segunda-feira, 31 de maio de 2010

Por do Sol em Xique-Xique (BA)


POR DO SOL

A cada dia o Sol, em Xique-Xique, se esconde de uma maneira diferente.

Hoje, se preocupa em destacar as pequenas canoas de pescadores com uma brilhante faixa de ouro líquido.



Prefeitos de Xique-Xique: ADÃO MOREIRA BASTOS

Prefeito Adão Moreira Bastos
– 1946 –

Mandato: 10 de abril de 1946-25 de agosto de 1946.
Presidente da República: Eurico Gaspar Dutra (31.01.1946-31.01.1951).
Interventores Federais da Bahia: Guilherme C. da R. Marback (19.02.1946-26.07.1946) e Cândido Caldas (27.07.1946-10.04.1947).

No dia 03 de abril de 1946 o interventor federal da Bahia Dr. Guilherme Carneiro da Rocha Marback nomeou o Sr. Adão Moreira Bastos para exercer a função de 9º prefeito municipal de Xique-Xique (BA), em substituição ao Dr. Naylor de Souza Nogueira, que solicitou exoneração do cargo. O Sr. Adão Moreira Bastos já havia ocupado a Prefeitura de Xique-Xique, como o 6º prefeito nomeado, no período de 25 de janeiro a 10 de novembro de 1945, tendo sido substituído pelo Dr. José Manoel Viana de Castro, Juiz de Direito da cidade que acumulou as funções de prefeito e magistrado.
O Sr. Adão Bastos recebeu com surpresa a indicação do seu nome para mais um exercício como chefe do Poder Executivo de Xique-Xique, haja vista que o seu plano era concorrer às eleições, de 19 de janeiro de 1947, para a Assembleia Constituinte Estadual, pleiteando uma cadeira de deputado estadual constituinte.
Questionado pelos correligionários sobre a decisão que iria tomar já que em todo o Município os eleitores já tinham como certo a sua candidatura à Deputado Estadual, o Sr. Adão Bastos com a fleuma a cortesia e a delicadeza que sempre caracterizou o seu modo de ser, esclareceu aos seus amigos, no recinto da sua residência, que iria tomar posse no cargo de prefeito municipal, sem que isso o desviasse do projeto de ser deputado estadual constituinte. Isso seria conversado com o Interventor Federal, em futura viagem que faria a Salvador.
Assim, no dia 10 de abril de 1946, recebeu a Prefeitura das mãos do seu cunhado o Dr. Naylor de Souza e procurou encarar o trabalho como Chefe do Executivo até o momento que fosse necessário a sua desincompatibilização para se candidatar a Deputado Estadual. Logo após a posse passou a viajar por todo o interior do Município, verificando a situação do povo, ocasião em que realizou pequenas obra que o orçamento da Prefeitura permitiu. Nos 4 primeiros meses de mandato o Prefeito Adão Bastos fez 8 viagens pelo Município percorrendo todos os distritos e povoados.
Quando decidiu viajar para Salvador afim de conversar com o Interventor Federal, o Prefeito Adão Bastos foi surpreendido com a notícia de que desde o dia 26 de julho de 1946, o novo Interventor da Bahia era o Dr. Cândido Caldas. Imediatamente convocou uma reunião com os correligionários para, antes da viagem, ficar decidido o nome do cidadão que o iria substituir na Prefeitura, pois teria que dar essa informação ao novo Interventor Federal.
Após muito debate e discursos, prevaleceu o nome do Dr. Naylor de Souza Nogueira para reassumir a Prefeitura após a vaga deixada pelo Sr. Adão Bastos. Relutantemente, pois estava nos seus planos se candidatar a vereador, o Dr. Naylor aceitou o novo encargo pois não podia deixar de ajudar ao amigo e cunhado Adão Bastos.
Com o nome do substituto em mãos, o Prefeito Adão Bastos telegrafou para o interventor federal da Bahia, Dr. Cândido Caldas, solicitando uma audiência especial para o dia 16 de agosto, tendo, para essa audiência, levado o Dr. Naylor a tiracolo. Alí, o Sr. Adão Bastos não só convenceu o Interventor a aceitá-lo como candidato a Deputado Estadual, como também ficou acertado o nome do Sr. Naylor Nogueira para substituí-lo na Prefeitura de Xique-Xique. Obtendo amplo sucesso no contato com o Interventor, o Prefeito Adão Bastos, no dia 19 de agosto de 1946, retorna a Xique-Xique, trazendo em mãos o decreto de nomeação, assinado pelo interventor Dr. Cândido Caldas, designando o Dr. Naylor de Souza Nogueira, como o 10º prefeito nomeado, para novamente dirigir os destinos do município de Xique-Xique.
Eventos que aconteceram na gestão do Prefeito Adão Bastos.
12 de abril de 1946: Nasceu Joel Feitosa Souza, na cidade de Chique-Chique, estado da Bahia, filho de Antonio Feitosa Souza e de Maria Feitosa Barbosa.
17 de maio de 1946: Nasceu Luiz Carlos Nogueira Bastos, na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, filho de Adão Moreira bastos e de Olga Nogueira Bastos.
16 de junho de 1946: Nasceu Alcides Marcelino da Silva, na vila de Iguira, município de Xique-Xique, estado da Bahia, filho de Antonio Marcelino da Silva e de Firmícia Bonfim da Silva. Atraído pela política partidária, Alcides Marcelino da Silva se candidatou a uma cadeira na Câmara Municipal de Xique-Xique, nas eleições de 03 de outubro de 1996, sendo eleito. Foi vereador na legislação de 1997-2001, fazendo parte da mesa diretora legislativa, no biênio 1999-2000, no cargo de 2º secretário.
10 de julho de 1946: Nizan Gomes Cunha se casou com Maria Peregrino Cunha, na cidade de Chique-Chique, estado da Bahia. O casal teve dez filhos: Reinilde, Rubem Dário, José Humberto, Maria Neusa, Ivone, Antonio Carlos, Maria de Fátima, Marlene, Ângela Isabel e Paulo Hélder.
OBS.: Informações extraídas e selecionadas do livro “Senhor do Bonfim e Bom Jesus de Chique-Chique” Ed. 1999 – Autor: Cassimiro Machado Neto.

