quinta-feira, 29 de abril de 2010

OSCHICOS: Sobre Xique-Xique (BA)

OSCHICOS
Na caminhada rumo à nascente do Velho Chico, o Jornalista GUSTAVO NOLASCO e o Fotógrafo LEO DRUMOND deixaram a ribeirinha Xique Xique (BA) em direção à cidade da Barra, a procura de novos personagens e subsídios para o livro OSCHICOS.
Pelo que deixaram transcrito no Blog OSCHICOS foram muito bem tratados na cidade, admiraram a bonita história da comunidade sendo que, como único senão, citam o hororoso PAREDÃO que tanto enfeia a nossa paisagem. Chegam a dizer que "Um enorme paredão de quase 4 metros de altura foi construído ao longo de toda a margem. A sensação que se tem é de que o rio São Francisco foi todo murado, faltando apenas cercas elétricas ou de arame farpado"... "resolvemos passar por cima da muralha do cais e ver de perto o porto de Xique-xique."
Mais, vamos ler, na íntegra, o comentário que os dois repórteres registraram no Blog, sobre a nossa querida Xique-Xique:

"O cactus mais importante do São Francisco
Quando encontramos uma cidade chamada Xique-Xique e que recebe o nome só porque está localizada em uma região de grande concentração deste cactus, imaginamos logo não ser um município antigo e de valor histórico. A atual aparência do cais do porto e a falta de hospedagem, nos fez imaginar o pior.
Os hotéis estavam cheios, servindo às empreiteiras que estão construindo grandes obras de irrigação na região. E a primeira impressão da área do atual cais de Xique-Xique não foi das melhores: do antigo e histórico Mercado das Frutas não se consegue ver o rio São Francisco. Um enorme paredão de quase 4 metros de altura foi construído ao longo de toda a margem.
A sensação que se tem é de que o rio São Francisco foi todo murado, faltando apenas cercas elétricas ou de arame farpado.
Aos poucos, o desejo de deixar rapidamente a cidade foi desaparecendo. Com ajuda de parceiros, começamos por encontrar um bom e simples pouso. Em seguida, resolvemos passar por cima da muralha do cais e ver de perto o porto de Xique-Xique. A movimentação de barcos era intensa. E não eram barcos pequenos. Eram barcas grandes. Num vai e vem frenético.
A água já barrenta do São Francisco dava um belo contraste com o colorido das barcas e dos potes de barro, peixes, legumes, verduras e frutas espalhadas ao longo do porto.
A gota d’água para a nossa mudança de impressão foi o encontro com Chico de Né. Em poucos minutos de conversa, ele se tornou nosso personagem! Sua história de vida, sua simplicidade e, principalmente, sua risada nos conquistou. Era impossível ficar triste depois de ouvir Chico de Né soltar sua risada!!! Perto dele, Caetano não iria querer ver a de Irene.
Também tivemos a oportunidade de conhecer o povoado de Marreca Velha, às margens do Velho Chico. Uma vila basicamente formada por pescadores e que fica de fronte a imensas dunas de areia. Cenário raríssimo nos 2.700 quilômetros do São Francisco.
Se a desconfiança com Xique-Xique já tinha ido embora, a admiração ainda não tinha chegado totalmente, mas bastou um pouco de pesquisa sobre a história da cidade para nos rendermos.
Xique-xique foi um importantíssimo centro quando da exploração de metais e pedras preciosas na Chapada Diamantina. Numa época em que as margens nordestinas do São Francisco se dividiam entre os impérios da Casa da Ponte e da Casa da Torre, no final do Século XVII e início do Século XVIII.
Neste período, o São Francisco recebia o codinome de Rio dos Currais, pelo grande número de fazendas de gado às suas margens. E eram essas fazendas que supriam de alimentos os devoradores de ouro e diamantes da Chapada. E exatamente próximo a Xique-xique passava a Estrada de Dona Joana, via de acesso dos mineradores aos alimentos do Velho Chico.
Sabedores da história, fomos até a Ilha do Miradouro, onde Xique-Xique começou. Aos muitos trancos e inúmeros barrancos, a primeira capela da Ilha ainda está em pé. Infelizmente, seu estado de conservação está longe da qualidade da história do município.
Mas essa foi a Xique-xique para nós: aos trancos e barrancos. Mas nos conquistou!
A nossa admiração a Xique-Xique e sua história também deve ser creditava a alguns grandes amigos: Adriano Brito (Blog
http://www.xiquesampa.blogspot.com/), nosso braço paulista do São Francisco; a Poliana Pinheiro, pela sua sensibilidade; Juarez Chaves (http://www.xiquexiquense.blogspot.com/ ), baluarte da história de sua cidade; Jorge Meira, nosso parceirão; e João da Água, o maior contador de piadas de Xique-xique. "

A história de Lampião e seus Cangaceiros

Lampião
Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, nasceu em 7 de julho de 1897 numa pequena fazenda dos seus pais no município de Serra Talhada (PE), sendo o terceiro filho de uma família de oito irmãos. Desde criança demonstrando ser excelente vaqueiro, cuidava do gado, trabalhava com artesanato de couro e conduzia tropas de burros carregada de mercadorias para vender nas feiras da região.
Em 1915, ao acusar um empregado do seu vizinho de fazenda, de estar furtando caprinos, iniciou um briga entre as duas famílias que lhe trouxe grandes problemas para o resto da vida. A rivalidade entre as famílias tornou-se grave e a familia de Lampião passou a ser perseguida inclusive pela polícia de Serra Talhada, sendo forçada a abandonar o imóel rural de onde extraiam o sustento. Nessa fuga Lampião perdeu o pai e a mãe assassinados pelos policiais. O jovem Virgulino, então, jurou vingança e, junto com dois irmãos, primos e amigos formou o seu bando que variou de um mínimo de 30 e um máximo de 100 cangaceiros. A partir da formação do banco, passou, durante 20 anos, de 1918 a 1938, a atacar fazendas e pequenas cidades em cinco Estados do Nordeste do Brasil, sempre montados a cavalo.
Como todas as lendas que tendem a se torna maiores que os fatos, Lampião e sua saga pelo Nordeste brasileiro contém todos os elementos de aventura, romance, violência, amor e ódio das grandes histórias da humanidade. Jogado na clandestinidade após o assassinato de seu pai, Lampião foi o maior cangaceiro de todos os tempos, tendo sua vida, enquanto chefe dos cangaceiros, sido recheada de mistérios e mitos. Cada um contava uma estória dando-lhe a versão que queria, de acordo com a sua posição favorável ou desfavorável ao "Rei do Cangaço". Os que lhe eram simpáticos diziam que ele roubava dos mais ricos para distribuir com os mais pobres. Outros, representados pelos policiais e pelos que o queriam ver morto, criavam e ampliavam as suas crueldades afirmando que para matar os inimigos, Lampião enfiava longos punhais entre a clavícula e o pescoço, que seu banco sequestrava crianças, que marcava a face dos inimigos com ferro em brasa e por aí iam desfilando as estórias.
Grande estrategista militar, Lampião sempre saía vencedor nas lutas com a polícia, pois atacava sempre de surpresa e fugia para esconderijos no meio da caatinga, onde, com o bando, acampavam por vários dias até o próximo ataque. Não obstante isso, Lampião viu três dos seus irmãos morrerem em combate e foi ferido a bala por seis vezes, tendo perdido o olho direito.
Apesar de formalmente perseguido pelos Estados Nordestinos, por onde passava, Lampião e seu bando foram convocados pelo Governo Federal, em 1926, para ajudar no combate à Coluna Prestes, tendo recebido fardas e fuzis automáticos além da patente de Capitão.
No início da década de 30, mais de 4 000 soldados estavam em seu encalço, em vários Estados. Seu grupo com aproximadamente 50 elementos entre homens e mulheres, tornou-se amigo de coronéis e grandes fazendeiros que lhe forneciam abrigo e apoio material.
Ainda hoje, passado mais de 70 anos de sua morte, Lampião é odiado e idolatrado com igual intensidade e, sua imagem continua, impressionantemente, viva no imaginário popular influenciando a música, a pintura, a literatura e o cinema nacionais.
Em 1929, conheceu Maria Déa, a Maria Bonita, a linda mulher de um sapateiro chamado José Neném. Ela tinha 19 anos e se disse apaixonada pelo cangaceiro há muito tempo. Pediu para acompanhá-lo. Lampião concordou. Ela enrolou seu colchão e acenou um adeus para o incrédulo marido.
Em 1930 ampliando a perseguição a Lampião e seus companheiros, o governo baiano ofereceu 50 contos de réis pela sua captura, dinheiro suficiente para comprar seis carros de luxo.
Lampião morreu no dia 28 de julho de 1938, na Fazenda Angico, em Sergipe. Os trinta homens e cinco mulheres estavam começando a se levantar, quando foram vítimas de uma emboscada formada por uma tropa de 48 policiais de Alagoas, comandados pelo tenente João Bezerra. O combate foi rápido e durou somente 10 minutos, pois os policiais tiveram a vantagem da surpresa e de quatro metralhadoras Hotkiss. Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros foram mortos e tiveram suas cabeças cortadas, sendo que Maria Bonita foi degolada viva. Os demais conseguiram escapar.
O cangaço terminou definitivamente em 1940, com a morte de Corisco, o "Diabo Loiro", um dos que conseguiram fugir da emboscada em Sergipe e era o último sobrevivente do grupo comandando por Lampião.
Na foto o Grupo de Lampião retratado no dia 13.10.1927, na cidade de Limoeiro do Norte (CE)



terça-feira, 27 de abril de 2010

Propagandas Antigas: Caneta Parker

CANETA PARKER "51"



Foi um sucesso total o aparecimento da Caneta Paker "51", considerada a rainha das "canetas tinteiro".
As "canetas tinteiro" foram assim chamadas por possuirem o seu próprio reservatório de tinta.
Os mais jovens não conheceram a "caneta tinteiro" porque já nasceram na época da "caneta esferográfica". Mas, as "canetas tinteiro" foram uma revolução nos anos 1950 pois vieram para aposentar em definitivo a famosa "pena" (foto a direita) que era o instrumento da escrita e que exigia um constante mergulho no tinteiro para cada linha colocada no papel.
Todos os xiquexiquenses que estudaram no Cezar Zama, nos anos 1950, usaram a "pena" para escrever os ditados ou fazer as provas mensais. Por isso, um dos materiais escolares que não podia faltar na relação era o tinteiro que, com freqüência vazava e provocava um desastre ao manchar os livros e os cadernos de tinta azul.
A caneta Parker "51" era um instrumento somente adquirido pelas pessoas de alta renda e que a tinham como principal ferramenta de trabalho, mormente os juizes, advogados e médicos.


