quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

CRÔNICA: A FESTA DE 1º DE JANEIRO EM XIQUEXIQUE


O 1º de Janeiro em Xiquexique nos anos 1950

Não sei como hoje transcorre a festa de 1º de janeiro em Xiquexique, pois, estando residindo em outra cidade e em face das obrigações profissionais e familiares há mais de 40 anos não participo dessa homenagem ao nosso padroeiro Senhor do Bonfim. Mas, na década de 1950, em cada 31 de dezembro desse decênio, encerravam-se as novenas do Senhor do Bonfim. A liturgia em cada uma dessas noites de encerramento era rica em simbolismo e pródiga em solenidade, com orações cantadas e muito incenso subindo aos céus em agradecimento às graças obtidas e rogando novas bênçãos para o ano entrante.
Após a última novena, o povo postava-se à porta do Templo para assistir ao “show” pirotécnico que era produzido por centenas de adrianinos e foguetes de vara fabricados por Seu Romualdo que, subindo paralelos à torre da Igreja, sob o comando de Caxixe, iluminavam totalmente a noite da Praça D. Máximo e enchia o ar de explosões, conhecidas e queridas por todos. Após a cessação dos fogos de artifício, em torno das 20:30 horas, as pessoas mais idosas se dirigia para suas residências e ficavam à espera da benção da meia noite. Outros, no entanto, principalmente os mais jovens e os estudantes, permaneciam no jardim da Praça em bate papo com os amigos até a hora em que começaria o pequeno baile no Clube Recreativo 7 de Setembro, situado na Rua Marechal Deodoro ou como era conhecida a Rua da Sete. Era realmente um pequeno baile, pois, terminava no máximo à meia-noite, hora em que toda a cidade participava da benção do Santíssimo realizada na Igreja Matriz, pois era o momento em que o sacerdote abençoava os fiéis e invocava a Deus o derramamento de graças para o ano que chegava. Logo após a bênção, tempo suficiente para os fiéis chegarem em casa, a nergia elétrica era desligada e a cidade ficava às escuras, mas, isso não impedia que as pessoas já em casa, ali realizassem a famosa ceia da meia noite, à luz de velas e candieiros a querosene.
E, aí, residia a grande diferença. Xiquexique não tinha o famoso “réveillon” como se conhece hoje e que celebra a virada do ano. A noite do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro era destinada ao descanso da população que, após 9 dias de intensas e solenes novenas, recolhia-se, logo após a ceia da meia noite para estar bem disposta no dia seguinte para a grande festa da cidade: o 1º de janeiro. E, as atividades desse dia começavam cedo com a alvorada às 5 horas da manhã, quando os sinos tocavam anunciando o primeiro dia do ano e pipocavam os primeiros foguetes de vara fabricados por Seu Romualdo.
Parodiando o hino baiano que diz, “Nasce o sol a dois de julho, Brilha mais que no primeiro, É sinal que neste dia, Até o sol é brasileiro.”, podemos dizer que no dia 1º de janeiro era o dia em que o Sol nascia mais bonito em Xiquexique. Talvez fosse apenas por uma questão psicológica causada pelos semblantes de alegria e muita fé estampados nos rostos de todos os xiquexiquenses desde o momento em que acordavam. Era 1º de janeiro, data da maior festa da cidade. Momento em que todo o povo se reunia na Igreja para homenagear Senhor do Bonfim.
Nesse dia todos os xiquexiquenses, sem exceção, estavam envergando vestuário novinho em folha, incluindo os sapatos. Não se admitia, e isso era uma questão cultural, que alguém se apresentasse às Missas daquele dia, principalmente a de 9:00 horas em trajes que não estivessem sendo usados pela primeira vez, independente da categoria social e financeira de cada um.
As pessoas mais idosas e que gostavam de participar de uma Missa menos festiva escolhiam a celebrada às 7:00 da manhã, pelo Padre José de Oliveira Bastos – Padre Bastos. No entanto, a grande população com toda certeza e de roupa nova, estaria presente na Igreja Matriz para a Missa solene das 9:00 horas concelebrada pelos Padre Bastos e Padre Honório Rocha. Também era o dia de glória para Caxixe um negro velho e de idade indefinida, que desde muito tempo era o encarregado de administrar os fogos que lançados no decorrer da Missa. Caxixe, que já passara os dias das Novenas encarregado do foguetório, postava-se na porta da Igreja a partir das 8:00 horas, também usando calça e camisa brancas, novíssimas, aguardando que o sacristão acionasse os sinos da Matriz anunciando a primeira chamada para a Missa das 9:00 horas, ocasião em que lançava aos ares a primeira leva de foguetes de vara de fabricação local. Essas primeiras badaladas eram ouvidas por toda a população, principalmente por estar esperando e por serem seguidas com o estouro dos rojões lançados por Caxixe. A partir desse momento as pessoas começavam a chegar ocupando os bancos da Igreja garantindo assim um confortável lugar para a celebração das 9 horas. Às 8:30 horas novo repique dos sinos anunciando que faltava apenas 1/2 hora para a Missa e, novamente Caxixe, tição de fogo na mão, lança nova bateria de foguetes, ratificando e reforçando o segundo aviso dado pelo sacristão. Nesse momento aumentava a afluência dos fiéis que adentrando à Igreja procuravam ocupar os bancos ainda desocupados. Os homens que eram minoria dentro da Igreja, postavam-se sobre a calçada do jardim e ali, fumando e em franco bate papo com os amigos, esperavam, pacientemente a chegada das 9:00 horas. Finalmente o relógio da Matriz badala 9:00 horas. Antes que o relógio termine de anunciar as horas, os sinos da torre repicam com toda a força despendida pelo sacristão e Caxixe, levado pelo entusiasmo do momento capricha no foguetório. Era uma grande queima de fogos. Nessa hora a Igreja não mais dispunha, sequer, de um lugar desocupado e é grande o número das pessoas que estão em pé ocupando inclusive as calçadas do Templo e nessa posição deverão ficar quase duas horas.
Concomitante ao silêncio dos sinos e dos foguetes, saem da sacristia em direção ao altar do Senhor do Bonfim os sacerdotes celebrantes Padre Bastos e Padre Honório, ricamente vestidos com todos os paramentos exigidos e usados nas Missas solenes celebradas antes do Vaticano II. No interior da Igreja, não obstante a grande multidão, reinava um profundo e respeitoso silêncio. Os padres, após a saudação ao povo, viravam as costas para os fiéis e começavam a Missa na antiga liturgia. Tudo era em latim e o povo apenas ouvia as leituras feitas pelos celebrantes, sem nada entender. Todavia, o entendimento, para os fiéis, não era tão necessário pois estavam ali apenas homenageando o Senhor do Bonfim e para isso bastava a presença e a reza individual de cada um, enquanto os padres celebravam em latim.
Contudo, havia um momento em que a atenção de todas as pessoas voltava-se para o altar. Era quando, terminada a leitura do Evangelho, também em latim, o padre se virava para o interior do Templo e dirigia aos fiéis algumas palavras sobre o que acabara de ler. Era, como se chamava na época, o sermão do padre. Normalmente o sermão da Missa das 9:00 horas era feito pelo Padre Honório Rocha, xiquexiquense radicado em Petrolina (PE) mas que nunca deixou de estar presente na festa do Senhor do Bonfim. Padre Honório além do seu porte atlético, educação e permanente simpatia era detentor de grande cultura, exímio orador e os seus sermões se estendiam por pelo menos 1 hora. Mas, isso, também não era problema, pois, passados os primeiros 20 minutos do entusiasmo com a presença do Pe. Honório, as pessoas que estavam sentadas nos bancos retornavam às suas orações particulares e individuais e deixavam de prestar atenção ao sermão. As que estavam em pé no fundo da Igreja, por falta de bancos e as que assistiam a Missa na calçada do jardim, iniciavam com o vizinho um bate papo ou iam ao exterior do Templo fumar um cigarrinho enquanto o Padre falava.
Terminado o sermão a Missa voltava ao rito normal e novo ápice acontecia quando da consagração e elevação do Santíssimo, momento em que os sinos voltavam a tocar intensamente e Caxixe liberava outra bateria de foguetes de vara, provocando um barulho ensurdecedor e grande fumaceira em toda a Praça D. Máximo. Os momentos mais solenes da Missa eram embelezados pelo coral das cantoras voluntárias acompanhadas pelo afinado violino de Nei Barreto e o famoso bandolim de Custódio Moraes. Aproximadamente às 11:00 horas encerrava-se a Missa com todo o povo dando vivas ao Senhor do Bonfim e desejando aos amigos ali presentes muitas alegrias, paz, saúde e grandes realizações no ano que se iniciava. Nesse momento Caxixe liberava a última bateria de fogos de artifício e o povo postado na porta da Igreja, acompanhava, com entusiasmo cada foguete que subia e cada adrianino de três tiros que explodia. Após o “show” promovido por Caxixe, que sempre estava com um sorriso nos lábios, todos se retiravam para suas residências onde os esperava um lauto almoço regado a vinho e peru com a participação de toda a família. Quem não tinha peru matava uma galinha caipira, cria do próprio quintal e festejava, do mesmo jeito, a entrada do novo ano. A tarde era para um merecido descanso, pois ainda estavam por vir a procissão das 17 horas com a imagem do Senhor do Bonfim e os grandes bailes a partir das 22:00 nos clubes locais
A procissão do Senhor do Bonfim, realizada a partir das 17:00 horas, era uma das solenidades mais bonitas que aconteciam no primeiro dia do novo ano. Encarregada de manter a disciplina dos participantes, D. Pulu organizava duas filas paralelas que ladeavam o andor do Santo Padroeiro por todo o trajeto que, saindo da Igreja seguia pela Rua Marechal Deodoro (Rua da Sete) para no final entrar na Rua Góes Calmon (Rua Grande), seguindo até a Avenida J.J. Seabra que era percorrida até o final e por ela retornando para a Praça D. Máximo que após ser circundada dava acesso à porta central da Matriz onde, finalmente, o povo se aglomerava para assistir ao encerramento dos festejos comemorativos do Senhor do Bonfim. Durante todo trajeto os fiéis entoavam cânticos religiosos com predominância do hino do Senhor do Bonfim, que difere do hino do Senhor do Bonfim de Salvador.
Com o encerramento dos atos religiosos o povo retornava aos seus lares para jantar e aguardar os dois grandes bailes que começavam a partir das 22:00 horas no Clube Recreativo Sete de Setembro e no Clube Beneficente dos Operários. Como já se falou antes esses eram os bailes mais importantes da cidade onde com toda certeza estaria presente a totalidade das famílias xiquexiquense. As mulheres estariam usando vestidos novos e suntuosos, geralmente de tafetá e os homens, mesmos os jovens estudantes, usando paletó e gravata. Por esses trajes pode-se aferir a importância desses bailes. Todos os casais adquiriam mesas nos clubes para que junto com os filhos e filhas ficassem comodamente instalados e, para quebrar a rotina a diretoria do Clube Sete de Setembro, na festa do dia primeiro de janeiro, costumava contratar uma pequena orquestra de outra cidade e o “jazz”, conjunto local ficava encarregado de tocar no Clube Operário. E, como eram os eventos mais importantes da cidade a Prefeitura Municipal permitia que a energia elétrica, que nesse tempo era fornecida por um motor a óleo até à meia noite, ficasse iluminando a cidade até o final dos bailes que normalmente se estendia até às 03:00 horas, em perfeita paz e tranqüilidade com cada pai e mãe se divertindo e ao mesmo tempo assistindo a diversão dos filhos e filhas.
E assim transcorria cada dia 1º de janeiro em Xiquexique. Era um dia intenso de festas religiosas e profanas nas quais se envolviam todas as famílias, independente da categoria social ou profissional de cada uma.
ERA ASSIM O PRIMEIRO DE JANEIRO EM XIQUEXIQUE.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Novenas - Procissão Fluvial em Xiquexique