sábado, 29 de maio de 2010

Foto histórica: Casamento em Xique-Xique (BA).

O CASAMENTO


Esta foto registra um dos mais famosos casamentos realizados em Xique-Xique. Os noivos, ela de importante família xiquexiquense, encontram-se ladeados por 6 ilustres casais formados por rapazes e moças da cidade.

Os que assistiram a celebração dessa união conjugal, realizada há mais de 50 anos, até hoje comentam a beleza da grande festa que sensibilizou a elite de Xique-Xique. Vejam se conseguem identificar os noivos e os 6 casais que emolduram o casal de nubentes.

Crônica: Os estudantes e as Viagens de Vapor


VIAGENS DE VAPOR

Vapor era como a gente chamava os navios “gaiola” que navegaram pelo Rio São Francisco, até os anos 1960, tendo como combustível a lenha retirada das árvores nativas da caatinga que vicejavam à margem do rio. Era o meio de transporte mais usado pela população de Xique-Xique devido ao baixo preço da passagem. A outra alternativa de viagem era o uso do avião cuja empresa aérea, Real Aerovias substituída mais tarde pela Varig, fazia escala semanal na cidade numa linha aérea que servia à comunidades ribeirinhas, ligando Belo Horizonte (MG) a Salvador (BA). Mas, essa opção era para as pessoas financeiramente mais abastadas o que eram poucas em Xique-Xique nos anos 1950. O povo e principalmente os estudantes utilizavam o VAPOR nas viagens de ida e volta dos colégios de Salvador por ocasião do início das aulas ou das férias letivas.
Com a construção da rodovia estadual de Xique-Xique a Salvador e após a instalação de uma linha regular de ônibus, as viagens de vapor foram rareando até que deixaram de ser feitas pelos estudantes, devido a impraticabilidade, a demora e a complicação para embarque nas épocas em que o rio estava seco e o vapor não entrava na cidade ficando ancorado “lá fora” no porto do Jenipapo, um local situado no outro lado da Ilha do Gado Bravo que fica em frente a Xique-Xique.
Antes da existência dos ônibus, as nossas viagens de Salvador a Xiquexique, por ocasião das férias letivas, eram bastante complicadas para quem não podia viajar de avião. A solução era pegar um trem de Salvador a Juazeiro (BA) que levava dois dias rodando sobre os trilhos e, ao chegar naquela cidade do interior baiano ter a sorte de contar com um vapor ancorado no porto prestes a zarpar rumo a Xiquexique numa viagem que levava de 3 a 4 dias sem o conforto de um espaço para dormir, pois as acomodações, conhecidas como camarotes, eram em pequeno número, limitavam-se a no máximo 12 unidades nos grandes vapores, o que não atendia nem a um décimo dos passageiros. Para suprir essa deficiência a tripulação distribuía redes ou colchonetes que eram armadas e espalhados pelas áreas comuns do vapor a partir das 22 horas, quando todas as luzes se apagavam e os passageiros que viajavam de camarotes já estavam acomodados nos seus aposentos.
Caso não existisse vapor ancorado no porto de Juazeiro (BA), a solução era procurar uma barca a motor que estivesse de saída para Xiquexique ou então, tratar de matar o tempo naquela cidade, até que aparecesse um transporte que subisse o rio. Mesmo estando ansiosos para chegar, gostávamos de passar um ou dois dias em Juazeiro (BA) que já naquele tempo se nos afigurava agradável, principalmente pelo fato de podermos contar com os passeios a Petrolina (PE) que fica na outra margem do rio.