Crônica: Viagem de caminhão

VIAGENS PARA SALVADOR, POR TERRA, DE CAMINHÃO.

Na segunda metade dos anos 1950 uma das alternativas de transporte para os jovens xiquexiquenses que estudavam em Salvador era a viagem por terra, feita sobre a carroceria de um caminhão, ante a inexistência de uma linha de ônibus saindo de Xique Xique (BA). Não se podia confiar no transporte fluvial feito nos vapores até Juazeiro (BA), viagem mais confortável e mais divertida, ante a irregularidade da chegada dessas embarcações ao porto de Xique Xique. Essa situação ainda era agravada pelo fato de ficarmos sujeitos a mais um trajeto de trem a partir de Juazeiro (BA). E, finalmente, o avião, que nessa época fazia escala duas vezes por semana em Xique Xique, era uma alternativa que somente os poucos ricos poderiam se dar ao luxo. A viagem por terra, no entanto, era muito comprida e sofrida, pois a gente passava mais de 3 dias viajando para percorrer os 600 km que separam Xique Xique de Salvador, em total desconforto, em cima da carroceria e sentados sobre sacarias numa estrada sem pavimentação um pouco melhor que carroçável, cujo percurso passava pela cidade de Jacobina (BA), via Serra do Tombador, situada na Chapada Diamantina.
O comum era fazermos a viagem no caminhão de Custódio que, na época apropriada preparava uma meia carga de sacos de mamona e de milho, para que a rapaziada pudesse viajar com menos desconforto e um pouquinho de segurança. Feita a meia carga que não ultrapassava a altura da grade da carroceria, uma dezena de estudantes ali se acomodava e se preparava para uma viagem de pelo menos 3 dias sob sol, chuva e espinhos de jurema nos locais em que a estrada ficava mais estreita.
Pois bem, chegado o tempo do retorno para Salvador saíamos de Xiquexique, às 5 horas, sentados sobre a carroceria de um caminhão à meia carga, na maioria das vezes dirigido por Chiquinho de Bibi, desenvolvendo uma pequena velocidade, imposta pela péssima estrada de rodagem e pela preciosa carga que estava sobre a carroceria. A preocupação inicial era com a travessia do Rio Verde, feita sobre uma precária ponte de madeira e que se desse alguma chuva e o rio pegasse água, a travessia do caminhão ficava bastante perigosa. De qualquer forma, chegando ao povoado do Rio Verde, saltávamos da carroceria para que o caminhão fizesse a transposição da pequena ponte apenas com o motorista. A gente, na maior algazarra, atravessávamos a pé.
Depois do Rio Verde a próxima parada era na cidade de Central, a uma distância de 90 km de Xique Xique, que, no tempo dessas nossas viagens ainda era um Distrito de Xique Xique. Entre Rio Verde e Central havia um pequeno trecho de não mais de 10 km, que era o pavor dos caminhoneiros. Nesse pequeno pedaço de estrada predominava uma argila muito forte que, caso estivesse chovendo era um atoleiro após o outro. Em muitos casos para se retirar o caminhão eram usadas juntas de bois de carro e até mesmo tratores, tal a violência do lamaçal. No verão, sem os atoleiros, esse trecho também preocupava os motoristas, pois o barro de louça ao secar, deixava sulcos profundos e endurecidos que somente permitia o tráfego em baixíssima velocidade. Nesse pedaço da estrada fosse verão ou inverno, era grande a dificuldade e o tempo para atravessá-lo. Com mais um pouquinho de paciência estaríamos chegando a Central na hora do almoço após gastar mais de 6 horas percorrendo 90 km, isso em condições de viagem normal.
Ali numa pequena pensão com modestíssimas acomodações, ainda iríamos esperar que fosse feito o almoço, geralmente composto de galinha caipira, cria da própria dona do restaurante, arroz e feijão.
Depois do almoço seguíamos viagem em direção à Morro do Chapéu onde esperávamos passar a noite. Nesse trajeto passávamos pela cidade de Irecê e alguns dos seus distritos e, já no sopé da Chapada diamantina, deparávamos com outro afluente do Rio São Francisco chamado de Vereda do Jacaré, também servido por precária ponte tão ruim quanto a do Rio Verde. Transposta a ponte começávamos a subir a Chapada Diamantina em direção à cidade de Morro do Chapéu que fica a uma altitude de 1.000 metros sobre a Chapada. Nessa cidade, que representava 1/3 da viagem, deveríamos jantar e passar a noite. Era quase um choque térmico a fria temperatura de Morro com a de Xique Xique. O difícil era acordar no dia seguinte às 5 da matina para enfrentar o resto da viagem, em cima da carroceria do caminhão e sem agasalhos. Logo, logo começava-se a descer a Chapada Diamantina em direção à cidade de Jacobina, já nesse tempo uma das maiores da região. Antes de Jacobina ainda iríamos enfrentar a Serra do Tombador, descida precária e muito perigosa com grandes despenhadeiros a espreitar o motorista. Após a descida do Tombador, o que era feito com muita cautela, principalmente se estivesse chovendo, chegaríamos a Jacobina onde uma melhor refeição, em restaurante decente, estaria nos esperando.
A partir de Jacobina as condições da viagem melhoravam consideravelmente principalmente a estrada que, mesmo sem pavimentação asfáltica se apresentava com boa terraplanagem permitindo um maior deslocamento do caminhão. Após o almoço seguíamos em direção a cidade de Riachão do Jacuípe, onde jantaríamos e passaríamos a noite, no segundo dia de viagem.
Dia seguinte no mesmo horário às 5 da matina, saíamos para Feira de Santana(BA) grande cidade já naquela época, onde a partir daí a estrada já era asfaltada e se podia chegar a Salvador à tardinha do terceiro dia de viagem. Essa era a viagem que a gente fazia para Salvador quando no final das férias retornávamos para os colégios. Nessa época nem se falava em estrada boa quanto mais em asfalto o que somente veio ocorrer nos anos 70.









sexta-feira, 23 de abril de 2010

Crônica: O Cine Bonfim

O CINE BOMFIM
Como vimos em estória anterior, a VOZ DA LIBERDADE criada pelo coletor federal Sr. Castilho foi extinta após a descoberta de que o empreendimento havia sido realizado com dinheiro público desviado da Coletoria Federal (ver matéria de. 20.02.10). O outro cinema, "Cine Neide" que funcionava na VOZ DO BARRANCO que vinha sendo mantido por alguns empresários de Xique Xique, inimigos do Sr. Castilho, apenas por uma questão de honra, extinta a causa da sua existência, também fechou suas portas. Xique Xique que contava com 2 cinemas, ficou sem nenhum.
Encerrado o processo administrativo e judicial contra o Sr. Castilho, o acervo patrimonial de A VOZ DA LIBERDADE, composto pelos equipamentos da sala de projeção e a sorveteria, foi levado à praça sendo arrematado pelo comerciante Custódio Moraes com o objetivo de manter a sala de projeção agora rebatizada de CINE BONFIM e com entrada pela Rua do Perau. Recomeçava assim, mais uma vez, a movimentação cinematográfica em Xique Xique. Prático como sempre Custódio utilizou mão de obra local para o funcionamento do novo empreendimento, mantendo como locutor, comandando o sistema de alto falantes e o carro de propaganda do cinema, o famoso Mario Leandro (ver 11.11.09), na época conhecido como Mario Veio. Na cabine, operando as máquinas de projeção, também manteve o Sr. Zenhô Vogado de Araújo, que já vinha trabalhando nessa parte desde os tempos da VOZ DA LIBERDADE.
Entusiasmado com a aquisição do cinema, cuja estrutura era bem superior à da antiga VOZ DO BARRANCO que, precariamente funcionou na cidade, Custódio Moraes, o novo dono, se dispôs a introduzir algumas inovações e novidades na arte de projetar filmes. Lembro-me que uma das primeiras melhorias chegadas a Xique Xique foi a introdução da lente e da tela retangular que permitiram a projeção de filmes na modalidade “cinemascope”, que estava muito em moda nos cinemas das grandes cidades. Após a adoção do “cinemascope”, Custódio decidiu substituir o projetor que arrematara junto com o cinema, o qual mesmo apresentando a vantagem de uma projeção ininterrupta não fornecia uma imagem de boa qualidade por questão de luminosidade. No intuito de melhor servir aos cinéfilos partiu para aquisição de um projetor a arco voltaico passando assim a projetar files de 35 mm, fitas que continham as grandes filmagens.
Os assentos do CINE BONFIM ainda continuavam os mesmos da VOZ DA LIBERDADE, bancos de tábua corrida, afixados num piso inclinado o que permitia um maior conforto aos usuários. Mas, dando continuidade à introdução de melhorias no cinema, os longos banco de madeira foram substituídos por cadeiras individuais e anatômicas, bem como foram colocados ventiladores que atenuavam o calor do ambiente.
Apesar de todas as inovações introduzidas o CINE BONFIM continuava operando no mesmo local da antiga VOZ DA LIBERDADE, a Rua Mal. Deodoro, e o desejo de Custódio, o novo proprietário, era construir uma melhor e maior sede para o seu cinema que vinha de vento em popa. Após amealhar algumas economias, foi levantado um prédio na Avenida J. Seabra bem maior e mais confortável que as velhas instalações da VOZ DA LIBERDADE.
Mas, por esse tempo, no começo dos anos 1980, a novidade da televisão que jogava sua programação de novelas e filmes por todo o interior do Estado, decretou a morte e o fechamento de centenas de cinemas espalhados por todas as cidades do interior. Xique Xique não foi exceção e lentamente a procura de ingressos para assistir filmes foi se reduzindo drasticamente e em pouco tempo o CINE BONFIM, também, teve as suas portas fechadas por inviabilidade econômica e, a cidade continua sem sala de cinema até os dias de hoje, no que pese o ressurgimento, nas grandes cidades, do salutar hábito de ver filmes.