PROCISSÃO FLUVIAL - 2009

O Novenário em preparação à festa do Padroeiro de Xiquexique, Senhor do Bonfim, que será realizada no dia 1º de janeiro, está tendo uma maciça participação da comunidade xiquexiquense. A festa do Senhor do Bonfim é uma cultura religiosa que vem desde 1714 quando o Arcebispo da Bahia, D. Sebastião Monteiro da Vide dedicando ao Senhor do Bonfim e Bom Jesus, a pequena capela construída no "arraial de Chique-Chique", transformou a pequena vila ao lado da Ipueira em Freguesia. Daquela data e até os nossos dias, a devoção ao Senhor do Bonfim só tem aumentado o que demonstra o grande afluxo de fiéis aos atos litúrgicos preparativos da maior festa religiosa da cidade.

No bojo dessas comemorações, destaca-se a Procissão Fluvial durante a qual a milagrosa imagem do Senhor do Bonfim é, numa embarcação, transportada, por sobre o Lago Ipueira, da Ilha do Miradouro até o porto de Xiquexique. Nesse momento é grande a quantidade de barcos dos mais diversos tamanhos e modelos que acompanham a procissão, com os barqueiros e pescadores pedindo a proteção do Padroeiro para suas atividades diuturnas sobre o Rio São Francisco.

A Procissão Fluvial - 2009, a exemplo das anteriores foi, devotamente, participada pela totalidade da cidade, como se pode ver pelas fotos postadas que enfocam desde a preparação do andor do Senhor do Bonfim até o retorno do Padroeiro à sua Igreja Matriz.

















segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Intendentes e Prefeitos de Xiquexique - Cel. Francisco Santiago

7º Intendente Cel. Francisco Martins Santiago
– 1908-1912 –

Mandato: 28 de maio de 1908-28 de maio de 1912.
Presidentes da República:
Afonso Augusto Moreira Pena (15.11.1906- 14.06.1909)
Nilo Procópio Peçanha (14.06.1909- 15.11.1910)
Hermes Rodrigues Fonseca (15.11.1910-15.11.1914).
Governadores da Bahia:
João Ferreira de Araújo Pinho (28.05.1908-22.12.1911)
Aurélio Rodrigues Viana (22.12.1911-27.01.1912)
Bráulio Xavier da Silva Pereira (27.01.1912-29.03.1912) e
José Joaquim Seabra (29.03.1912- 28.03.1916).

No dia 1º de fevereiro de 1908, em eleição democrática foi eleito o sétimo Intendente Municipal de Xiquexique, Cel. Francisco Martins Santiago, para um mandato de 28.05.1908 a 28.05.1912. Junto com o Intendente foram eleitos os cinco conselheiros municipais Cel. Manoel Teixeira de Carvalho, Cel. Joaquim Honorato de Souza, Cel. Francisco Dionísio dos Santos, Cel. Zoroastro Ferreira Lustosa e Cel. Lithercílio Baptista da Rocha que foram empossados junto com o Intendente.
No ano da posse do novo Intendente, recrudesce a grave crise econômica enfrentada pela população de Xiquexique, pois a massa popular desempregada com a queda do mercado da borracha de maniçoba vai muito além da capacidade de absorção funcional que o município dispõe, não obstante a passagem do governador José Marcelino de Souza, pela cidade em fevereiro de 1905, quando prometeu recursos para resolver a crise que estava começando naquele ano.
Vendo-se abandonado pelo governo estadual o Intendente tentou todos os recursos para resolver a questão do desemprego, da fome e da miséria, mas apenas conseguiu paliar a situação e adiar o desfecho fatal em que a população se veria completamente envolvida e devastada.
Embora grande parte dos desempregados tivessem retornado às suas cidade de origem muitos foram atraídos por fazendeiros locais e se tornaram vaqueiros, capatazes e agregados de um sem número de propriedades rurais, especialmente da margem do Rio São Francisco.
Além da tragédia humana provocada pelo desaparecimento do mercado da borracha da maniçoba, o Município foi atingido em 1911 por uma das grandes enchentes do Rio São Francisco. Os primeiros três meses de 1911 foram marcados por fortes chuvas nas nascentes do Rio São Francisco e no sertão da Bahia, fazendo transbordar todos os afluentes e subafluentes do Velho Chico, trazendo grandes prejuízos para todos os ribeirinhos
No dia 28 de novembro de 1911 foram realizadas as últimas eleições democráticas para Intendentes e Conselheiros, tendo sido eleito o oitavo Intendente Cel. Agrário de Magalhães Avelino, para um mandato de 1912 e 1916, juntamente com os cinco Conselheiros, Cel. Francisco Xavier Guimarães, Cel. Francisco Dionísio dos Santos, Cel. Manoel Antunes Bastos, Cel. Joaquim de Figueiredo Rocha e Cel. Manoel Teixeira de Carvalho.
No período do Mandato do Cel. Francisco Martins Santiago, nasceram as seguintes pessoas em Xiquexique:
12 de setembro de 1909: Anfrísio de Figueiredo Barreto, no município de Gameleira do Açuruá, estado da Bahia, filho de Norberto Alves Barreto e de Amália de Figueiredo Barreto.
04 de outubro de 1909: Adão Moreira Bastos, filho de Antônio Bastos e de Amélia Moreira Bastos. Casou-se com D. Olga de Souza Nogueira no dia 03 de janeiro de 1930 e dessa união tiveram quatro filhos: Gisélia Nogueira Bastos, Gislene Nogueira Bastos, Luiz Carlos Nogueira Bastos e Rhéa Silvia Nogueira Bastos.
22 de fevereiro de 1910: Angelita de Azevedo Fernandes, filha de Joaquim Medrado de Azevedo e de Arlinda Bessa Azevedo. e casou com Hermelindo Vieira Fernandes. O casal teve cinco filhos: Darcy Azevedo Fernandes, Alcyr Cézar Fernandes, Hermelita Fernandes, Delzuíta Fernandes de Araújo e Maria Auxiliadora Fernandes
28 de março de 1910: Olga Nogueira Bastos, filha de José de Souza Nogueira e de Alcina Nogueira. Olga Nogueira Bastos se casou com Adão Moreira Bastos, no dia 03 de janeiro de 1930, em Chique-Chique. O casal teve quatro filhos: Gislene Nogueira Bastos, Gisélia Nogueira Bastos, Rhéa Sílvia Nogueira Bastos e Luiz Carlos Nogueira Bastos. Com mais de 99 anos de idade, Olga Nogueira Bastos faleceu no dia 18 de julho de 2009, em Xiquexique.
05 de julho de 1910: Tiburtino Gomes Barreto, filho de José Pereira Alves Barreto e de Henedina Gomes Barreto. Casou-se com Maria Angélica Afonso Barreto, tendo quatro filhos: Valdemir Afonso Barreto, Casimiro Afonso Barreto, Odete Afonso Barreto e Maria da Conceição Afonso Barreto. Faleceu no dia 25 de outubro de 1989, na cidade de Xiquexique.
07 de agosto de 1911: Osmar Guedes, filho de José Guedes e de Hermínia Magalhães Guedes. Casou-se com Felisbela de Miranda Guedes, no dia 05 de junho de 1936, O casal teve três filhos: Oscar Armando de Miranda Guedes, Osmir Augusto de Miranda Guedes e Clélia de Miranda Guedes.

OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro "Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique Chique". Ed. 1999. Autor: Cassimiro Machado Neto.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O IDIOMA NORDESTINO

O NORDESTINÊS

Muitos conterrâneos Nordestinos por ignorância ou por estar há muito tempo morando em outras regiões do Brasil, acostumaram-se a ter uma visão deturpada dos lugares, sotaques, folclore, culinária, etc., com referência à Região Nordeste do Brasil. Aceitam passivamente informações que generalizam a nossa rica diversidade, como se, por exemplo, a Bahia fosse idêntica ao Maranhão. Chegam até ao cúmulo de aceitarem e mesmo usarem a palavra NORTE quando se referem ao NORDESTE e tratam, indistintamente, de “baiano” todo e qualquer Nordestino não importando o seu Estado natal. Nós não chamamos de Sudestino o mineiro, o paulista, o carioca e o capixaba e por isso devemos exigir, como reciprocidade de tratamento, que sejamos designados pelo nome do nosso Estado.
Não obstante isso, a Região Nordeste possui o seu dialeto que é entendido por todos os Nordestinos que têm orgulho de aqui ter nascido. E, para que não esqueçam as origens, segue uma linda poesia, de Ismael Gaião da Costa, pernambucano nascido em Condado, em 07 de maio de 1961 e atualmente residindo no Recife-PE. para deleite de todos os que aqui nasceram inclusive para os que, por algum motivo, foram forçados a saír da Região.
NO NORDESTE É DIFERENTE, É ASSIM QUE A GENTE FALA.

No Brasil pra se expressar
Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego


Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
E uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado

O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
E bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado

Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado

Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Poupa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Baliadeira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um puxa-saco é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
Jogo de dado é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tique nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Espinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Engilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Ficar de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego

Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dar Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala
OBS.:Ismael Gaião da Costa, nasceu em Condado-PE, em 07 de maio de l961. Reside no Recife-PE. É Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE - Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina. Já publicou 20 (vinte) Cordéis e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais). É filiado à UNICORDEL - União dos Cordelistas de Pernambuco, na qual integra a equipe de Declamadores. Assina a Coluna COLCHA DE RETALHOS, no JORNAL DA BESTA FUBANA - uma gazeta da bixiga lixa (Blog), (www.luizberto.com), publicando poesias, prosas e contos, diariamente. Ganhador da 4ª RECITATA - 2009(concurso de poesia declamada) da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, com nota 10 (dez) no Júri Popular, declamando a poesia MENINO DE RUA.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Por do Sol em Xiquexique



POR DO SOL EM XIQUEXIQUE

Mais um Por do Sol em Xiquexique cujos últimos raios são douradamente refletidos pelo nosso LAGO IPUEIRA.
Mas, essa visão somente é possível após um sacrifício de escalar o "PAREDÃO" infectado de tremendo mau cheiro e todo tipo de falta de higiene.
Por isso, poucas pessoas se dispõem a fazer a escalada e perdem, diariamene essa fenômeno da natureza.
Vamos derrubar o 'PAREDÃO' que há muitos anos retirou do xiquexiquense o prazer de sentar no cais e apreciar o descanso do astro rei.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

NOVENAS DO SENHOR DO BOMFIM - Programa

Novenas do Senhor do Bonfim.



As novenas em homenagem ao Senhor do Bonfim, de Xiquexique (BA), preparando o povo para a grande festa do dia 1º de janeiro, começaram no dia 23 e como vem acontecendo ha muitos anos, a Igreja estará cheia de fieis prestigiando esse acontecimento tão caro aos xiquexiquense.

A programação das novenas é a seguinte:
Dia 23 - Quarta-feira - Às 17:00 horas uma carreata saindo do aeroporto, transportará a imagem do Senhor do Bonfim por várias ruas e bairros da cidade, encerrando as 19:00 horas com uma missa na Igreja Matriz. O tema da novena: "Mostrai-nos vossos caminhos Senhor do Bonfim". Essa noite teve como Paraninfos o Grupo Natal em Família, a Pastoral Carcerária, os Professores, a Equipe do Dízimo, Comunidade de Nossa Senhora Aparecida e Comunidade São João Batista.
Dia 24 - Quinta-feira - Missa campal com Novena, às 22:00 horas. Tema: "O Senhor vem salvar o seu povo através da vida nova". Esse dia teve como Paraninfos: os Ministros Extraordinários da Eucaristia, o Ministério da Palavra, o Ministério das Exéquias, a Equipe de Liturgia e a Equipe de Salmistas e Cantores.
Dia 25-Sexta-Feira - Dia de Natal e tem como tema “E a palavra se fez carne e habitou entre nós”. Esse dia teve como Paraninfos: a Pastoral da Criança, a Pastoral da Infância Missionária, a Pastoral do Menor, a Pastoral do Batismo e a Comunidade São Pedro.
Dia 26- Sábado – Novena solene como Tema “A palavra é a vida”. Esse dia teve como Paraninfos: a Pia União dos Filhos e das Filhas de Maria, a Pastoral da Juventude, a Pastoral Vocacional, a Pastoral da Catequese, as Comunidade São Lourenço e Comunidade São José.
Dia 27 - Domingo - Procissão Fluvial às 16:00 horas, percorrendo o trajeto que vai da Ilha do Miradouro ao Parque Aquático. Missa às 19:00 horas. Tema: "Sagrada Família Modelo de Obediência e Fidelidade". Tem como Paraninfos: Os Pescadores, os Barqueiros, os Motoristas, os Taxistas, os Motoqueiros, a Pastoral Familiar e a Comunidade Nossa Senhora da Conceição.
Dia 28 – Segunda-Feira – Novena com o Tema: “Com os inocentes, chamados a defender a vida.” Serão Paraninfos nessa noite: a Irmandade de São José, o “Lions Club”, a Maçonaria, o GEMIXX, o “Rotary Clube”, as Associações e a Comunidade de Santa Luzia.
Dia 29 – Terça-Feira – Novena com o Tema: “Meus olhos viram a tua salvação”. Esse dia terá como Paraninfos: a Coração de Jesus, a RCC, o Conselho de Leigos, os Aposentados, os Pensionista, os Garis e a Comunidade de Santo Antônio.
Dia 30 - Quarta-feira - Missa às 16:00 horas para os doentes e idosos seguida, as 19:00 horas a Procissão da Cruz Luminosa, com todos os participantes portando velas acesas pois as luzes da cidade estarão apagadas. Tema: "A nossa missão é levar a mensagem de salvação". Esse dia terá como Paraninfos: os Comerciantes, a Comunidades de Santa Marta, a Marreca Velha, e todas as Comunidades Rurais.
Dia 31 - Quinta-feira - Missa Solene e encerramento do Novenário às 22:00 horas. Tema: "A Salvação vem de Deus." Esse dia terá como paraninfo: a Comissão da Festa do Senhor do Bonfim de 2009.1º de Janeiro - Às 05:00 horas alvorada; ás 10:00 h Missa Solene; ás 12:00 horas Oração do Ângelus; ás 17:00 horas procissão, encerramento, missa e bênção do Santíssimo Sacramento e queima de fogos.
1º de Janeiro - Às 05:00 horas alvorada; ás 10:00 h Missa Solene; ás 12:00 horas Oração do Ângelus; ás 17:00 horas procissão, encerramento, missa e bênção do Santíssimo Sacramento e queima de fogos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Homens e Mulheres que fazem Xiquexique - Carlos Santos

CARLOS DE SOUZA SANTOS
O Sr. Carlos de Souza Santos, nasceu em Xiquexique no dia 27.10.1938 e é afetuosamente conhecido como Carlito pelo amigos e familiares. Em 1946 foi matriculado na 1ª Série do Curso Primário, na Escolas Reunidas Cézar Zama, tendo em 1952 concluído o Curso Primário como aluno da Professora Maria Custódio Chaves
Como Xiquexique, na época, não possuia ginásio para a continuidade dos estudos, Carlos Santos decidiu sair da cidade a procura de local onde pudesse culturamente crescer. Terminou chegando na cidade de São Paulo, onde, trabalhando e estudando conseguiu concluir o Curso Ginasial, de 1958 a 1961, no Ginásio Barão de Mauá, daquela cidade. Sempre desejando crescer através dos estudos, Carlos Santos matriculou-se no Curso Técnico em Contabilidade, pois além do segundo grau estaria habilitado profissionalmente, tendo-o concluido entre os anos de 1963/1966 no Colégio Modelo, também de São Paulo. Já se achando qualificado para o exercício da profissão, Carlos Santos decidiu, no final dos anos 1960, retornar à sua terra natal para exercer a nobre profissão de Contador. Lá chegando instala o seu Escritório e de imediato é contemplado com a conta da Prefeitura Municipal, numa prova de confiança dos seus conterrâneos na sua competência profissional, tarefa que exerceu durante os anos 1971/1973. Devido ao sério trabalho desenvolvido na cidade, no ano de 1982 seu nome foi lembrado para concorrer à eleições para Prefeito Municipal, tendo como vice o não menos importante Sr. Francisco Marçal. Essa forte dupla foi eleita para o período de 1983 a 1989.
Antes de ir para São Paulo continuar os estudos, Carlos Santos foi jogador de futebol em vários times de Xiquexique, tendo por diversas vezes defendido as cores da Seleção da Cidade.
O Sr. Carlos de Souza Santos se casou com D. Lígia Filomena de Menezes Santos, no dia 03 de fevereiro de 1962, na cidade de São Paulo e tiveram cinco filhos: Lídice Menezes Santos, Lígian Santos Oliveira, Carlos de Souza Santos Júnior, Carla Divina e Lidiane Menezes Santos.
O Sr. Carlos Santos é um dos homens que fazem Xiquexique.