Os grandes vapores, como o da foto, preferidos pelos passageiros, possuíam 3 níveis ou 3 pavimentos. O primeiro logo acima do nível da água era onde se encontravam as máquinas, a caldeira, o depósito de lenha e uma pequena área onde à noite era destinada para armar as redes dos passageiros que ali viajavam. Esse local, era conhecido como a 2ª classe do vapor. Os passageiros da 2ª classe eram pessoas de baixa renda que geralmente estavam se dirigindo para Pirapora (MG) onde tomariam um trem com destino a São Paulo. Essas pessoas que representavam o êxodo nordestino não tinham acesso ao andar superior denominado de 1ª classe. Ali, na primeira classe, existia um salão com vista frontal para o rio e um salão nos fundos onde funcionava o restaurante. Entre essas duas áreas situavam-se os camarotes. Acima da 1ª classe ficavam as acomodações do comandante e demais oficiais tripulantes do vapor, bem como a cabine de comando e o característico apito. Para os passageiros da 1ª classe a viagem era relativamente agradável e confortável. As refeições sempre variadas, eram servidas com toda o esmero, por garçons, num pequeno salão onde haviam mesas e cadeiras dispostas a exemplo de restaurante.
Tanto os vapores quanto as barcas a motor faziam o mesmo itinerário quando saíam do porto de Juazeiro (BA), rio acima, com destino a Pirapora (MG). A primeira grande emoção era a passagem pelas corredeiras da cachoeira de Sobradinho. Foi nesse ponto das corredeiras que o Rio São Francisco foi barrado dando origem ao grande lago de sobradinho, um dos maiores lagos do mundo com um comprimento médio de 400 km e largura média de 20 km, cuja barragem fica a uma distância de 50 km de Juazeiro (BA). Essa travessia das corredeiras além de muito exigir dos motores das embarcações, também servia para testar a destreza do piloto, conhecido entre os barranqueiros como “prático”.
Após as corredeiras de Sobradinho, a viagem era relativamente tranqüila e vagarosa com o vapor ancorando em todas as cidades ribeirinhas abundantes ao longo do Rio para pegar passageiros, mercadorias ou a lenha para combustível. A primeira era Casa Nova (BA), atualmente submersa e substituída por outra cidade construída na margem do Lago de Sobradinho e com o mesmo nome. A velha Casa Nova foi o berço de tradicionais famílias baianas, destacando-se a família Viana tendo como representante máximo o Dr. Luiz Viana que chegou a ser governador da Bahia.
Saindo de Casa Nova, o próximo destino era Sento-Sé (BA), que também foi submersa e substituída por outra cidade com o mesmo nome. Sento Sé é a terra natal dos ascendentes das famílias Moraes e Afonso, radicadas em Xique-Xique desde o início do sec. XX e ainda com muitos representantes ali residindo. A próxima cidade era Remanso (BA), que a exemplo das anteriores, atualmente se encontra no fundo do rio tendo os moradores se transferido para outra construída e com a mesma denominação. A última cidade, antes de Xique-Xique, era Pilão Arcado (BA), terra de gente valente e muitos cooneis, que também desapareceu sob as águas do Lago Sobradinho..
Com a chegada em Pilão Arcado já tínhamos percorrido 3/4 da viagem e já sentíamos o cheiro de Xiquexique que estava logo ali a mais ou menos 110 km de água. Neste caso, ir de Juazeiro para Xique-Xique, subindo o Rio São Francisco, de barca ou de vapor, se gastava em torno de 4 dias e assim, estaríamos chegando em casa, depois de 6 dias de viagem, contados a partir de quando havíamos tomado o trem em Salvador e desde que tivéssemos a sorte de encontrar um vapor esperando por a gente no porto de Juazeiro (BA).
Não obstante a maratona de 6 dias, essa viagem da Salvador a Xique-Xique, por ocasião das férias, era ansiosamente esperada e feita com muita alegria e disposição, vez que, dentro do possível, todos os estudantes de Xique-Xique viajavam juntos no mesmo trem e no mesmo vapor.