Propaganda Antiga: ÁGUA VELVA

ÁGUA VELVA

Até os dias de hoje é usual e confortável o costume de se passar, após o barbear, alguma loção para refrescar o estrago que a lâmina faz na pelo do barbeado.

Nos anos 1950/1960, a loção de barbear mais usada era a ÁGUA VELVA para refrescar o rosto com barba recém feita, pois, como bem divulgava o reclame, era a "A loção para após a barba mais famosa do mundo".

Vejam a cara de satisfação das mulheres!!!


quinta-feira, 22 de abril de 2010

POEMA A BRASÍLIA


HOMENAGEM A BRASÍLIA

O nosso conterâneo, pesquisador, historiador e Professor Cassimiro Machado Neto, foi residir em Brasília, em 1960, ainda com 16 anos e logo que chegou se apaixonou para cidade. O amor pela capital mor ficou entranhado em seu corpo, tanto que, em 1976, já com 32 anos de idade, compôs a bela poesia para a cidade que ainda recém criada o acolheu na adolescência. Vejamos a poesia homenagem:






CIDADE AZUL COM HORIZONTE DE ANIL
Cassimiro Neto.

Brasília cidade menina, filha eterna do Planalto;
Hoje o mundo a te se inclina e te promove bem alto!
Brasília cidade criança, de alma esplendorosa;
Tu és perene festança, cada dia és mais formosa!
Brasília cidade céu, cantada em prosa e verso;
De teu herói mausoléu, lição prá todo o Universo!
Brasília cidade ternura, no coração do país;
Tens espaço com fartura, para crescer meu Brasil!
Brasília cidade adulta, com um milhão de pessoas;
Hoje teu pai sepultas, enquanto teus sinos soas!
Brasília veraz paraíso, para quem gosta de ti;
Só quem perdeu o juízo, pensa em mudar daqui!
Brasília cidade órfã, JK teu pai morreu;
Ele que te abriu a porta ao progresso que hoje é teu!
Brasília cidade bela, rainha de um povo herói;
Sofres hoje a procela desta hora que te dói!
Brasília cidade azul com horizonte de anil;
Beleza de norte a sul, no teu outono de abril!
Brasília cidade-amor, de povo alegre e feliz;
Tua pureza é fervor, tua beleza é quem diz!
Brasília cidade eterna, filha três de JK;
Tua glória é superna, no Globo não há rival
Brasília hospitaleira, és a mais bela cidade;
Em tudo tu és primeira, és do Brasil vaidade!
Brasília cidade heróica, deste país varonil;
Marcas uma era estóica no progresso do Brasil!
Brasília cidade turística de modelar escultura
Arrojada obra artística, de rara arquitetura!
Brasília cidade rainha em um pais de esplendor
Tu és a cidade minha, tu és capital do amor!
Brasília, um dia te acordo, com olhos lindos de amor,
Com o Brasil transformado em peça de eterno valor!

Odisseia dos Cangaceiros - Assalto a Mossoró (RN)

Lampião e a cidade de Mossoró
Mossoró é hoje a segunda maior cidade do Estado do Rio Grande do Norte, com uma população aproximada de 140 mil habitantes. É uma comunidade bonita, muito limpa e bem administrada. Atualmente sedia o Hotel Termas, um dos melhores hotéis do Nordeste.
Pois bem, foi nessa cidade que há 83 anos atrás Lampião conheceu a sua primeira derrota que lhe foi imposta pelos moradores da cidade no dia 13.06.1927.
No dia 9 de junho de 1927, Lampião entrou no Estado do Rio Grande do Norte, disposto a reforçar o seu caixa pilhando a próspera cidade de Mossoró. No dia 12 do mesmo mês, já arranchado no povoado de São Sebastião, hoje a cidade de Dix-Sept Rosado, próxima a Mossoró, enviou um bilhete (foto), ao então Prefeito Sr. Rodolfo Fernandes, informando que no dia seguinte estaria invadindo a cidade e tudo seria destruído caso não lhe fosse enviada a quantia de 400 contos de reis. Essa notícia causou um grande desespero em toda a população, conhecedora que era das atrocidades do Cap. Virgulino quando não lhe satisfaziam as vontades. No que pese a grande preocupação, o Prefeito acalmou o povo e liderou a reação montando trincheiras para recepcionar os invasores e, numa prova de coragem do povo potiguar, pelo mesmo portador, respondeu o bilhete de Lampião informando que para ele e todo o seu bando tinham balas de fuzil. Apos despachar o portador com a resposta do bilhete o Prefeito junto com outros cidadãos, tratou de montar a estratégia de defesa e entre outras determinações orientou que as mulheres e criança ficassem em casa e não saíssem à rua, dando assim um aspecto de esvaziamento da cidade.
Revoltado e com raiva pela petulância do Prefeito de Mossoró, Lampião entrou na cidade com aproximadamente 53 cangaceiros e por volta das 16:00 h deu início a um violente ataque à população. O bando de cangaceiros foi dividido em três grupos cada um encarregado de invadir e tomar a casa do Prefeito, a estação ferroviária e o cemitério da cidade. Não esperava encontrar feroz resistência por parte de 150 cidadãos armados na defesa da cidade e de suas famílias, (foto) e, após uma hora de intenso tiroteio de ambas as partes, Lampião recua ao perder dois importantes cangaceiros que ficam caídos em plena rua: o cangaceiro Colchete com o crânio esfacelado por uma bala e o feroz Jararaca gravemente ferido no peito, que é capturado e praticamente enterrado vivo pela população.
A atual Igreja de São Vicente, na época apenas uma capela, foi a principal trincheira de resistência e até hoje mostra em sua torre marcas das balas. Foi uma noite de terror, de grande tiroteio, mais parecendo uma noite de São João.
Pela reação recebida Lampião sentindo que dominar a cidade seria praticamente impossível, ordenou a retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua reputação. Era o começo do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do feito de braveza ao contar que seus antepassados “botaram Lampião para correr”. Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da gruta de Angicos, em Sergipe.
OBS: Abaixo a tradução do bilhete enviado por Lampião ao Prefeito de Mossoró.
" Cel Rodolfo
Estando Eu até aqui pretendo drº. Já foi um aviso, ahi pº o Sinhoris, si por acauso rezolver, mi, a mandar será a importança que aqui nos pede, Eu envito di Entrada ahi porem não vindo essa importança eu entrarei, ate ahi penço que adeus querer, eu entro; e vai aver muito estrago por isto si vir o drº. Eu não entro, ahi mas nos resposte logo.
Capm Lampião."





5º Prefeito Nomeado - Túlio Mendes da Silva

Prefeito Túlio Mendes da Silva
– 1943-1945


Mandato: 10 de junho de 1943-25 de janeiro de 1945.
Presidente da República: Getúlio Dornelles Vargas - (10.11.1937-29.10.1945)
Interventor Federal da Bahia: Renato Onofre Pinto Aleixo (24.11.1942-28.10.1945).

O Sr. Túlio Mendes da Silva, no dia 26 de maio de 1943, foi nomeado pelo interventor federal da Bahia Dr. Renato Onofre Pinto Aleixo, em substituição ao tenente Antonio Justiniano de Souza, tendo tomado posse no dia 10 de junho de 1943 e permanecido no cargo até o dia 25 de janeiro de 1945, tendo como seu importante secretário o Sr. João Batista Avelino.
A exemplo dos Prefeitos anteriores o Sr. Túlio Mendes deparou-se com uma grande escassez de recursos nos cofres da Prefeitura impossibilitando-o de cumprir um mínimo programa de realização de obras.
Durante os 20 meses que passou como Prefeito, o Sr. Túlio não realizou nenhuma obra na sede do Município ou nos distritos face à total ausência de condições financeiras, conseguindo, apenas manter as subvenções às escolas leigas e manter a parceria com os médicos doutores Clodoaldo de Magalhães Avelino e Britoaldo de Magalhães Miranda.
Eventos acontecido durante o governo do Sr. Túlio Mendes da Silva.
16 de julho de 1943: Nasceu Felisberto José de Santana, filho de Vicente José de Santana e de Dionísia dos Santos.
15 de outubro de 1943: Nasceu Nívea Angélica Marques Teixeira, na cidade de Ituaçu, estado da Bahia, filha de Gustavo Teixeira da Rocha e de Dália Marques da Rocha.
03 de novembro de 1943: João Ferreira Filho se casou com Odélia Lopes Ferreira, na cidade de Santo Inácio, estado da Bahia.
26 de dezembro de 1943: Joel Figueiredo Barreto se casou com Nair Moreira Barreto, na cidade de Santo Inácio, estado da Bahia.
08 de janeiro de 1944: Nasceu Cassimiro Machado Neto no antigo Quilombo do Alegre, distrito de Tiririca, município de Xique Xique (BA), filho de Nemésio Pereira Machado e de Ercília Carvalho Machado *
03 de agosto de 1944: Faleceu Rodrigo Alves Bessa, na cidade de Xique Xique (BA), nascido em 02 de outubro de 1894. Era filho de José Rufino Bessa e de Antonia Prussiana Bessa. Era irmão de Luiz (Lulu Bessa), Virgílio Bessa, Hermínia e Erotides Bessa. Foi agricultor, fazendeiro, comerciante e político. Casou-se, em 1922, com Alexandrina Guimarães Bessa.
15 de setembro de 1944: Nasceu Nilza da Cruz Santana, filha de Ambrózio Ribeiro da Cruz e de Helena Ribeiro da Cruz.
28 de setembro de 1944: Nasceu Cleuza Marques dos Santos, filha de Luiz Marques Leite e de Hilda Ferreira Leite.
26 de outubro de 1944: Nasceu Evaristo Alves Carneiro, filho de Braulino Alves Carneiro e de Adalgisa Alves da Rocha.
04 de janeiro de 1945: Nasceu Edison Lopes Rocha, filho de Leônidas Rodrigues Rocha e de Noemia Dourado Lopes Rocha.
OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro “Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique” Ed. 1999 – Autor: Cassimiro Machado Neto.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