Residências Clássicas : Profa. Maria Custódio

RESIDÊNCIA DA PROFA. MARIA CUSTÓDIO CHAVES




A Professora Maria Custódio Chaves, nasceu em Xiquexique (BA), no dia 13.12.1912 e faleceu no dia 07.12.1903, estando os seus restos mortais sepultados na sua cidade natal. Era filha de José Custódio de Moraes e de D. Josefa Martinha de Queiroz Moraes, ambos naturais da cidade de Sento-Sé (BA).
A Profa. Maria Custódio foi a única filha do casal que conseguiu estudar, coisa rara para uma mulher nascida no início do sec.XX. Após concluir o primeiro grau em escolas particulares de Xiquexique, submeteu-se ao exame de admissão no Colégio Santa Eufrásia na cidade da Barra (BA)., onde colou grau como Professora no ano de 1934, aos 22 anos de idade. Começou o seu magistério na Vila de Marrecas, atual Iguira e, quando, em 1937 foi inaugurado o "Escolas Reunidas Cézar Zama", coube-lhe assumir uma das salas de aulas, onde permaneceu como titular daquele Estabelecimento de Ensino até a sua aposentadoria.
Professora de centenas de alunos durante várias décadas, a Profa. Maria Custódio (que os mais íntimos tratavam afetuosamente como Profa. Nenem), sempre desfrutou do carinho de todos os que com ela tiveram contato durante o curso primário, principalmente nos últimos anos de vida, quando, já aposentada e passando dos 80 anos, sentada, à noite, na calçada de sua residência, recebia carinhosos cumprimentos de todos os que por ali passavam.
Quando do seu falecimento, por ser a decana da Pia União das Filhas de Maria, pois desde 1931 pertencia e esse grupo de oração, recebeu todo a atenção e o carinho das confrades, que vestidas a caráter, tomaram o encargo de levar o corpo da irmã mais velha ao cemitério. Foi um ritual muito bonito.
Em reconhecimento pela grande contribuição que a Profa. Maria Custódio deu à cultura de Xiquexique, durante as décadas em que se dedicou ao magistério, a Prefeitura de Xiquexique, na gestão do Prefeito Carlos Santos e numa justa homenagem, através da Lei Municipal nº 274, de 01.09.1987, denominou a grande escola municipal situada no bairro de Santa Marta, de "Escola Maria Custódio Chaves".
A Profa. Maria Custódio sempre residiu na Praça D. Máximo, 132, cujo imóvel construído na década de 1930, continua, ainda no domínio dos filhos.

Foto Antiga: Formatura do Ginásio - 1ª Turma

CURSO GINASIAL DE 1962


Esta foto, do final de 1962, é muito importante para a história de Xiquexique (BA), pois ela representa uma vitória da sociedade local. Se hoje o curso ginasial já nem existe, nos idos de 1959 era vital para o desenvolvimento cultural de qualquer comunidade. Aqui estão os alunos que concluiram o Curso Ginasial em 1962, no Ginásio Senhor do Bonfim, cuja inauguração ocorreu no início de 1959, iniciando suas atividades com as 1ª e 2ª séries do curso ginasial. A foto retrata os alunos que começaram no primeiro ano. Se, cronologicamente, são da 2ª turma, consideram-se como a primeira turma já que os alunos que concluiram o ginásio em 1961 eram transferidos de outros colégios.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Chegada do Vapor em Xiquexique (BA).


CHEGADA DO VAPOR EM XIQUEXIQUE

Nasci e me criei em Xiquexique (BA), nas beiradas do Rio São Francisco, ouvindo o apito e assistindo os vapores “encostarem” na rampa do cais que ficava após a Praça Getúlio Vargas e que era conhecida como o porto do vapor. Nos anos 1950 os vapores eram o principal, senão o único meio de transporte entre as cidades ribeirinhas do Rio São Francisco, transportando passageiros, cargas e movimentando o comércio da região, tendo permanecido assim por mais de 60 anos e, só não estão, ainda hoje em plena atividade pela falta de visão dos nossos governantes.
Nessa época (1950), eram quase 30 vapores que navegavam o Rio São Francisco, empregando diretamente mais de 1.300 pessoas e distribuidos entre a Companhia Baiana de Navegação com os vapores pintados de vermelho e branco e a Companhia Mineira de Navegação com os vapores pintados de amarelo e branco.
A chegada de um vapor em Xiquexique era um evento de grande alegria e alvoroço para toda a população da cidade que, não obstante a freqüência com que ancoravam o fato nunca foi banalizado e nunca se tornou rotineiro. Era algo muito importante e nunca deixamos de assistir a chegada e a saída dessas embarcações. Os vapores, pelos imprevistos que ocorriam durante o trajeto de Pirapora (MG) até Juazeiro (BA), ou vice-versa, não tinham hora certa para chegar em cada porto. Por isso, mesmo os representantes das Navegações Mineira e Baiana, em cada cidade, eram avisados por rádio a hora em que o vapor saía de cada porto. A partir dessa informação ele calculava o momento de chegada do vapor. Podia ser qualquer hora do dia ou da noite. Por isso os passageiros que iam embarcar tinham que estar de sobreaviso, para essa provável hora de chegada, estimada pela Agência de passagens.
Quando o vapor ultrapassava o Canal do Guaxinim e já dentro da Ipueira, emitia um longo e sonoro apito, avisando a todos que estava entrando em Xiquexique. Como o apito era produzido pela saída do vapor oriundo da caldeira onde a lenha era queimada, o som produzido por cada um era diferente e isso permitia que muitas pessoas identificassem o vapor que estava chegando pelo simples ouvir do apito. O som desse apito, ouvido em toda a cidade, era suficiente para arrastar a população. Ainda estava o vapor no meio da Ipueira, fazendo as manobras para encostar e o cais de Xiquexique já estava totalmente tomado pelo povo, parado e olhando para o vapor, como que hipnotizado aguardando o momento em que âncora era lançada, os “marinheiros” se jogavam na água e nadavam até margem, segurando uma grossa corda com a qual começavam a puxar a embarcação para encostá-la ao máximo no cais. Feito isso, uma grande e larga passarela de madeira que a gente chamava de “prancha”, ligando o vapor à terra firme, permitia a saída e entrada de pessoas. Os passageiros em trânsito também desembarcavam para dar uma volta pela cidade com tempo suficiente, pois, normalmente o vapor demorava uma hora “encostado”.
Enquanto isso, as pessoas de Xiquexique que iam embarcar, após o desembarque dos passageiros imediatamente entravam com suas bagagens a procura de uma acomodação para a viagem até Juazeiro (BA), que em média duraria 3 dias. Tendo sorte encontrariam um camarote com um beliche que, apertado caberia 2 pessoas. Caso contrário, teriam que dormir no salão do vapor sobre colchões. Mas, isso os moradores das cidades situadas no meio do trajeto Juazeiro/Pirapora, já estavam acostumados, pois os camarotes eram ocupados por passageiros que embarcavam nas cidades origem do trajeto.
Todo o movimento de saída e entrada de pessoas pela “prancha” era curiosamente observado pela população postada no cais, de pé. O que mais atraia a atenção eram os oficiais tripulantes, principalmente o Comandante do Vapor, com sua roupa de marinheiro impecavelmente branca. Enquanto essa tripulação desembarcava para dar uma volta pela cidade ou para visitar a Agência de vendas de passagens, os “marinheiros” como eram conhecidos a tripulação de estivadores, começavam a transportar para o interior do vapor a mercadoria que estava postada na beira do rio com destino a Juazeiro (BA) ou Pirapora (MG).
Terminado o embarque das mercadorias e o contato dos tripulantes com os Agentes de Passagens, os oficiais retornavam e o “prático”, como era conhecido o oficial piloto, acionando um dispositivo produzia um apito que era interpretado pelo povo como o primeiro sinal. Nesse momento os passageiros que estavam passeando pela cidade providenciavam, de imediato, o retorno ao vapor. Passado alguns minutos novo apito soava como segunda chamada. Nesse momento, todos já deveriam estar a bordo e os visitantes deveriam sair do vapor, pois, a qualquer momento a ”prancha” seria retirada.
A uma ordem do comandante o “prático” acionando a casa das máquinas, avisava que o vapor estava prestes a sair e, imediatamente os “marinheiros” retiravam a “prancha”, recolhiam a âncora e a roda traseira do vapor começava, lentamente, a se movimentar. Era o momento da saída. As pessoas acenavam lenços e mãos dando “adeus” para os parentes e amigos que partiam naquela viagem. Nessa altura o vapor já estava no meio da Ipueira e, com as máquinas já em plena força, emitia um longo e saudoso apito como que se despedindo daquele povo tão acolhedor que somente agora estava, lentamente, se afastando do cais.
Somente a partir do desaparecimento do vapor na curva da Ipueira entrando no Canal do Guaxinim, a cidade voltava à normalidade e ficava no aguardo da notícia do próximo vapor que em breve deveria estar chegando.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Fotos Antigas: Esc. Reunidas Cézar Zama

ESCOLAS REUNIDAS CÉZAR ZAMA

Somente em 1871 Xiquexique veio a contar com uma escola primária pública, instalada pelo Presidente da Bahia, Cel. Francisco Gonçalves Martins e, dedicada exclusivamente ao sexo feminino. O imóvel onde funcionou essa primeira escola ficava na Rua dos Aflitos. A partir desse marco, outras escolas foram sendo fundadas em Xiquexique, todas particulares e funcionando precariamente nas residências dos professores, que eram leigos.
Somente no dia 07 de setembro de 1937 Xiquexique passou a contar com uma escola pública decente tendo para isso sido construído na Avenida J.J. Seabra um prédio confortável e relativamente grande para a cidade de então, com 4 amplas e arejadas salas de aulas permitindo que durante o dia pudessem funcionar 8 turmas de alunos. O imóvel construído para abrigar a escola dispunha de todas as instalações necessárias, tendo recebido o nome de Escolas Reunidas Cezar Zama, mas, ficando conhecido em toda a cidade como “O PRÉDIO”.
No PRÉDIO estudou praticamente todos os xiquexiquenses com mais de 60 anos, pois, até o ano de 1950 era a única escola pública estadual que funcionava na cidade. Era uma honra para a professora primária se formar e conseguir uma sala de aula no “Prédio”. Normalmente as professoras formadas no decorrer da década de 1960 eram nomeadas para lecionarem nos distritos ou davam aulas em salas adaptadas nas próprias residências.
As fotos acima foram obtidas no dia da inauguração vendo-se na sperior os cidadãos de paletó e gravata aguardando a apresentação coreográfica que foi apresentada pelas crianças de Xiquexique. A segunda foto mostra a imponência do imóvel recém construído.