A origem do Cangaço - Jesuino Brilhante


OS CANGACEIROS

É difícil localizar uma data precisa para a origem dos cangaceiros no sertão nordestino, mas, existem teorias que apontam a ancestralidade mais próxima do Cangaço em grupos de bandidos que agiam desde o século XVIII, espalhando o terror entre a população sertaneja a fim de impor a lei dos latifundiários e garantir a disciplina e a manutenção da propriedade.
O fenômeno do cangaço pode ser classificado de três formas: o cangaço por vingança, como profissão e por refúgio. Lampião é o principal exemplo de cangaço por vingança, cuja existência se justifica pela total ausência do exercício da justiça por parte do Estado.
O precursor do cangaço tal como é conhecido na atualidade foi José Alves de Melo Calado que se auto denominou de Jesuíno Brilhante (foto), ficando conhecido em toda a Região como “O cangaceiro romântico”, tendo formado seu bando em 1871, no Rio Grande do Norte.
Era um homem de baixa estatura, espadaúdo, ruivo, de olhos azuis e tinha como característica ficar meio gago quando se zangava. Era um incomparável atirador de pistola, atirando com as duas mãos e com pontaria infalível. Bom jogador de faca e extraordinária força física que lhe garantia sucesso em lutas corpo a corpo.
JESUÍNO BRILHANTE nasceu na cidade de Patu (RN), em 1844, filho de fazendeiros de classe média daquele município. Em 1871, após um seu irmão haver sido surrado em praça pública, por vingança, formou seu próprio bando e entrou para o cangaço, tendo, contudo implantado, à sua maneira, um sistema de “justiça” onde reinava a lei do mais forte, não tendo feito do cangaço uma profissão. Constantemente fazia intervenções em questões sociais, como por exemplo, quando roubava gêneros alimentícios das fazendas dos coronéis para distribuí-los matando a fome da população pobre nas épocas de secas no sertão. Em muitos casos, os alimentos enviados pelo governo federal para serem distribuídos à população ficavam nas mãos dos latifundiários e nunca chegavam ao povo. Também se destacou por intervir em situações de violência sexual contra as mulheres pobres e indefesas.
De 1871 a 1879, implantou um “Estado paralelo” na caatinga, abrangendo toda a região do município de Patu (RN). Muitos autores nordestinos escreveram sobre Jesuíno Brilhante, destacando-se Luis da Câmara Cascudo, Gustavo Barroso, Ariano Suassuna e Raimundo Nonato, sendo este último o autor do livro “Jesuino Brilhante – O Cangaceiro Romântico” . Para Câmara Cascudo, ele "foi o cangaceiro gentil-homem, o bandoleiro romântico, espécie matuta de Robin Hood, adorado pela população pobre, defensor dos fracos, dos velhos oprimidos, das moças ultrajadas, das crianças agredidas”. Câmara Cascudo afirma ainda que Jesuíno "nunca exigiu dinheiro ou matou para roubar". A imaginação popular acrescentou à biografia do cangaceiro centenas de batalhas, das quais Jesuíno Brilhante teria participado sem que tivesse levado um só tiro.
Jesuino Brilhante morreu em dezembro de 1879, na região das Águas do Riacho de Porcos, Brejos da Cruz, na Paraíba, após ser baleado no braço e no peito.

Foto de amantes: Casal de Zebras.


CASAL DE ZEBRAS

Não sei porquê a zebra passou a representar, após a instituição da loteria esportiva, o inesperado ou algo dificil de acontecer. Sempre que um time de futebol, mais fraco, ganhava o jogo, logo aparecia o retrato de uma zebra dando boas gargalhadas.
Mas, não é o que está acontecendo com a foto do casal ao lado, vez que, após o carinhoso colóquio via pescoço, o resultado é bastante conhecido de todos, demonstando assim que nem tudo da zebra é inesperado.