OS CHICOS


"OS CHICOS"

Na caminhada rumo à nascente do Velho Chico, situada nas Minas Gerais, o Jornalista GUSTAVO NOLASCO e o Fotógrafo LEO DRUMOND desembarcaram na ribeirinha Xique Xique (BA) para colherem dados e subsídios que alimentarão o importante Projeto "OS CHICOS". Leiam o que os dois viajantes disseram sobre a nossa cidade, em mensagens enviadas ao Blog XIQUEXIQUE:
"Olá Juazez. Chegamos ontem em Xique-Xique, e o único problema aqui foi hospedagem, já que existe uma grande obra nas proximidades e o melhor hotel foi alugado pela construtura. Estamos relatando a vida do Seu Chico de Né, uma grande figura que nasceu na Marreca Velha, por sinal um local muito bonito. Gostamos muito da cidade e por aqui tudo vai correndo bem. Um abraço, Leo Drumond"
Ao saírem da cidade com destino a Barra, assim se expressaram sobre os dias que desfrutaram de Xique Xique: "Juarez, nossa estada foi otima, adoramos Xique-Xique e garimpamos aqui um otimo personagem. Infelizmente nosso tempo é curto e nao conseguimos nos encontrar com o Cassimiro. Mas fizemos uma bela historia e belissimas imagens. Um grande abraço, Leo Drumond"



UNIVERSIDADE ABERTA EM XIQUEXIQUE(BA)


A Universidade Estadual da Bahia - UNEB, Campus XXIV-Gideval Souza Andrade, instalou em Xique Xique, nos dias 18 e 19 deste mês, a UNIVERSIDADE ABERTA PARA TERCEIRA IDADE - UATI, em solenidade realizada no Salão Nobre do Colégio Modelo. Nesses dias os participantes tiveram oportunidade de ouvir palestras sobre diversos assuntos relacionados com a qualidade de vida no envelhecimento. Entre os temas das palestras foram destaques: O papel do Ancião na Comunidade; O papel do ancião indigena e do ancião africano e o Estatuto do Idoso. Como encerramento do evento apresentaram-se os componentes do Samba de Roda Pisaê do Bairro São Pedro.

A UATI oferecerá aos seus alunos as seguintes oficinas: Oficina da Memória; Cantos e Contos; Oficina de Alfabetização; Criação Literária; Informática; Educação Física; Artes; Dança de Salão; Massagens e Teatro. Esses cursos, que se iniciarão nos próximos dias, serão ministrados em dois dias da semana com aulas de duas horas de duração.

O lançamento da UATI foi prestigiado pela Direção e Professores da UNEBP além de autoridades locais e cidadãos e cidadãs, da terceira idade, interessados nos cursos que serão ministrados.

Parabéns para a Universidade Estadual da Bahia que resolveu implantar em Xique-Xique cursos de tal magnitude e de muita importância para as pessoas que chegaram aos 60 anos e ainda desejam participar ativamente da sociedade xiquexiquense.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Foto antiga: O Cais de Xique-Xique (BA) nos anos 1960.


O CAIS DE XIQUE XIQUE

Até os anos de 1960, essa era visão que o navegante tinha quando, sobre as águas do Lago Ipueira, adentrava o porto de Xique-Xique.

Essa bela paisagem foi totalmente destruída quando as nossas autoridades estaduais resolveram construir o horroroso PAREDÃO que além de enfeiar a cidade ainda veio facilitar o acumulo de sujeiras e falta de higiene em toda a área, transformando o PAREDÃO num exemplar caso de polícia sanitária ou mesmo de polícia militar.
Até quando as nossas autoridades municipais e a sociedade xiquexiquense se quedarão insensíveis a essa questão?


















Por do Sol - Na Caatinga de Xique Xique (BA)



POR DO SOL EM XIQUE XIQUE


Lindo esse por do sol na caatinga de Xique Xique.

O Fotógrafo Xiquexiquense


João Machado, o fotógrafo Xiquexiquense

Dando continuidade à série de fotografias da autoria do conterrâneo JOÃO MACHADO, estamos focando a movimentação das barcas no porto de Xique Xique (BA), verdadeiro entreposto comercial































segunda-feira, 19 de abril de 2010

Passagem Histórica: Xique Xique (BA) com duas câmaras de Vereadores

Duas Câmaras de Vereador em Xique Xique (BA)

Por incrivel que pareça houve uma época em que a cidade de Xique Xique chegou a possuir duas Câmaras de Vereadores. Isso aconteceu durante um período de aproximadamente 6 anos, com início no ano de 1877 quando os dois principais Partidos Políticos da cidade, o Partido Liberal, conhecido como PEDRA e o Partido Conservador, conhecido como MARRÃO, em face das violentas brigas, criaram, cada um, a sua Câmara de Vereadores.
Uma das Câmaras tinha como vereadores os seguintes cidadãos: Manoel Martiniano França Antunes – presidente, Romualdo Ferreira da Cruz – secretário, Antonio Joaquim de Magalhães, Francisco Martins Santiago, Francisco José Correia, Antonio Cleto de Campos e Venceslau Leobas França Antunes.
A outra Cãmara era composta dos cidadãos: João Batista Avelino, Silvestre Xavier Guimarães, Praxedes Xavier da Rocha, Francisco Antonio Pereira Bastos, Inocêncio da Costa Torres, Hermenegildo de Souza Nogueira e Felipe Nery Teixeira.
Durante o período de 1878 a 1883, uma das Cãmaras, a do Partido Liberal (PEDRA) passou a fazer as sessões no povoado da Ilha do Miradouro, enquanto que o Partido Conservador (MARRÃO), passou a reunir a sua Câmara de Vereadores no povoado do Saco dos Bois. póximo à Lagoa de Itaparica.
Em julho de 1883, a Câmara dos MARRÃO, formada pelos vereadores Francisco Martins Santiago, Manoel Netto da França, Maximinano Pereira da França, Romualdo Ferreira da Cruz, Higino de Souza Nogueira e Joao Crisóstomo de Figueiredo, que vinha realizando sessões no povoado Saco dos Bois, passou a se reunir regularmente na própria vila de Xique-Xique, em uma casa residencial.
OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro “Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique” Ed. 1999 – Autor: Cassimiro Machado Neto.

Foto de Amantes: Casal de Equinos

CASAL DE EQUINOS

O casal da foto é uma ótima motivação para os casais humanos que, em muitos casos, insistem em não aproveitar o crepúsculo para um passeio romântico.

Vejam o entusiasmo do namorado.

domingo, 18 de abril de 2010

A Odisseia dos Cangaceiros no Nordeste do Brasil




Lampião e Maria Bonita

Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, nasceu em 7.7.1897 no distrito de Vila Bela, atual cidade de Serra Talhada PE), terceiro filho de uma família de oito irmãos. Em 1915, por causa de uma briga com o vizinho de fazenda, começou uma rivalidade entre as duas famílias. Quatro anos depois, Virgulino e dois irmãos passaram a ser perseguidos pela polícia e toda a família abandonou a fazenda. Nessa fuga a mãe de Virgulino morreu e, num tiroteio, os policiais mataram pai de Virgulino. O jovem Virgulino, então, jurou vingança.
Com dois irmãos, primos e amigos, Virgulino formou o seu bando, que variava de 30 a 100 homens, e passou a atacar fazendas e pequenas cidades em cinco estados do Brasil, quase sempre a pé e às vezes montados a cavalo durante 20 anos, de 1918 a 1938.
Grande estrategista militar, Virgulino sempre saía vencedor nas lutas com a polícia, pois atacava sempre de surpresa e fugia para esconderijos no meio da caatinga, onde acampavam por vários dias até o próximo ataque.
Apesar de perseguido, Virgulino que já era conhecido como Lampião e seu bando, foram convocados para combater a Coluna Prestes, tendo o Governo Federal lhe fornecido fardas e fuzis automáticos e a patente de Capitão, pasando, a partir daí a ser chamado de Capitão Virgulino.
Em 1929, conheceu Maria Déa, a Maria Bonita, casada, que com 19 anos declarou-se apaixonada há muito tempo pelo Capitão Virgulino. Pediu para acompanhá-lo no que concordou Lampião.
Em 1930 o governo baiano ofereceu 50 contos de réis pela captura de Lampião, dinheiro suficiente para comprar seis carros de luxo.
Lampião morreu no dia 28 de julho de 1938, na Fazenda Angico, em Sergipe. Os trinta homens e cinco mulheres que compunham o bando naquela ocasião estavam começando a se levantar, quando foram vítimas de uma emboscada promovida por uma tropa de 48 policiais do Estado de Alagoas, comandada pelo tenente João Bezerra, num rápido combate de 10 minutos. Os policiais com vantagem em armamentos mataram Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros que tiveram, após a morte, suas cabeças decepadas, tendo o restante do bando conseguido escapar. A atividade do cangaceiros terminou em 1940, com a morte de Corisco, o "Diabo Loiro", o último sobrevivente do grupo comandando por Capitão Virgulino, o Lampião.
A partir desta semana estaremos divulgando fotos relacionadas com Capitão Vigulino (Lampião), Maria Bonita e seus companheiros, para que as novas gerações tomem conhecimento desse fato que marcou indelevelmente a vida das pequenas cidades da região Nordeste do Brasil.


O MERCADO SÃO FRANCISCO DE XIQUE XIQUE (BA)



MERCADO MUNICIPAL DE XIQUE XIQUE (BA)



O Blog do Sr. Prefeito Municipal de Xique Xique, anuncia uma reforma e total recuperação do Mercado São Francisco, hoje conhecido como Mercado das Frutas da cidade, começando pelo telhado e até a calçada. Vejamos o que será feito, segundo a promessa do Executivo Municipal: Troca de todo o telhado, revestimento de cerâmica nas paredes internas, piso em cerâmica de alta resistência, reconstrução da calçada, construção de sanitários públicos e revisão de todo o sistema hidráulico e elétrico, SEM CONTUDO, ALTERAR A ARQUITETURA ORIGINAL DO EDIFÍCIO.