OBS.: O patrono do PRÉDIO Aristides Cézar Spínola Zama, nasceu na cidade de Caitité (BA), filho único de mãe brasileira e pai o italiano. Foi médico, tendo se destacado nos serviços hospitalares durante a Guerra do Paraguai, Deputado Federal pela Bahia e grande escritor tendo sido o primeiro, em 1899 a denunciar o massacre de Canudos como "o requinte da perversidade humana", uma guerra onde a instituição criada para defender o povo brasileiro era enviada para assassinar este mesmo povo - como descreve. Historiador publicou “Os Três Grandes Oradores da Antiguidade” e “Os Três Grandes Capitães da Antiguidade”. Cezar Zama é, também nome de rua em Salvador (BA) e de Avenida no Rio de Janeiro (RJ).
Contrastando com o imponente Fórum Ruy Barbosa de Salvador, o maior fórum da Bahia fora da capital, na sua terra natal
Caetité, tem o seu nome.

Residências Clássicas - Samuel Soares

Residência do Sr. Samuel Soares

O Sr. Samuel Soares nasceu no dia 14.06.1921, no distrito de Ibiraba (antigo Icatu), município de Barra (BA), filho do Sr. João Rodrigues Soares e de D. Neufrides de Assunção Soares. O seu pai ao transferir residência para Xiquexique dedicou-se ao comércio de medicamentos, o que levou o Sr. Samuel a iniciar-se no comércio como prático de farmácia. Ao lado da atividade de farmaceutico, o Sr. Samuel dedicou-se ainda à produção agrícola e à política local. Dessa forma foi vereador em Xiquexique nas legislaturas 1948-1951 e 1955-1959, tendo exercido as funções de 2º secretário (1955), 1º Secretário (1956) e presidido a Câmara Municipal em em 1957. Foi cidadão de destaque na sociedade xiquexiquense e um dos fundadores da Loja Maçônica da cidade de Xiquexique.
Casou-se com D. Zita Magalhães Soares, no dia 20 de dezembro de 1947 e dessa união nasceram os filhos Salmson Hugo Rodrigues Soares, Solange Rodrigues Soares, Zenara Rodrigues Soares, Zilmara Rodrigues Soares, Salmeron Rodrigues Soares, João Rodrigues Soares Neto e Samuel Rodrigues Soares Filho.

OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro "Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique Chique". Ed. 1999. Autor: Cassimiro Machado Neto.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Foto Interessante - Bco. do Brasil de Xiquexique (BA).

AGÊNCIA DO BANCO DO BRASIL.

O incomum e o interessante na foto é a existência de um templo da igreja universal no pavimento superior da Agência do Banco do Brasil em Xiquexique (BA). A não ser que seja um excepcional grupo silencioso os cultos da universal devem perturbar o sossego dos funcionários e clientes do BB naquela cidade.
Contudo, fica a dúvida: por que o Banco do Brasil concordou que a igreja universal instalasse um templo no seu pavimento superior?
A Direção Geral do BB com a resposta.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Homens e Mulheres que fizeram Xiquexique:

Dr. Clodoaldo de Magalhães Avelino
No dia 23 de janeiro de 1899 nasceu em Xiquexique (BA) o Dr. Clodoaldo de Magalhães Avelino, filho do Cel. Agrário de Magalhães Avelino e de Francisca de Magalhães Avelino. Dr. Clodoaldo era afetuosamente conhecido por todos como Dr. Dozinho. Após concluir o Curso Primário em Xiquexique, seguiu para Salvador onde cursou o Ginasio e Colegial, no Colégio Carneiro Ribeiro e no Colégio Ipiranga. Após concluir o Científico ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se, como o primeiro médico de Xiquexique, no ano de 1924, com especialização em oftalmologia e otorrinolaringologia. Além de médico, Doutor Dozinho exerceu ainda as funções de professor e militar. Fundou em Xiquexique o Centro Espírita Agostinianos, a Escola José Petitinga e os Hospital Ana Avelino – este extinto. Trabalhou como médico em Xiquexique, Barreiras (BA), Januária (MG) e Belo Horizonte (MG), onde fixou residência em definitivo. Nessas cidades exerceu a medicina em carater voluntário e gratuitamente junto à população mais humilde
No dia 23 de janeiro de 1999, data do seu centenário, foi homenageado pelos poderes públicos com a colocação do seu nome a uma rua no bairro Polivalente, na Zona Leste da cidade, e um busto na Praça Allan Kardec, Zona Central da cidade. Casou-se em primeiras núpcias com Adelaide de Campos Avelino e ao ficar viúvo casou-se em segunda núpcias com Honorina Xavier Avelino. Não teve filhos. Doutor Dozinho faleceu no dia 13 de setembro de 1985, aos 86 anos de idade, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde foi sepultado. Na oportunidade, o Prefeito Municipal de Xiquexique, Sr. Carlos de Souza Santos decretou luto oficial por três dias.


OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro "Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique Chique". Ed. 1999. Autor: Cassimiro Machado Neto.

Intendentes e Prefeitos: Cel. Francisco José Correia

Intendente Francisco José Correia
– 1904-1908 –

Eleição: 04 de fevereiro de 1904.
Mandato: 28 de maio de 1904-28 de maio de 1908.
Presidentes da República: Francisco de Paulo Rodrigues Alves (15.11.1902- 15.11.1906) e Afonso Augusto Moreira Pena (15.11.1906-14.06.1909)
Governador da Bahia: José Marcelino de Souza (28.05.1904-28.05.1908).

Em eleição realizada no dia 04 de fevereiro de 1904, foi eleito o sexto Intendente de Xiquexique, Cel. Francisco José Correia, que no período do seu mandato – 28.05.1904 a 28.05.1908 - foi auxiliado pelos seguintes Conselheiros Municipais, também eleitos nessa data: Cel. Francisco Xavier Guimarães, Cel. Manoel Teixeira de Carvalho, Cel. Joaquim Honorato de Souza, Cel. Manoel Antunes Bastos e Cel. Lithercílio Baptista da Rocha
As providências do Intendente anterior, Cel. Praxedes da Rocha para resolver o problema dos desempregados com a queda da produção da borracha de maniçoba, tentando arranjar empregos nas fazendos dos amigos ou comprando passagens de vapor para que os desempregados retornassem às suas cidades de origem não sanaram o problema e, quando o Cel. Francisco José Correia assumiu a administração da cidade, em maio de 1904, uma grande crise começava a se desenhar no horizonte.
No começo de 1905 o governador da Bahia, José Marcelino de Souza, decide, acompanhado de uma comitiva de 20 pessoas, visitar os sertões do Estado, inclusive a região São Franciscana. Para isso embarcou num trem de ferro especial da Leste Brasileira e viajou até Juazeiro (BA), fazendo uma parada em cada cidade à margem dos trilhos, quando, em contatos com a comunidade e as autoridades municipais tomava conhecimento dos problemas e das necessidades municipais. Ao chegar em Juazeiro, embarcou num vapor da Companhia Baiana e, em cada cidade à margem do Rio São Francisco, desembarcava e permanecia ali por 24 horas.
Como Xiquexique não dispunha de hotéis para hospedar a ilustre comitiva, o Padre Francisco Sampaio se ofereceu para preparar a recepção e arranjar as casas para hospedar o governador da Bahia e a sua caravana, no que foi plenamente aceiro pelo Intendente. Após a instalação da comitiva do Governador na cidade, o Padre Francisco Sampaio, atendendo pedido do Intendente Francisco José Correia, preparou um documento, contendo informações importantes sobre a situação de Xiquexique, no qual implorava ao Governador uma solução para o sofrimento de milhares de homens desempregados que perambulavam, maltrapilhos e famintos pelas ruas da cidade. O intendente municipal, aproveitando a oportunidade solicitou, ainda, uma escola, um médico e a construção de aguadas na caatinga do município.
O Governador constatando a difícil situação em que se encontrava a população e os flagelados, fez promessas de que mandaria os recursos para resolver e embarcou com destino a Barra. Mas, infelizmente o tempo passava, e nenhuma providência foi tomada pelo Governador para resolver os problemas sociais constatados pessoalmente em Xiquexique. A crise toma ares de calamidade, pois Xiquexique estava tomada por centenas de homens em busca de um cantinho para se alojar, de um dia de serviço em troca de um prato de comida, maltrapilhos, mal encarados, desesperados, prontos a fazer qualquer coisa para matar a fome.
O Intendente ficou bastante decepcionado com o descaso do Governador para com a situação por ele vista e passou a se preocupar com muita intensidade com os inúmeros cidadãos flagelados pelo desemprego e pelas necessidades cotidianas. Seguindo o exemplo do seu antecessor reuniu-se com proprietários e fazendeiros, buscando sugestões e cooperação para recolocar muitos daqueles cidadãos. Muitos foram trabalhar como vaqueiros e capatazes, mas, grande número de desempregado ainda permanecia perambulando pelas ruas e a Intendência não dispunha de recursos financeiros para lhes pagar as passagens nos vapores que desciam para Juazeiro ou subiam para Pirapora. Teve, pois, que conviver com esse problema, sempre com soluções paliativas, até o final do mandato.
Durante o mandato do Cel. Francisco José Correia, nasceram em Xiquexique:
31 de maio de 1904: Nélson Alves de Almeida, xiquexiquense por adoção nascido em Gentio do Ouro(BA), tendo dedicado sua via ao comércio e à política. Casou-se com Amália de Figueiredo Almeida, tendo nove filhos: Nancy, Neide, Odete, Naldete, Neitinha, Nílson, Newton, Nivaldo e Neuron. Por várias vezes Nélson Alves de Almeida disputou o cargo de prefeito municipal de Xiquexique.
14 de junho de 1906: João Pereira de Carvalho, JOÃO GRANDE, outro xiquexiquense por adoção nascido no município de Hidrolândia (BA). Casou-se com Virgínia Rocha Carvalho, fixaram residência em Xiquexique e tiveram cinco filhos: Nenízia, Gladys, Darcy, Maria Elda e João Alberto. Foi funcionário do Ministério da Aeronáutica, na função de administrador do campo de avião de Xiquexique.
24 de junho de 1904: Joaquina Nogueira Miranda (D. Quininha), filha de Joaquim de Souza Nogueira e de Ana Rosa de Moraes Nogueira. Casou-se com o Sr. Aurélio Gomes Miranda, no dia 06 de fevereiro de 1923, na cidade de Xiquexique e tiveram cinco filhos: Geny, Ezir, Neide, Yeda e Carlos Ney.


OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro "Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique Chique". Ed. 1999. Autor: Cassimiro Machado Neto.

Por do Sol em Xiquexique (BA)

POR DO SOL


Mais um Por do Sol sobre o nosso LAGO IPUEIRA.
Antes da existência do "Paredão" esse fenômeno era plenamente visto desde o lado sul da Praça D. Máximo, da calçada do jardim. O "Paredão" veio privar os xiquexiquenses desse deleite vespertino a não ser que se disponha a subir as escadarias do "Paredão" totalmente tomadas de excrementos humanos exalando odor fétido.
Vamos cuidar do embelezamento da nossa cidade, a exemplo das outras. Iniciemos campanha para a retirada do "Paredão". É a única cidade ribeirinha do Rio São Francisco com essa deformidade.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CENTENÁRIO DE DONA OLÍMPIA

A MATRIARCA D. OLÍMPIA

A colônia de Xiquexique em Salvador está em festa. No dia 18 deste mês, depois de amanhã, estará completando 100 ANOS - UM SÉCULO - a estimada Dona OLÍMPIA VOGADO DE ARAÚJO (Na foto, amparada pela filha Amenaide). Tendo nascido em Santa Rita de Cássia (BA), no dia 18 de dezembro de 1909, D. Olímpia adotou Xiquexique como sua segunda terra natal desde que ali chegou no ano de 1944, ainda jóvem, mas viúva e com 3 filhos para criar.
Para quem não sabe, D. Olímpia é mãe de Amenaide, Vilmar e Zenhor.
Residiu na Rua Castro Alves durante 23 anos e alí, exercendo a nobre profissão de costureira, "modista" como se falava, não só criou como educou muito bem os 3 filhos. No ano de 1967 decidiu transferir sua residência para Salvador onde reside até hoje, com o intuito de acompanhar os estudos da primeira neta.
Todos nós xiquexiquenses que tivemos a oportunidade de conhecer D. Olímpia e conviver com seus filhos, estamos felizes com a comemoração e augurando que a aniversariante ainda tenha alguns anos entre nós para alegria de todos que a cercam.

PARABÉNS DONA OLÍMPIA.




Nota: Coincidência ou não, a Igreja comemora no dia 17 de dezembro SANTA OLÍMPIA, mulher que pertenceu à nobreza bizantina e se casou ainda muito jovem com o Prefeito de Constantinopla. Enviuvando-se aos 20 anos de idade e não querendo contrair novo casamento consagrou-se inteiramente a Deus e utilizou sua imensa riqueza na fundação de um hospital e um orfanato servidos por religiosas das quais ela era superiora.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

NOTÍCIAS DE XIQUEXIQUE - PROGRAMAÇÃO DE DEZEMBRO

Durante o mês em curso a cidade será movimentada com uma programação mista de lazer e cultura que deve ser prestigiada e participada por todos os xiquexiquenses.
Dia 16 de dezembro - Confraternização das Sócias da AMUXX.
Dia 18 de dezembro - Feira Cultural "Mãos na Arte", que será realizada na Praça D. Máximo sob a coordenação de Ana Maria, Vilma, Nívia, Jailda e Zélia, alunas da Turma do 5º semestre dos alunos da Rede UNEB 2000, quando serão apresentados vários quiosques com comidas típicas e exposição de obras artesanais. A noite os artistas locais apresentarão diversos "shows", cantorias, teatros e exibição de lutas marciais (capoeira e karatê).
Vários filhos da terra já estão convocados para, nos quiosques, demonstrarem, ao vivo, a sua arte. Entre os convidados destacam-se: Carlos Roldão, Aricélia, João Pinheiro, Inês Ramos, Zélia Jacobina.
Dia 21 de dezembro - Confraternização dos Sócios do Rotary Clube. Os rotarianos se reunirão na Fazenda Carnaúba.
Dia 23 de Dezembro - As festividades serão brilhantemente encerradas com a Formatura dos alunos do Colégio Senhor do Bonfim, tendo como madrinha da Turma Milena Bessa.

domingo, 13 de dezembro de 2009

NOTÍCIAS DE XIQUEXIQUE - ANIVERSÁRIO

Está aniversariando hoje, dia 13.12.2009 (Santa Luzia), a querida MARILÚZIA MORAES SOARES, esposa do estimado Chiquinho de Bibi.
Rogamos a Deus que lhe conceda muitos anos de vida com saúde e paz, para alegria dos parentes e amigos.
Parabéns Marilúzia, pela felicidade de poder comemorar mais um aniversário.

NOTÍCIAS DE XIQUEXIQUE - FALECIMENTO

Faleceu no dia 12 de dezembro em Salvador (BA), a conterrânea MARIA DAS GRAÇAS PEIXOTO BASTOS. Os familiares de GRACINHA convidam a todos para o sepultamento que ocorrerá hoje em Xiquexique.
À família enlutada as nossas condolências.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NOTÍCIAS DE XIQUEXIQUE - SHOW DE PEDRO SAMPAIO


PEDRO SAMPAIO


O Cantor e Compositor xiquexiquense, PEDRO SAMPAIO, estará em Xiquexique no dia 02 de janeiro de 2010, às 22:00 h no Ruy's Bar (antigo Di Repente) apresentando o seu show "Pelos Caminhos da Vida", que é o título de uma das canções da autoria do conterrâneo.
Pedro Sampaio se apresentará com a participação de parceiro e grande tecladista Evilásio Pessoa, quando cantarão, além das musicas da dupla já nos 04 CDs ("Grito da Terra", "Vida Beija-Flor", "Verde Verdejante", "Assobio do Vapor", "Alvorada de Pássaros", "Amor de Raiz", "Rio São Francisco") muitas velhas e boas canções internacionais, muito forró e musicas regionais. Será uma noite muito divertida, diferente e cultural.
Vamos todos prestigiar o nosso cantor e compositor, levem seus amigo e, caso desejem alguma outra apresentação entrem em contato pelo telefone (71)3353-6620 e (71)9154-1241. Quem quiser melhores informações as encontrarão nos "sites":



NOTÍCIAS DE XIQUEXIQUE - Falecimento

Faleceu no dia 10 do mês corrente, em Xiquexique e já foi sepultada IZABEL CRISTINA, conhecida em toda a cidade como BELINHA, especialista na fabrico de petas, ginetes e biscoitos duros, muito procurados pela população local. BELINHA, descanse em paz.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

HOMENS E MULHERES QUE FIZERAM XIQUEXIQUE

A partir desta semana estaremos divulgando, aqui, os nomes e uma sumária biografia dos homens e mulheres xiquexiquenses que dedicaram suas vidas ao desenvolvimento de Xiquexique. Estamos iniciando com o Sr. Adão Moreira Bastos.


