roberto dos Santos e Frutuoso José de Carvalho.
Atos e Expediente da Câmara de Vereadores:
I) Em outubro de 1845, a Câmara envia ofício ao Presidente Francisco José de Sousa Soares d’Andréa, Barão de Caçapava, informando que os limites do município são: a oeste o rio São Francisco; rio acima: 24 léguas; rio abaixo: 25 léguas e a leste: Vereda Romão Gramacho – também chamada de Vereda do Jacaré.
Em 1847, a Cãmara Municipal de Xiquexique estava assim composta: Manoel Fulgêncio de Azevedo – presidente, Antonio Roberto dos Santos, José Antonio Garrido, Francisco Xavier Guimarães e Frutuoso José de Carvalho.
Em janeiro de 1851, A Câmara em Ofício dirigido ao Prelado Diocesano, informa que a cidade está sem sacerdote e solicita o envio urgente de um padre para a Paróquia do Senhor do Bomfim.

OBS: Dados extraídos do livro “Senhor do Bonfim Bom Jesus de Chique-Chique (História de Chique-Chique)" de autoria do conterrâneo historiador, pesquisador e Professor Cassimiro Machado Neto

PROPAGANDA ANTIGA: A MÁQUINA DE DATILOGRAFIA

A MÁQUINA DE DATILOGRAFIA
Datilografia, nos anos de 1950/1960, era uma técnica de escrita mecânica e que deveria ser aprendida e exercida por todas as pessoas que quisessem conseguir algum bom emprego. Nos concursos do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste, entre outros, a prova de datilografia era eliminatória. Toda cidade tinha que contar com uma escola de datilografia, como a que existia em Xiquexique (BA), comandada pela professora Diva Dourado Lopes, que ensinou o ofício de datilógrafo a todos os jovens xiquexiquenses, que anos 1950/1960 desejavam fazer concurso, principalmente para os bancos oficiais.
Nesse tempo não existiam os micro computadores hoje tão populares sobre qualquer mesa de trabalho e portanto tudo era feito na máquina de datilografia. Não existia a figura do digitador. Este só aparece mais com o surgimento do computador que não exigia a técnica datilográfica e o operador utilizava apenas os dois indicadores para escrever ou "digitar" como falam. Eram os denominados "catilógrafos", pois como não conheciam a técnica datilográfica ficavam "catando" as letras no tecl
Pela importância da datilografia no meio comercial, era comum a propaganda das máquinas de escrever, cujo mercado era dominado, na época, pelas de marca "Remington" (foto) e "Olivetti".

A máquina de marca "Underwood" , da propaganda, era uma das concorrentes das duas lideres do mercado.

Foto Interessante: Vaqueiro em plena atividade



VAQUEIRO NORDESTINO



O Vaqueiro da Caatinga Nordestina, região de clima semi-árido, enfrenta sérios desafios na sua profissão de arrebanhar o gado que é criado solto. Por isso e para isso usa indumentária própria feita de couro, composta por Perneira, Gibão, Chapéu, Peitoral, Luvas e Botas, para poder se defender dos espinhos da jurema.

Para ser vaqueiro além de muito trabalhador, tem que ser um homem destemido vez que para trazer o gado para o curral é necessário imobilizar a rês desgarrada, e colocar-lhe uma careta de couro tapando parcialmente a visão, facilitando a condução do animal.

A foto que ilustra é dificil de ser obtida pela instantaneidade do ato e do inusitado do local, no meio da caatinga.

Reparem que o vaqueiro não está montando um cavalo como manda a regra geral, mas um burro.

Por do Sol em Xiquexique (BA).

POR DO SOL POR ENTRE A CAATINGA


É praxe, quase um hábito, as pessoas apreciarem o por do sol quando este desaparece no mar ou na margem oposta de um rio.

Em Xiquexique, o sol desaparecendo atras da Ilha do Gado Bravo que fica em frente a cidade é de uma beleza inigualável.

Mas, o por do sol é fascinante onde quer que aconteça o fenômeno, como este, por exemplo que está se escondendo em plena caatinga, por detras de um angico.

Parece até que a caatinga está em chamas. Muito bonito!!!

João Machado, o fotógrafo Xiquexiquense


JOÃO MACHADO, O FOTÓGRAFO.

Dando continuidade à série de fotografias da autoria do conterrâneo JOÃO MACHADO, focaremos hoje a lendária Igreja do Miradouro, dedicada à Senhora Sant'Ana que foi objeto de um bonito trabalho fotográfico daquele profisional.