Essa é uma alvissareira notícia para o povo de Xique Xique, pois o Mercado, inaugurado em 1950 pelo então Prefeito Sr. Aurélio Gomes de Miranda, sempre foi uma referência para a população e, lamentavelmente, há muitos anos, encontra-se em total abandono pelas autoridades públicas. Parabéns Sr. Prefeito PELO FEITO.





Veja, a geração nova de xiquexiquenses, o que diz o nosso historiador Prof. Cassimiro Machado Neto, sobre o Mercado São Francisco, hoje denominado Mercado de Frutas de Xique Xique:


"Com a planta arquitetônica e o projeto de construção nas mãos, diuturnamente o prefeito Aurélio Gomes Miranda e sua equipe administraram a obra desde o alicerce, passando pelo telhado e pelo acabamento. Muitos meses de luta e de economia, sem qualquer ajuda externa. Depois de muita paciência e persistência o Mercado São Francisco estava pronto, lindo, gigantesco – a maior construção desde a implantação das Escolas Reunidas César Zama, pelo coronel Francisco Xavier Guimarães, Prefeito Municipal, em 1937. A construção do Mercado Municipal São Francisco foi planejada em 1948, iniciada em 1949 e concluída no 2º semestre de 1950 – ano eleitoral."

sábado, 17 de abril de 2010

O FOTÓGRAFO DE XIQUEXIQUE






João Machado, o fotógrafo Xiquexiquense

Dando continuidade à série de fotografias da autoria do conterrâneo JOÃO MACHADO, focaremos hoje a movimentação das barcas no porto de Xique Xique (BA), verdadeiro entreposto comercial sãofranciscano.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pessoas que fizeram Xiquexique: Francolino José dos Santos (Seu Gringo)

FRANCOLINO JOSÉ DOS SANTOS
(SEU GRINGO)

O Sr. Francolino José dos Santos, nasceu em 12 de fevereiro de 1891, no município de Morro do Chapéu (BA), filho do Sr. Caetano José dos Santos e de D. Benedita Maria da Conceição. Ficou, afetuosamente, conhecido em Xique-Xique, cidade que escolheu para morar, como SEU GRINGO. Antes do início do sec. XX, os pais do Seu Gringo se mudaram para Xiquexique (BA) onde passaram a residir e onde criaram os 14 filhos. Seu Gringo devido as dificuldades financeiras dos seus pais ficou impedido de estudar, pois, naquela época na cidade só funcionavam escolas particulares. Para compensar, contudo a falta de estudos, Seu Gringo resolveu dedicar-se integralmente ao trabalho. Com uma pequena economia juntada com grande esforço conseguiu iniciar um modesto estabelecimento comercial, que prosperou com o decorrer do tempo, fazendo dele um dos homens mais ricos de Xique-Xique. Em 1910 por causa das brigas entre os coroneis de Xique-Xique, conhecidas como "Barulhos de Xique-Xique", Seu Gringo foi, com os pais e irmãos, morar na localidade Icatu, atual Ibiraba, pertencente ao Município da Barra (BA), somente retornado depois que o Governador da Bahia, Dr. J.J. Seabra determinou uma intervenção policial e judicial na cidade, no ano de 1915, fazendo cessar a guerra de forma definitiva, prendendo os oficiais da Guarda Nacional e seus capangas e confiscando todas as armas. No primeiro semestre de 1915, Seu Gringo, já um comerciante de respeito e outros xiquexiquenses que haviam se retirado da cidade retornaram à cidade e reativaram as suas atividades profissionais. Seu Gringo denominou o seu estabelecimento comercial de "Armazém Guarani". Entre os seus inúmeros empregados como comerciários destacaram-se, Epaminondas Rocha, Aristides Araújo, Bela Jacobina, Lourival Leite, Rosentino José dos Santos (sobrinho) e muitos outros. Durante muitos anos o Sr. Francolino José dos Santos foi um dos principais comerciantes de Xiquexique, sendo, na época, representante exclusivo de firmas, Soutomaia, Florentino Silva, Tudde & Irmãos, Singer, Phillips, Sul América Seguros, Real Aerovias, Viação Bahiana do São Francisco (vapores), Banco da Bahia, já famosas naquele tempo. Realizou intenso comércio com Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Juazeiro (BA) e Pirapora (MG). Foi um dos sócios fundadores do Clube Cultural e Recreativo Sete de Setembro e do Centro Espírita Agostinianos. O momento especial de Seu Gringo transcorreu no dia 13 de fevereiro de 1948 quando se casou com a professora Eufrosina Camandaroba dos Santos em cerimônia que foi celebrada na capital do Estado, no Fórum Rui Barbosa, tendo entre os padrinhos e testemunhas personalidades do mundo dos negócios e da política baiana, como Anísio Viana, Romeu de Assis, Antonio Balbino de Carvalho Filho entre outros. Entre os xiquexiquenses contou com a presença de Luiz Alves Bessa, João Rodrigues Soares, Marinho Carvalho, José Peregrino de Souza, Samuel Soares, Custódio B Moraes, Aurélio Gomes Miranda e muitos outros, tendo permanecido em Salvador desfrutando a lua-de-mel. Por ocasião do casamento Seu Gingo já era pai de duas filhas, Profa. Janete José dos Santos e Maria Divina José dos Santos. Quando o Seu Gringo retornou da lua-de-mel, foi surpreendido com um pavoroso incêndio que atingiu o Armazém Guarani, queimando toda a mercadoria. No combate ao fogo muitas pessoas saíram queimadas principalmente o Seu Gringo que foi atingido com graves queimaduras que chegaram a atingir a sua visão. O Sr. Francolino José dos Santos e a Profa. Eufrosina Camandaroba dos Santos adotaram duas crianças: Rosângela Camandaroba dos Santos e Cleuza Camandaroba dos Santos.
O Sr. Francolino José dos Santos faleceu no dia 26 de setembro de 1992, aos 101 anos, estando seu corpo sepultado no cemitério de Xiquexique. A Câmara Municipal de Xique Xique lhe homenageou dando seu nome à antiga Praça do Contorno, onde se situam a Câmara Municipal e o Fórum Conselheiro Luiz Viana.
OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro “Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique” Ed. 1999 – Autor: Prof. Cassimiro Machado Neto.

Fotos dos amantes: Casal de Sapos


CASAL DE SAPOS

Desde há muitos anos quando as estórias infantis impunham à heroina a obrigação de beijar um sapo para desencantar o principe amado, esse gesto sempre foi tido como repugnante e exigindo um grande sacrifício de quem deveria beijar o asqueroso anfíbio.


Mas, pela foto, parece que o beijo entre sapos é coisa boa e agradável como se deprende da fisionomia do simpatico casal.

Não seria, por acaso, um desses sapos, um príncipe encantado?

Propaganda Antiga: LAMBRETTA


A LAMBRETTA

Foi o transporte individual idealizado pela Itália, ao sair da II Grande Guerra totalmente destroçada, para que o povo pudesse se deslocar pelas cidades. A economia estava em frangalhos.

No final da década de 1950, esse pequeno transporte com duas rodas chegou ao Brasil onde fez grande sucesso entre os adolescentes filhos da papais ricos.

Em Salvador, por exemplo, o ponto de encontro dos lambreteiros era o Farol da Barra e não existia um único "playboi" da época que não tivesse uma dessas máquinas importadas da Itália.

Era, portanto, um objeto que somente poderia ser adquirido por um "moço rico".





Prefeitos: Antônio Justiniano de Souza

Prefeito Antonio Justiniano de Souza
– 1941-1943 –

Mandato: 20 de setembro de 1941 a 10 de junho de 1943.
Presidente da República: Getúlio Dornelles Vargas (10.11.1937- 29.10.1945)
Interventores Federais da Bahia: Landulfo Alves de Almeida (28.03.1938-24.11.1942) e Renato Onofre Pinto Aleixo (24.11.1942-28.10.1945).

O tenente Antonio Justiniano de Souza foi nomeado para o cargo de Prefeito Municipal de Xique Xique, no dia 02 de setembro de 1941, pelo interventor federal da Bahia, Dr. Landulfo Alves de Almeida, em substituição ao Prefeito Cel. Lithercílio Baptista da Rocha, tendo assumido o cargo no dia 20 de setembro do mesmo ano.
No mesmo dia da posse o novo prefeito nomeou os seus auxiliares representados pelos seguintes cidadãos: Geraldo R. Cunha, José Geraldo Barreto, Waldemar de Souza Almeida, Demóstenes Barnabé da Silva e Aristides Olímpio Araújo.
Como já se esperava o prefeito Municipal continuou enfrentando a escassez de recursos para bem administrar o Município não podendo nem mesmo realizar os mínimos investimentos, mesmo na educação para proporcionar aos munícipes uma melhor qualidade de vida. Continuou, pois, a exemplo da administração anterior cumprindo o enfadonho expediente semanal, e mantendo os subsídios para as escolas leigas que ainda eram necessárias, vez que as Escolas Reunidas César Zama, inauguradas em 1937, já se tornara pequena para atender à demanda da cidade.
Na área da saúde o Prefeito continuou mantendo parcerias com os dois médicos da cidade, Dr. Clodoaldo de Magalhães Avelino e Dr. Britoaldo de Magalhães Miranda, que atendiam à população recebendo uma pequena ajuda financeira por parte do Município.
Com a saída do Dr. Clodoaldo da cidade, que foi residir em Belo Horizonte, o Dr. Britoaldo, apesar das limitações de saúde que enfrentava, continuou a dar assistência médica na sede e no interior do Município.
Mesmo com grande sacrifício financeiro o prefeito Justiniano deixou um marco que até hoje persiste na cidade. Trata-se do obelisco construído em homenagem ao ditador Getúlio Vargas, erigido na praça do mesmo nome, defronte ao velho cais da cidade.
Durante o mandato do Prefeito Justiniano, inexistiu Câmara de Vereadores, por determinação do ditador Getúlio Vargas que aboliu todas as casa legislativas do Brasil.
Eventos acontecidos no período:

27 de outubro de 1941: Nasceu Eseir Rocha, na cidade de Santo Inácio, estado da Bahia, filha do Sr. Edésio Rocha e de D. Elsa Moreira Rocha.
03 de janeiro de 1942: Nasceu Marino Ribeiro dos Santos, na ilha do Guaxinim, município de Xiquexique, filho de Maximiano Ribeiro dos Santos e de Joana Rodrigues dos Santos.
07 de janeiro de 1942: Nasceu Climéria Marques Campos, filha de Adelino Marques Fontoura e de Alcina Pereira de Assunção.
05 de março de 1942: Nasceu Reiilson Baraúna Nolasco, na cidade de Chique-Chique, estado da Bahia, filho de Alexandre Baraúna Bahia e de Joana Nolasco Baraúna..
23 de março de 1942: Nasceu Hilda Pereira Gomes, na vila de Central, Xiquexique, filha de Genuíno Pereira Gomes e de Otacília Feliciano de Carvalho.
23 de março de 1942: Nasceu Marta Lúcia de Castro Rocha, na cidade de Formiga, estado de Minas Gerias, filha de Waldemar Alves de Castro e de Ana de Oliveira de Castro. Marta Lúcia de Castro Rocha se casou com Honório de Queiroz Rocha, na cidade de Petrolina. O casal teve duas filhas: Maria Amanda de Castro Rocha e Ana Vitória de Castro Rocha.
24 de março de 1942: Nasceu Carlos Ney Nogueira de Miranda, filho de Aurélio Gomes Miranda e de Joaquina Nogueira Miranda.
29 de março de 1942: Nasceu Pascoal Nery de Souza, filho de Francisco Nery de Souza e de Adozina Marques de Souza.
05 de maio de 1942: Nasceu Terezinha de Figueiredo Chaves, filha de Antonio de Figueiredo Bastos e de Amália Sampaio de Figueiredo. Casou-se com Juarez Morais Chaves, na cidade de Chique-Chique, no dia 09 de setembro de 1968. O casal teve três filhos: Maria Thereza de Figueiredo Chaves, Sandra de Figueiredo Chaves e Fábio de Figueiredo Chaves.
06 de julho de 1942: Nasceu Renan Teixeira Braga, filho de Raul Teixeira Braga e de Nair Miranda Braga.
29 de agosto de 1942: Nasceu Lisete Ribeiro Sampaio, na vila de Gameleira do Açuruá, município de Santo Inácio – atual município de Gentio do Ouro –, estado da Bahia, filha de Alberto Gomes Sampaio e de Ondina Ribeiro Gomes Sampaio.
30 de agosto de 1942: Nasceu Eliecy Félix Tarrão, na localidade denominada Angico de Fora, distrito de Tiririca de Luizinho – atual município de Itaguaçu da Bahia – município de Chique-Chique, estado da Bahia, filho de Henrique Félix Tarrão e de Edite Ribeiro Tarrão..
06 de setembro de 1942: Nasceu José Nemésio Machado, na vila de Uibaí, município de Chique-Chique, estado da Bahia, filho de Nemésio Pereira Machado e de Ercília Carvalho Machado..
12 de outubro de 1942: Nasceu Angelita Rodrigues de Carvalho, filha de Antonio Rodrigues dos Santos e de Maria Rodrigues dos Santos.
17 de outubro de 1942: Nasceu Gislene da Silva Rocha, na vila de Ibiraba, município de Barra, estado da Bahia, filha de José Barbosa e Silva e de Amélia Soares Barbosa.
18 de outubro de 1942: Nasceu Pedro Pereira dos Santos, filho de Marcelino Pereira da Silva e de Anita Joaquina dos Santos..
13 de novembro de 1942: Nasceu Zélia Alves Jacobina, filha de Pedro Alves Jacobina e de Mariana Alves Jacobina.
21 de novembro de 1942: Nasceu Zenita Barreto de Souza, na cidade de Santo Inácio – atual vila de Santo Inácio, município de Gentio do Ouro –, estado da Bahia, filha de Otávio de Figueiredo Barreto e de Edna Novaes Barreto..
06 de dezembro de 1942: Seguiu para a Europa, integrando a Força Expedicionária Brasileira – FEB – que foi lutar nos campos de batalha da 2ª Grande Guerra Mundial, ao lado das tropas Aliadas, o jovem chique-chiquense Pompeu Ribeiro dos Santos.
01 de janeiro de 1943: Nasceu Irene Pereira Tarrão, filha de João Francisco dos Santos e de Amélia Pereira Bahia.
16 de janeiro de 1943: Nasceu Sílvio Carlos Sampaio bandeira, na cidade de Belmonte, estado da Bahia, filho de Manoel Mendes Bandeira e de Romana Antonia Sampaio.
23 de março de 1943: Nasceu Abvalho Pires de Carvalho, filho de Abdias Pres de Carvalho e de Almira Pires de Carvalho.
24 de março de 1943: Nasceu Juarez Morais Chaves, na cidade de Chique-Chique, estado da Bahia, filho de Francisco Teixeira Chaves e de Maria Custódia Moraes Chaves. Juarez Morais Chaves se casou com Terezinha de Figueiredo Chaves, no dia 09 de setembro de 1968, na cidade de Chique-Chique, estado da Bahia. O casal teve três filhos: Maria Thereza de Figueiredo Chaves, dentista, Sandra de Figueiredo Chaves, fisioterapeuta, e Fábio de Figueiredo Chaves, médico., que lhes deram três netos: Bernardo Chaves Lima, Sofia Chaves Lima e Felipe Chaves Escóssia Barbosa.
15 de abril de 1943: Nasceu João Barbosa dos Santos, filho de Feliz Barbosa e de Ana Rosa Nascimento dos Santos.
20 de abril de 1943: Nasceu Evande Alves da Rocha, filha de Braulino Alves Carneiro e de Adalgiza Alves da Rocha.
13 de maio de 1943: Nasceu Lígia Filomena de Menezes Santos, na cidade de Pirapora, estado de Minas Gerais, filha de Pedro Teles de Menezes e de Lígia Neves Dias. Lígia Filomena de Menezes Santos se casou com Carlos de Souza Santos, no dia 03 de fevereiro de 1962, na cidade São Paulo. O casal teve cinco filhos: Lídice Menezes Santos, Lígian Santos Oliveira, Carlos de Souza Santos Júnior, Maria Divina Menezes Santos e Lidiane Menezes Santos.
02 de junho de 1943: Nasceu Clélia de Miranda Guedes, filha de Osmar Guedes e de Felisbela de Miranda Guedes.

OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro “Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique” Ed. 1999 – Autor: Prof. Cassimiro Machado Neto.