SR. ADÃO MOREIRA BASTOS


O Sr. Adão Moreira Bastos ou Adão Bastos, como os familiares e amigos o chamavam, nasceu em Gameleira do Açuruá (BA), no dia 04 de outubro de 1910, filho único do Sr. Antônio Moreira Bastos (Seu Tonhá) e de D. Amélia Moreira Bastos. Estudou o Curso Ginasial na cidade da Barra (BA) e o curso científico no Colégio Ipiranga em Salvador BA. Em 1937, estando residindo em Santo Inácio, ocorreu a transferência da sede municipal de Gameleira do Açuruá para essa cidade e, como Adão Bastos, já nessa época possuia uma certa influência política, foi nomeado Prefeito Municipal do novo município, agora com sede em Santo Inácio. Terminado o mandato de prefeito, Adão Bastos transferiu-se, definitivamente para Xiquexique onde ampliou as suas atividades de comerciante e pecuarista, além do exercício da função pública de Delegado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. No município de Xiquexique, o Sr. Adão Bastos exerceu a função de Prefeito Municipal, nomeado, em dois curtos períodos, o primeiro de 25 de janeiro a 10 de novembro de 1945 e o segundo de 10 de abril a 25 de agosto de 1946. Com a redemocratização do Brasil, após a ditadura de Getúlio Vargas, o Sr. Adão Bastos foi, pelo Partido Social Democrático - PSD, eleito duas vezes Deputado Estadual por Xiquexique, nos quadriênios de 1947 a 1951 e de 1951 a 1955. Durante os mandatos de Deputado Estadual participou da elaboração da 2ª Constituição do Estado da Bahia, além de ser titular de várias Comissões na Assembléia Legislativa: Polícia Civil e Militar - 1947; Indústria e Comércio - 1948; Agricultura - 1949/1950 e 1952; Viação e Obras Públicas - 1951, 1953/1954. Nas eleições de 1954, o Deputado Adão Batos desistiu de se candidatar pela terceira vez preferindo apoiar o seu genro Sr. Djalma Bessa, que, estreando na política, foi eleito.
O Sr. Adão Bastos casou-se com D. Olga Nogueira Bastos, no dia 03 de janeiro de 1930, na Igreja Matriz do Senhor do Bonfim e dessa união nasceram os filhos Gislene Bastos Viana, Gisélia Bastos Bessa, Rhéa Sílvia Bastos Pondé e Luiz Carlos Nogueira Bastos.
A Câmara Municipal de Chique-Chique prestou importante homenagem póstuma ao homem público Sr. Adão Bastos, dando-lhe seu nome a uma das ruas de Xiquexique e, por decisão do Prefeito Eser Rocha (1997-2001) o nome do Sr. Adão Bastos foi escolhido, também, para a Biblioteca Pública que fica sediada no prédio da Prefeitura.
O Sr. Adão Moreira Bastos faleceu no dia 24 de outubro de 1994, em Xiquexique e o seu corpo está sepultado no cemitério central dessa cidade.






HINO DE XIQUEXIQUE

Há poucas semanas publicamos o Brasão e a Bandeira de Xiquexique. Agora, estamos divulgando o Hino da Cidade, letra muito bonita mas de música totalmente desconhecida para mim. Acredito que a maioria dos xiquexiquenses não conhecem nem mesmo a letra. Assim, para sanar esse triste desconhecimento dos símbolos da terra, sugiro que os nossos poderes municipais, através de uma Lei Municipal determinem que o nosso hino seja cantado nas escolas públicas municipais, pelo menos uma vez por semana. As emissoras de rádio da cidade, poderão, também, como cortezia, fazerem a divulgação do hino para que o povo aprenda com mais facilidade, a música e a letra. Para isso, necessário se torna a impressão de vários CDs para serem, gratuitamente distribuidos entre a população. Essa providência poderá ser encampada pelo empresariado local através das várias instituições privadas existentes na cidade. Essa é apenas uma modesta sugestão de um xiquexiquense que deseja serem os nossos símbolos conhecidos e valorizados por todos.

HINO AO MUNICÍPIO
Prof. Antonio Ramos da Silva


De uma ilha a mirar o teu ouro
Que das serras douravam horizontes
Tua História, qual outro tesouro,
Resplandece entre vales e montes,
A bravura do índio aguerrido,
E do branco a audácia sem par,
Com a ternura do negro sofrido
São as bases do teu triunfar.



Pelos campos, garimpos e rios,
Nos distritos e nos povoados,
Os teus filhos cultivam teus brios
Por seus feitos, no amor, sublimados.
Glória a ti entre cactos e flores
Sempre amando e servindo ao Brasil!
Glória a ti que a Deus canta louvores!
Glória a ti Chique-Chique gentil!


Em poética expressão só de amor
A beijar o teu Rio São Francisco,
Por ti o sol, ao nascer ao se pôr,
Agradece-lhe o peixe, o marisco...
No Evangelho de Cristo inspirado,
Só bondade teu povo pratique
Prá que tenhas viver pontilhado
De mil glórias, feliz Chique-Chique!

Por do sol em Xiquexique




Por do Sol em Xiquexique

A beleza do nosso LAGO (ipueira), à tardinha, quando o sol cansado da caminhada diária resolve se esconder por trás da Ilha do Gado Bravo, em frente a Xiquexique.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Residências Clássicas - Sr. Petronílio Barnabé


Residência do Sr. Petronílio Barnabé da Silva


O Sr. Petronílio Barnabé da Silva nasceu em março de 1884 em Lagoa Grande, quando a sua família se fixou naquela região, na segunda metade do sec.XIX. Mais tarde, ainda jovem, mudou-se para Xiquexique, com todo o seu comércio, “correndo dos barulhos da sua terra” como costumava dizer em conversa com os amigos quando se referia às brigas entre os políticos, principalmente as refregas entre as familias Horácio de Mattos e Militão, principais coronéis. Chegou em Xiquexique, jovem comerciante, com a intenção de em futuro próximo mudar-se para Juazeiro ou mesmo Salvador onde poderia ampliar o seu comércio que já era relativamente sólido naquele tempo. Mas, acredito, que alem de ter gostado da cidade, a sua atividade entrou em franco progresso, com a casa comercial sediada na Praça Getulio Vargas, próximo do porto do vapores, local estratégico e privilegiado. O tempo foi passando e terminou ficando em Xiquexique onde criou todos os seus filhos e deu assistência permanente a demais parentes. O Sr Petronílio sempre se dedicou única e exclusivamente ao comércio, tendo chegado a comemorar as bodas de ouro nessa milenar atividade. Nunca se interessou em ingressar na vida pública. Quando se convenceu de que não mais sairia de Xiquexique, resolveu construir a sua residência na Rua Góis Calmon, concluída no ano de 1945 (foto) que até hoje encontra-se em perfeitas condições, não obstante já haver saído do domínio da família.
Casou-se com D. Maria Rodrigues Silva, conhecida em toda a cidade como D. Branca, descendente da família Torres Coelho originária da cidade de Brotas (BA). O casal teve muitos filhos mas apenas 3 chegaram à idade adulta: Adalgisa Rodrigues Silva, (D. Gisa), Demósthenes Barnabé da Silva e Iraci Rodrigues Silva que mais tarde ingressou num convento de freira e mudou o nome para Irmã Celestina.
O Sr. Petronílio, faleceu no ano de 1971, aos 87 anos e o seu túmulo está no cemitério da cidade.



Intendentes e Prefeitos - Cel. Praxedes Xavier da Rocha

Intendente Praxedes Xavier da Rocha
– 1900-1904 –
Mandato: 28 de maio de 1900 a 28 de maio de 1904.
Presidentes da República: Manuel Ferraz de Campos Sales - (15.11.1898-15.11.1902) e
Francisco de Paula Rodrigues Alves (15.11.1902-15.11.1906).
Governador da Bahia: Severino dos Santos Vieira (28.05.1900-28.05.1904).
As eleições municipais de 12 de novembro de 1899 resultaram na escolha do nome do Cel. Praxedes Xavier da Rocha como o quinto intendente de Xiquexique e dos nomes dos conselheiros para integrarem o Conselho Municipal, no período 1900-1904, tendo sido eleitos os seguintes cidadãos: Cel. Antonio da Silva Paiva, Mj. Jacó Pereira Bastos, Cel. Joaquim de Figueiredo Rocha, Cel. Cyro de Medeiros Borges e Cel. Francisco José Correia.
O Cel. Praxedes Xavier da Rocha, assume o cargo, em maio de 1900, num período de crise econômica para o Município, pois, o preço da borracha da maniçoba, um dos principais produtos agrícolas começa a dar sinais de queda no mercado internacional, motivada pela produção do látex da seringueira nas colônias inglesas. Com a queda na produção da borracha de maniçoba os extrativistas são desempregados e se deslocam para a sede do Município onde ficam perambulando pelas ruas e praças, causando diversos tipos de problemas e preocupações no meio da população. A fim de resolver o problema o Intendente tentou alocar esses desempregados nas fazendas de amigos e correligionários e outros tantos voltaram para suas terras de origem, de vapor, com passagens cedidas pela Intendência.
No ano seguinte à sua posse, 1901, a administração municipal foi surpreendida com uma grande seca que se abateu sobre o município de Xiquexique, matando de fome dezenas de moradores da região da caatinga.
Durante a gestão do Intendente Praxedes da Rocha, nasceram os seguintes xiquexiquenses:
18.04.1902 - Nasceu o Sr. Romualdo Galvão da Cruz, que ficou conhecido como “Romualdo Fogueteiro”, por ser exímio manipulador de pólvora para o fabrico de diversos tipos de fogos de artifício, tendo por isso sido considerado como o maior fabricante artesanal de foguetes de Xiquexique. Casou-se com Maria Borges Paes Landim e teve 10 filhos
19.05.1902 - Nasceu a Profa.Honesinda Teixeira da Rocha, na Fazenda Carnaúba, filha de Gustavo Teixeira da Rocha e de Maria Angélica da Rocha. Honesinda Teixeira da Rocha. Formou-se em professora pelo Instituto Central de Educação Isaias Alves, em Salvador BA, no ano de 1932, tendo se aposentado, após 31 anos de magistério, como professora nas Escolas Reunidas César Zama. A Prof. Honesinda faleceu, aos 97 anos de idade, no dia 18 de julho de 1999, na cidade de Chique-Chique. Seu corpo está sepultado no cemitério central da cidade.
27.03.1903 - Nasceu o Sr. João Batista Avelino, conhecido por todos por Janjão. Era filho do Cel. Agrário de Magalhães Avelino e de Francisca Olinda de Magalhães Avelino. Na juventude, foi um grande incentivador do futebol em Xiquexique, quando, em 1923 chegou a atuar na seleção de futebol local. Suas atividades eram o comércio a agricultura e a pecuária, tendo, contudo ocupado a função de Secretário Municipal, quando Adão Moreira Bastos foi Prefeito em 1946, única atividade pública. Casou-se com D. Belinda de Carvalho Avelino e tiveram cinco filhas. Faleceu no dia 22 de abril de 1989, em Xiquexique, estando sepultado no cemitério central da cidade.
27.05.1903 - Nasceu o Sr. Raimundo Baraúna Bahia, na Ilha do Jatobazinho, município de Xiquexique, filho Aureliano Raimundo Bahia e de Rosa Baraúna Bahia. O Sr. Raimundo Baraúna foi exímio ferreiro tendo se destacado como verdadeiro artesão na arte de trabalhar o ferro. A sua mãe exerceu a função de parteira durante muitos anos em Xiquexique, sendo hoje nome de rua nessa cidade.
26.08.1903 - Nasceu o Sr. Salomão de Magalhães Costa, filho do Cel. Gustavo de Magalhães Costa e de Josefina Costa. Foi coletor estadual, havendo trabalhado nas cidades de Correntina, Ribeira do Pombal, Paratinga e Bom Jesus da Lapa.