Crônica - Sete

CLUBE RECREATIVO 7 DE SETEMBRO

Nas décadas 1950/1960 existiam em Xiquexique (BA) 2 clubes sociais para deleite e lazer dos habitantes da cidade: O Clube Cultural e Recreativo Sete de Setembro conhecido como “a Sete”, e o Clube Beneficente dos Operários ou simplesmente “a Operária”. Hoje comentaremos sobre o “a Sete”.
No ano de 1920, em plena época da Intendência, quando o chefe do Executivo era o Cel. Francisco Xavier Guimarães, 12º Intendente Municipal, com mandato de 1920/1922, surge em Xiquexique (BA), com dois anos de antecedência, um movimento, patrocinado pela elite local, para não deixar passar em branco o primeiro centenário da Independência do Brasil, que aconteceria no dia 07 de setembro de 1922.
Depois de muitas reuniões as lideranças xiquexiquenses decidiram criar uma instituição que congregasse as famílias em atividades sociais e culturais e por unanimidade decidiram que o nome dessa entidade seria Sociedade Filarmônica Sete de Setembro, nome esse alterado, em 1940, para Clube Cultural e Recreativo Sete de Setembro, aprovado pela maioria dos associados, porque já havia se transformado em clube de serviços e bailes realizados nas datas importantes.
Segundo algumas informações obtidas de pessoas que acompanharam o início do Clube, informação essa também registrada no livro “Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique” Ed. 1999, do historiador e professor Cassimiro Machado Neto, desde o início o Clube Sete de Setembro adotou, indevidamente, o segregacionismo social, quando o primeiro estatuto social determinava que somente pessoas tidas e consideradas membros da alta sociedade xiquexiquense, comerciantes, servidores públicos estaduais e federais e profissionais liberais, poderiam freqüentar os salões de festas e os eventos culturais promovidos pela agremiação. Essa posicão causou grande constrangimento entre a população de Xiquexique, forçando as pessoas pertencentes aos grupos segregados, a partirem para a criação do seu próprio clube social, surgindo em 1935 a Sociedade Beneficente de Operários, em atividade até hoje. Mas, nos anos 1950/1960, essa separação não era rígida e muitos xiquexiquenses freqüentavam indistintamente os dois clubes, pois existia um grande número de comerciantes e outros profissionais que eram sócios da Sete de Setembro e também sócios fundadores do Clube Operário.
Ao contrário do Clube Operário que desde o início se esforçou e construiu uma sede social muito bonita e que está em perfeito estado de conservação até hoje, o Clube 7 de Setembro, desde os anos 1950 funcionava num casarão antigo e sem nenhuma beleza arquitetônica, feio mesmo. Algumas diretorias da Sete até fizeram algumas reformas no prédio, mas a própria estrutura do edifício não permitia o seu embelezamento por melhor que fosse o projeto. A solução parecia ser a demolição do atual e construção de um novo clube. Mas, acredito que mesmo isso não teria dado bom resultado, pois a área e o local não eram adequados a um clube social. Mesmo com todas as reformas que sofreu a sede social da “Sete”, sempre se apresentou acanhada e dispunha apenas de um salão principal e uma pista de dança ao ar livre, que a gente chamava de ringue, destinada, aos bailes carnavalescos, tendo ao fundo um pequeno jardim com bancos de cimento e dois sanitários.
No período 1955/1965 o nosso pequeno clube dispunha apenas de uma pequena radiola e no máximo três dezenas de discos que eram utilizados nas noites dos fins de semana quando os estudantes, em férias, para lá se dirigiam a fim de dançar e namorar ao som dos discos 78 rpm de cera de carnaúba ou eventualmente um ou outro de vinil, os famosos LP que estavam surgindo. Era lá, portanto, o ponto de encontro dos rapazes e moças de Xiquexique. Essas pequenas festinhas que se realizavam nos fins de semana normais e que se prolongavam até as 22 horas, quando a luz da cidade se apagava, até hoje estão gravadas no meu íntimo como uma das melhores fontes de lazer de Xiquexique. Era ali, naquele modesto Clube que a nossa juventude interagia e formava os laços de amizade que duram até hoje. Era ali, também que a gente mantinha contato com as meninas da cidade e o momento em que era permitido uma maior aproximação corporal quando estávamos dançando. Ali, muitos namoros começaram e chegaram ao casamento.
Nas datas importantes da cidade, principalmente na tradicional festa de 1º de janeiro, quando se comemorava o padroeiro Senhor do Bonfim, a Sete se engalanava para receber a elite local. Era o baile mais bem organizado que existia em Xiquexique. Toda a diretoria do clube se esmerava para que os associados se sentissem a vontade e bem instalados. Era uma das poucas vezes em que se adotava a venda, aos sócios, de mesas numeradas além da exigência de que todos comparecessem vestidos a rigor ou seja, palitó e gravata para os homens e vestidos de “toillete”, como eram conhecidos, para as mulheres. As adolescentes, preocupadas em estarem à noite bonitas e atraentes para os adolescentes, passavam o dia aplicando “bobs” nos cabelos, penteados fixados por laquê, unhas das mãos e dos pés tratadas e esmaltadas, envergando sapato de salto alto e o vestido novo, geralmente de tafetá, armado com anaguas engomadas e outras coisas que as tornavam mais bonitas do que já eram. Em contrapartida, os rapazes deveriam se apresentar de terno novo, sapatos lustrados, cabelos penteados e abrilhantinados, vestuário muito incômodo em face ao excessivo calor de janeiro que fazia na cidade.
Nos importantes bailes acontecidos na Sete, o JAZZ era o animador oficial. Tratava-se de um conjunto musical liderado pelo saxofonista e servidor público municipal, Sr. Mario Rapadura, auxiliado pelos músicos Hermes no trombone de vara, Manoel Guerreiro, no banjo e Pedro na bateria. Nessas ocasiões o jazz se esmerava e antecipadamente fazia ensaios preparando todo um repertório para ser tocado no baile de 1º de janeiro.
O interessante, nessa época, é que o consumo de bebidas se limitava a cerveja para os homens adultos e guaranás para as mulheres e crianças. Ainda não havia chegado o costume de se colocar sobre a mesa litros de bebidas destiladas. Quanto aos tira-gosto, além dos tradicionais pasteis era comum, dar-se um intervalo na música para se proceder o leilão de galinhas assadas com vistas a angariar recursos para o clube. Eram galinhas caipiras e geralmente ficavam muito duras e difíceis de serem trinchadas, mas, não obstante a qualidade do assado, não faltavam os lances ousados, de gente da cidade ou de forasteiros, especialmente aqueles que estivessem interessados em fazer bonito, ou exibir-se para alguma donzela. Mas, a compra dessas iguarias ficava a cargo das famílias mais aquinhoadas. A grande maioria passava a noite toda sem comer nada ou fazendo uma boquinha fora do clube onde era mais barato.
Na década de 1980, não sei as causas, as diretorias da Sete não mais se ineressaram em promover o clube e este foi pedendo terreno no meio da sociedade até que a frequência foi reduzida a zero e a istituição deixou, de fato de funcionar restando como lembrança apenas o imóvel onde funcionava situado na Rua Marechal Deodoro (Rua da Sete), em adiantado estado de abandono e decadência.
É uma pena que a atual elite da cidade, hoje mais forte do que há 50 anos atrás, tenha deixado se extinguir um clube social que mesmo sendo de uma pobreza franciscana era o local onde as famílias xiquexiquenses se reuniam com seus filhos nos bailes comemorativos das grandes datas da cidade.
Juarez Chaves

HONÓRIO DE QUEIROZ ROCHA - Justa Homenagem

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HONÓRIO DE QUEIROZ ROCHA


A família do conterrâneo HONÓRIO DE QUEIROZ ROCHA, filho natural de Xique-Xique (BA) e adotivo de Petrolina (PE), falecido em julho de 2006 e objeto de matéria postada neste blog no dia 14 de janeiro do ano em curso, publicou as suas memórias intitulada "Estou Presente, PETROLINA!", onde, via crônicas, narra grande parte da sua odisseia pelo Estado de Pernambuco.



















quinta-feira, 15 de abril de 2010

AGRADECIMENTO AOS NOVOS SEGUIDORES



NOVOS SEGUIDORES

O Blog XIQUEXIQUE agradece e dá boas vindas aos novos seguidores e seguidoras, representrados por Silvinha Porto, Polycarneiroo, Gal, Diana Luar, Mari e Poliana Pinheiro.
Juarez Morais Chaves

OS CHICOS



OS CHICOS

Os mineiros de Belo Horizonte, Gustavo Nolasco e Leo Drumond se dispuseram a sair do conforto da sua cidade grande para percorrer 2.700 Km do Rio São Francisco, da nascente, nas alterosas de Minas até o desaguamento no mar. Ano passado esses jovens idealistas viajaram de Petrolina (PE) até foz entre Alagoas e Sergipe. Essa semana zarparam de Juazeiro (BA) em direção à nascente nas Minas Gerais, em São Roque de Minas, buscando os "Chicos" e "Chicas" que moram na margem do Velho Chico e fazem a vida de um dos mais importantes rios do mundo. Estaremos acompanhando a epopeia desses valorosos mineiros e faremos dessa viagem um espaço para todos os amantes das histórias, folclore e lendas do Velho Chico. É o PROJETO OS CHICOS.
Esse Projeto se propõe a percorrer as barrancas do São Francisco para documentar a cultura oral das comunidades ribeirinhas. Esse contato pessoal com os ribeirinhos permitira a criação de bons personagens para o futuro livro que nascerá dessa viagem, com o título OS CHICOS e, nada mais será do que uma apanhado da história de vida de alguns barranqueiros como forma de contar a história do Velho Chico por meio das histórias destes moradores.

Dentro do possível, a cada semana estaremos dando ciência do roteiro e o destino seguido pelos mineiros.

terça-feira, 13 de abril de 2010

PASSAGENS HISTÓRICAS: O Quilombo de Xiquexique (BA)

O QUILOMBO DE XIQUEXIQUE (BA).


No Brasil dos séculos XVII e XVIII, os negros escravos que conseguiam fugir se refugiavam em locais de dificil acesso e bem fortificados no meio das matas, que ficaram conhecidos como Quilombos, onde viviam segundo a cultura africana e tudo que produziam era da comunidade. Nessa época o Brasil chegou a ter centenas de Quilombos, sendo que o mais famoso foi o Quilombo dos Palmares, situado no atual Estado de Alagoas, que, no ano de 1670 já abrigava em torno de 50 mil escravos. Os quilombos representaram uma das formas de resistência e combate à escravidão. Os negros buscavam a liberdade e uma vida com dignidade, resgatando a cultura da África, contribuindo, assim, para a formação da cultura afro-brasileira.
O Município de Xiquexique também teve o seu Quilombo. Sobre esse assunto veja o que nos conta o nosso historiador e pesquisador Prof. CASSIMIRO MACHEDO NETO, no seu livro SENHOR DO BONFIM E BOM JESUS DE CHIQUE-CHIQUE (História de Chique-Chique) - Ed. 2009

"João Pereira Gomes, nasceu no ano de 1868, na localidade Vereda da Serra de Campo Belo, próximo ao povoado de Conceição do Mato Verde e de Mirorós, na época pertencente ao Município de Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique, província da Bahia, filho de Manoel Pereira Gomes e de Francisca Pereira Gomes. João Pereira Gomes – ou simplesmente ‘João Pretinho’, como os familiares e os conhecidos o chamavam – nasceu filho de escravos fugidos e reunidos em quilombos nas serras das Laranjeiras e Azul, escarpas ocidentais da Chapada Diamantina, alto sertão da Bahia. Os pais e demais familiares de João Pretinho se mudaram inúmeras vezes, sempre que desconfiavam que poderiam ser descobertos por capitães do mato e capatazes, vivendo em quilombos móveis nas localidade de Vereda da Serra, Conceição, Mirorós, Mata Verde, Morro do Gomes, nas proximidades das fazendas Canabrava do Gonçalo, Riacho de Areia, Vacaria e Alto do Mamão. Finalmente, estando "João Pretinho" no Quilombo do Alegre, por ele formado, e tendo, no início dos anos 1950, certeza que a escravidão havia acabado, seus familiares passaram a construir habitações mais sólidas no atual povoado de Barreiros, pertencente ao então distrito de Tiririca de Luizinho, município de Chique-Chique, estado da Bahia. João Pereira Gomes se casou três vezes. O primeiro casamento foi com Agostinha Ferreira Gomes; o segundo com Hermenegilda Desidéria do Espírito Santo; e o terceiro casamento com Ana Alberta Martins de Souza. Nasceram-lhe dos três matrimônios vinte filhos, dos quais a pesquisa conseguiu os seguintes nomes: Firmino Pereira Gomes, Custódio Pereira Gomes, Genuíno Pereira Gomes, Ricardina Pereira Gomes, Narcisa Pereira Gomes, Francolino Pereira Gomes, Maria Benta Pereira Gomes, Amésia Pereira Gomes, Abraão Pereira Gomes, Avani Pereira Gomes, Marcolino Pereira Gomes. João Pereira Gomes faleceu no dia 13 de dezembro de 1971, com 103 anos de idade, no povoado de Barreiros, distrito de Tiririca de Luizinho, município de Chique-Chique, estado da Bahia. Seu corpo foi sepultado no cemitério comunitário local."

Por do sol - Canoeiro retorna com sua família



O CANOEIRO



A canoa ou "paquete", como é, também, conhecida na beira do rio, é o principal meio de transporte dos ribeirinhos que moram nas muitas ilhas que formam o arquipélago em torno de Xique Xique (BA).