CRÔNICA: A IPUEIRA



A IPUEIRA

IPUEIRA, segundo o dicionário Aurélio, é um “Lagoeiro formado nos lugares baixos pelo transbordamento dos rios”.
Xiquexique tem a sua Ipueira, que para a maioria da população soa como uma coisa pejorativa em relação ao Rio São Francisco. Tenho, ao longo da minha vida, ouvido muitos conterrâneos dizerem que Xiquexique não fica na margem do Rio São Francisco e sim na margem da Ipueira, como se a Ipueira não fosse o Rio São Francisco. Desejam com isso desqualificar e diminuir o nosso LAGO que tão deliciosamente banha a nossa cidade.
Considero, sim, a Ipueira como nosso LAGO e fazendo parte integrante do Rio São Francisco. São poucas as cidades do mundo que dispõem de um lago tão formidável como o que temos. São mais de 10 km de comprimento por uma média de 400 m de largura, de águas potáveis, não poluídas, e se não são cristalinas deve-se à cor avermelhada provocada pelas quedas das barrancas sãofranciscanos. São plácidas águas apropriadas à prática de qualquer esporte aquático, tais como vela, remo, esqui, pesca, etc. Nos meses que começam o segundo semestre de cada ano os ventos fortes de agosto e setembro são mais do que suficientes para inflar as velas de qualquer barco que se disponha a singrar as suas águas calmas e profundas.
O nosso lago, é bom que nos acostumemos com essa denominação, é bastante piscoso e é uma delícia ancorar um pequeno barco no meio das suas águas e com uma pequena vara de pescar, que não é de bambu e não possui os sofisticados molinetes, desfrutar da intensa perseguição dos peixes às iscas que podem ser simples minhocas. Em pouco tempo o pescador disporá de uma “fieira” de belos mandis, caborges, piabas e até mesmo algumas pequenas piranhas que ávidas por carne fresca não hesitam, um segundo, em avançar sobre a pobre minhoca que se contorce no anzol.
Tudo indica que os nosso empresários ainda na despertaram para possibilidade de grandes ganhos financeiros iniciando algum empreendimento para explorar todos os recursos da Ipueira. Naturalmente que necessário se torna que o poder público dote a área de infra estrutura adequada a atrair o setor privado. Mas, este não pode ficar acomodado esperando que isso lhes caia do céu. É preciso gestões junto aos órgãos públicos, estaduais e municipais, bem como a agentes financiadores para que isso se concretize.
A Rua Beira Rio, onde até 1950 se concentrava o comércio de Xiquexique, junto com o nosso LAGO, formam uma estrutura adequada e extremamente rara de se encontrar em uma cidade. Normalmente quando uma rua está situada próxima a um rio, lago ou beira mar, imediatamente se transforme na principal via pública da comunidade. É para lá que se dirigem as boas residências e os bons pontos comerciais. Xiquexique, nesse caso, tornou-se uma exceção, pois, a nossa Rua Beira Rio, principalmente o trecho de aproximadamente 100 metros a partir da Praça Getúlio Vargas, virou uma rua fantasma, mormente à noite quando ninguém tem coragem de se aproximar daquele logradouro. Pelo abandono, muito em breve os antigos pontos comerciais que se encontram fechados ou subalugados, entrarão num irreversível processo de desmoronamento.
Por tudo isso é urgente a intervenção do Poder Público, municipal e estadual, e também do empresariado local, no sentido de reerguer aquela parte da cidade tão bonita e tão abandonada.
De imediato é necessário que, enquanto não se derruba o “paredão”, o mesmo seja saneado e dotado de altos postes, boa iluminação e bancos para as pessoas apreciarem o por do Sol e o nascer da lua. A Rua Beira Rio seria totalmente iluminada para que se acabem ou inibam as possíveis ilicitudes que por ali acontecem.
Dotada a Rua Beira Rio dessas condições mínimas para que a população se sinta estimulada a por ali passear, os donos das casas e pontos comerciais, seriam desonerados do pagamento do Imposto Predial, ou contemplados com outro benefício municipal, desde que restaurassem os seus imóveis e pintassem as suas fachadas com cores vivas, bonitas e chamativas criando-se assim, as condições de transferência, para ali, dos bares e lanchonetes que ora atuam na Av. J.J. Seabra.
Completada essa estrutura mínima, saneamento, boa iluminação, conforto e segurança para os transeuntes, estaria aberta a porta para que o empresariado local, iniciassem a implantação de alguns equipamentos destinados à atender o público que por certo acorrerá e consumirá o que lhe for oferecido, transformando-se assim num grande gerador de empregos e receitas para o empreendedor e o município. Será o início de uma grande atividade turística que, juntamente com o Parque Aquático, atrairá, também, os habitantes das cidades próximas.
Entre os empreendimentos que podem ser construídos ao longo da Ipueira e que além da satisfação que provocará aos xiquexiquenses apresentará com certeza uma grande taxa de retorno para o empreendedor, podemos destacar:
I) Restaurante com destaque especial para os pratos feitos com peixes do São Francisco. Área grande e nobre não falta para isso, principalmente na inicio da antiga Rua do Perau, aproveitando-se, inclusive a construção do “paredão” como estrutura do restaurante. Teria ampla área de estacionamento e posição privilegiada para o por do sol e a chegada da lua.
II) Hotel com todo o conforto que a cidade já comporta, principalmente com os apartamentos dotados de ar condicionado que não é luxo face ao nosso clima, principalmente no fim do ano e um bom restaurante aberto ao publico. Ante a facilidade de terreno naquela área da cidade, o hotel poderá dispor de um amplo estacionamento para os hóspedes. A proximidade com o Parque Aquático e a Ipueira com certeza o transformará no principal lugar de hospedagem para todos aqueles que procuram Xiquexique a serviço ou em lazer.
III) Clube – a exceção do Clube Operário, Xiquexique hoje com uma população na sede abeirando-se dos 50.000 habitantes, não dispõe de um local onde o cidadão possa passar um final de semana com sua mulher e filhos desfrutando de um lazer a que tem direito após uma semana de muita luta. Um clube social, na beira da Ipueira, construído com os recursos obtidos com a venda de cotas à população interessada em se associar, irá suprir essa carência. Seria uma iniciativa dos órgãos associativos e de classe (CDL, LIONS, ROTARY, MAÇONARIA, ETC) através de uma ampla campanha na cidade com exposição da planta ou maquete do futuro clube social. Terrenos amplos e baratos é o que não faltam na nossa cidade, podendo ser escolhida a região próxima à Ponta da Ilha, local bonito onde as Ilhas do Gado Bravo e Miradouro se encontram e tem início a Ipueira. Entre as atrações do clube seria construído um ancoradouro onde existiriam pequenos barcos, a remo ou a motor, para utilização dos sócios em passeios pelo rio e pelas diversas ilhas do arquipélago que cerca Xiquexique. E, diga-se não haverá necessidade de um professor de artes náuticas, porque os pescadores locais estão habilitados a ensinar o manejo do remo e da vela pois é isso que fazem diariamente quando se deslocam da cidade para as diversas ilhas onde residem.
Afinal de contas os nossos empresários, os nossos profissionais liberais, as nossas autoridades executivas, legislativas e judiciárias e toda a população de um modo geral, têm direito a um lazer no final de cada semana e o nosso LAGO dispõe de todo o potencial para oferecer esse entretenimento que todos buscam, sem contar na possibilidade que se cria para o surgimento de pequenos e médios sítios na Ilha do Gado Bravo em frente e a pequena distância da cidade e que poderiam ser facilmente alcançados por barcos.
Essas divagações são realidades que antevejo para um breve futuro de utilização do nosso LAGO. Xiquexique, parodiando o grande Heródoto, historiador grego do sec. V a.C, “é uma dádiva da Ipueira”. Foi atraído por esse Lago piscoso que os moradores da Ilha do Miradouro, em 1700, liderados pelo português Theobaldo José Pires de Carvalho, dono da Fazenda Praia, iniciaram o arraial de Xiquexique.
Não deixemos, pois, abandonados, esse tão belo LAGO que nos foi por Deus gratuitamente ofertado bem como a estratégica Rua Beira Rio que poderá se transformar num novo pólo de comércio da cidade.
SÓ DEPENDE DOS XIQUEXIQUENSES.