A foto mostra o pequeno agricultor, após um dia de trabalho cuidando da sua lavoura na ilha, retornando à sua casa em companhia da sua família.



sábado, 10 de abril de 2010

Foto Interessante: Roda do Vapor Raul Soares


PESCADORES

A mania de pesca é inerente aos barranqueiros e por isso eles não perdem oportunidade e nem escolhem local para a prática daquilo que está no sangue dos sãofranciscanos.

Na foto, que mostra o vapor Raul Soares ancorado, 3 pescadores em locais diferentes mas todos em torno da roda, aproveitam o momento para obterem algum pescado.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Crônica: O CORONEL E A LUZ ELÉTRICA DE XIQUEXIQUE (BA)

O CORONEL E A LUZ ELÉTRICA EM XIQUEXIQUE


No início da década de 1930, quando Xiquexique (BA), ainda era precariamente iluminada com candeeiros utilizando o combustível querosene, o Cel. Francisco Xavier Guimarães, um dos líderes políticos da cidade, foi nomeado, pelo Interventor Federal na Bahia, Juracy Montenegro Magalhães, Prefeito Municipal, para um mandato de 1933 1938. O Cel. Francisco Xavier Guimarães foi o político xiquexiquense que por mais tempo, em três mandatos alternados, exerceu a chefia do executivo municipal. Ao assumir o terceiro mandato, em 1933, já chegou com a idéia pré-concebida de realizar pelo menos 2 grandes obras n: I) dotar Xiquexique de uma boa iluminação elétrica e II) construir um prédio decente para funcionar uma escola primária mantida pelo poder público. Realizou essas duas grandes obras. Hoje falaremos apenas da primeira, ou seja, a instalação de energia elétrica em Xiquexique (BA), nos idos de 1936, portanto há 74 anos atras.
Como ainda não existia a hidrelétrica de Paulo Afonso e a opção por um motor a óleo diesel era uma alternativa muito cara e inacessível para aquela pequena comunidade do interior baiano, o Coronel, ora Prefeito, resolveu visitar algumas cidades da Bahia para conhecer as alternativas existentes, ocasião em que tomou conhecimento de que algumas localidades eram dotadas de iluminação elétrica gerada a partir de um dínamo acionado por uma caldeira a vapor.
A partir daí, melhorar a iluminação de Xiquexique, utilizando um equipamento semelhante, passou a ser a obsessão do novo Prefeito e o principal assunto das suas conversas. O entusiasmo do chefe do Executivo contagiou todo o povo da cidade que passou a contar como certo que dentro de pouco tempo iria dispor de energia elétrica pois tinha plena confiança no seu líder político que era homem de muita credibilidade e muita força de vontade.
Como mantinha um excelente relacionamento pessoal e político com o Interventor da Bahia, Juracy Magalhães, o Prefeito, não perdeu tempo e em expediente a ele endereçado, solicitou-lhe, sem arrodeios, recursos para adquirir um equipamento a vapor objetivando dotar a sua cidade de energia elétrica. No documento enviado deixou bem claro que essa era uma promessa por ele feita aos seus conterrâneos e que já havia se transformado em anseio popular, por isso tinha obrigação de cumprí-la. Em atenção ao amigo Prefeito o Interventor Juracy Magalhães respondeu prometendo que dentro de pouco tempo Xiquexique seria contemplada com os equipamentos solicitados para a geração de energia elétrica de boa qualidade, resposta essa que foi amplamente divulgada por toda a cidade.
Confiado na promessa do amigo, autoridade mor do Estado da Bahia, o Prefeito, tímida e modestamente, limitado pelos parcos recursos da Prefeitura, iniciou a tomada de algumas providências no sentido de criar um mínimo de infraestrutura destinada a receber os equipamentos, chegando, inclusive, a preparar e fazer a posteação e fiação necessários à distribuição da energia elétrica que seria produzida pelo equipamento a vapor.
Mas, o tempo, senhor inexorável de todas as coisas, foi passando e nada de o Interventor cumprir a promessa feita alguns meses atrás, levando o Prefeito a começar a desconfiar que estava sendo enrolado pelo amigo. Como era homem de decisão resolveu ir à Salvador e tratar do assunto diretamente com Sua Excelência o Interventor. E, assim fez. Mas, em Salvador, quando da audiência com o Interventor Federal Juracy Magalhães, sofreu a maior decepção da sua vida ao ser informado, pessoalmente e a queima roupa, de que o Estado, naquele momento, não dispunha de verbas para atender ao pedido do amigo Prefeito, mas que este aguardasse que o assunto estaria na ordem de prioridade para quando o Estado dispusesse de recursos.
Foi uma decepção que quase o levou a morte, mas o velho Chico Guimarães era duro na queda e recompondo-se, despediu-se, cordialmente, do amigo e saiu do palácio ruminando uma solução para o caso. Já estava por ele decidido que Xiquexique teria uma considerável melhora na sua precária energia elétrica a querosene. Faltava apenas resolver como seria equacionado esse problema. Dia seguinte, já com as emoções controladas, tomou conhecimento de que em Salvador havia um escritório que se encarregava, após o fechamento do negócio, de importar o maquinário por ele desejado. Sem perda de tempo e somente por precaução, enviou carta para a sua mulher D. Otacília Guimarães (D. Donana) e pediu-lhe que lhe enviasse uma determinada quantia em dinheiro, pois, como não conseguira a verba desejada para a luz de Xiquexique iria comprar, com seus próprios recursos, o equipamento.
Com o numerário disponibilizado no banco, dirigiu-se ao escritório e fechou o negócio para a compra da caldeira e demais acessórios necessários à produção de energia elétrica. Para felicidade do Prefeito, existia no depósito da importadora um desses equipamentos embalados, que de imediato foi despachado para Xiquexique via Juazeiro (BA), utilizando o trem de ferro e o vapor. Junto com o maquinário seguiram os técnicos encarregados da montagem e do funcionamento do conjunto gerador.
Em Xiquexique os equipamentos foram desembarcados e encaminhados para o local onde seriam instalados, um prédio novo especialmente construído no final da Rua Góes Calmon (Rua Grande) e por todos conhecido como prédio da Usina (foto), que, atualmente funciona como creche.
Enquanto os engenheiros trabalhavam em Xiquexique, montando o equipamento, o Prefeito permaneceu em Salvador pois, prometera a si próprio que somente colocaria os pés na cidade para inaugurar o luz. Ao tomar conhecimento de que todo o equipamento estava instalando e a caldeira, já testada, estava queimando lenha, saiu de Salvador de trem para Juazeiro e de lá pegou um vapor para Xiquexique. Todo o povo da cidade que acompanhava a odisséia desde que o Prefeito viajara para Salvador, esperava ansiosamente a chegada do líder para a festa da inauguração da luz. Ao passar por Pilão Arcado, cidade a pouco mais de 100 km de Xiquexique, o Prefeito enviou telegrama para os correligionários informando que no dia seguinte estaria entrando na cidade e gostaria de ver toda a população no cais da cidade a esperá-lo.
O desejo do velho Prefeito foi atendido, com a integralidade do povo, na beira do rio, de pé ao longo do cais, hoje inexistente destruído que foi pelo PAREDÃO. Aguardavam a triunfal entrada na Ipueira, do Cel. Chico Guimarães. Mas, o destino parecendo querer, mais uma vez, empanar o sonho do coronel, ainda lhe pregaria uma peça, como que querendo provar-lhe a tenacidade e a fibra para as tomadas de decisão. Assim, quando o vapor saia do Rio São Francisco para entrar no Canal do Guaxinim e ter acesso à Ipueira e ao porto da cidade, o experiente comandante do navio constatou que em face da seca, a profundidade do Canal não permitiria a navegabilidade e a chegada ao porto. Era mais uma tribulação para o velho coronel, que esperava navegar pelo Lago Ipueira tendo ao lado toda a tripulação e, em frente à cidade, emitir o longo apito do vapor anunciando a sua chegada festiva. De forma alguma aceitaria desembarcar em outro local que não o porto de Xiquexique para poder, subindo os degraus do cais do perau, ouvir a ovação popular.
Acostumado, pois, à tomada de decisões, verificou que somente reduzindo a carga do vapor e diminuindo-lhe o peso, poderia continuar navegando pelo Canal do Guaxinim e ter acesso ao porto. Assim, em negociação com o comandante, conseguiu que toda a carga fosse transferida para a lancha reboque e esta desatrelada e ancorada no Canal para ser recuperada na volta do vapor. Conseguiu, ainda que todos os outros passageiros desembarcassem na Ilha do Miradouro e permanecesse na vapor apenas a tripulação necessária.
Com essa drástica redução de peso, o vapor deslizou tranquilamente pelo Canal e no meio da tarde de 24.05.1936, ingressou na Ipueira em frente á cidade, já apitando com toda a força da caldeira e anunciando ao povo, que ainda permanecia postado na beira do cais, que o grande líder estava adentrando à cidade para inaugurar o prometida luz elétrica. A partir daí, a ovação foi generalizada. Os vivas, os gritos e as palmas eram tão intensos que mal se ouviam o pipocar das centenas de foguetes fabricados pelo fogueteiro Romualdo e que ali foram colocados para homenagear o Coronel Chico Xavier.
Sem perder tempo, o Coronel Prefeito desembarcou do vapor e mesmo sem ir em casa, dirigiu-se diretamente para a Usina, onde estava instalado a caldeira e lá, ainda sob os gritos e os aplausos do povo, o pipocar dos fogos de Romualdo e tendo como fundo musical os dobrados e hinos tocados pelas filarmônicas, o Prefeito, orgulhosamente acionando a chave geral, ligou todo o sistema que de imediato passou a gerar energia para toda a cidade, retornando em seguida, nos braços do povo, para a sua residência situada na praça D. Máximo.

OBS.: Para conhecimento da geração mais nova, a Caldeira forneceu energia a Xiquexique até o dia 07/04/1955, quando foi substituída por um motor a óleo diesel. Felizmente as nossas autoridades tiveram o discernimento e o bom senso de preservarem, na Praça 6 de Julho, esse equipamento que tantos serviços prestou aos xiquexiquenses.