Agradecimentos aos novos seguidores





O BLOG XIQUEXIQUE AGRADECE, SENSIBILIZADO, A CHEGADA DOS NOVOS SEGUIDORES PEDRO SAMPAIO E SANÇÃO DO RETIRO, PROMETENDO MANTER A MESMA LINHA EDITORIAL E ESPERANDO PODER CONTINUAR ATENDENDO A EXPECTATIVA DE TODOS OS QUE, GENTILMENTE, SE DIGNAM EM ACOMPANHAR O MODESTO BLOG.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

AGRADECIMENTOS AOS NOVOS SEGUIDORES




O BLOG XIQUEXIQUE AGRADECE, SENSIBILIZADO, A CHEGADA DOS NOVOS SEGUIDORES CLEBER, ROMEU JÚNIOR, GEOPRM, ENALDO NUNES, MONS. COSTA e MARY, PROMETENDO MANTER A MESMA LINHA EDITORIAL E ESPERANDO PODER CONTINUAR ATENDENDO A EXPECTATIVA DE TODOS OS QUE, GENTILMENTE, SE DIGNAM EM ACOMPANHAR O MODESTO BLOG XIQUEXIQUE.



sábado, 22 de maio de 2010

Crônica: Festa do Divino Em Xique-Xique (BA)



FESTA DO DIVINO

Domingo passado, dia 23 do mês em curso, a Igreja Católica celebrou uma das mais importantes festas religiosas: O PENTECOSTES, a descida do Divino Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, sobre os Apóstolos que estavam trancados com medo dos judeus, ocasião em que todos ficaram cheios da Graça Divina e começaram a falar em outras línguas (At 2,1-4).
Essa festa religiosa, movel, é, principalmente nas cidades do interior, conhecida como a FESTA DO DIVINO, foi trazida pelos portugueses por ocasião da colonização e a forma como era feita no sec. XVI, teve grande aceitação e penetração em todo o interior do Brasil.
No meu tempo de menino em Xique Xique (BA), nos anos 1950, a festa do Divino, promovida pela Igreja Católica e que acontecia geralmente no primeiro semestre de cada ano, era uma das mais importantes perdendo apenas para a do Senhor do Bonfim, padroeiro da cidade.
Mas, essa festa, ao lado do caráter religioso, tinha, também, um lado profano, muito especial que, de modo geral, rivalizava com o sagrado, principalmente pela importância que os fieis atribuiam aos imponentes personagens que da festa perticipavam. Mas essa participação popular não empanava a importância liturgica do evento que estava sendo celebrado e, se o Pároco concordava com a manifestação em paralelo era simplesmente para não contrariar uma tradição popular e religiosa dos xiquexiquenses.
O lado profano da FESTA DO DIVINO era representado pela eleição, no final da Missa de três cidadãos da cidade que seriam os responsáveis pela realização da festa no ano seguinte e alvo das manifestações populares.
A primeira e mais importante eleição era a do IMPERADOR DO DIVINO, principal responsável pela preparação e realização da festa, devendo ser, ao mesmo tempo, seu maior investidor e aquele através de quem a cidade iria prestar suas homenagens ao Espírito Santo de Deus. O "Imperador" era tido como uma espécie de representante temporário do Divino Espírito Santo, e por isso se torna objeto de todas as homenagens e deferências durante os festejos. Por isso, o momento principal se dá com a “Coroação do imperador”, normalmente representado por um filho do cidadão eleito, solenidade que acontecia no início da Missa festiva do Divino. É também o momento em que a sociedade local estabelecia os termos rituais da continuidade da festa do Divino, de modo solene, ao estabelecer a passagem de um “ano imperial” para outro .
Bem antes de iniciar a importante Missa da festa de Pentecostes, a população da cidade se aglomerava na porta da Matriz para receber o "imperador" e seus vassalos que chegavam exuberante e ricamente trajados, montados em bonitos cavalos dos quais desmontavam na porta do Templo. A partir daí o "imperador", seguido dos vassalos, adentrava à Igreja, sobre longa passarela vermelha para, sentado em trono ricamante decorado, assistir à Missa Solene. Durante toda a missa esse personagem era objeto de intensa curiosidade por parte da população que atingia o clímax, no final da missa com o sorteio, para o ano seguinte, do novo "imperador" e seus vassalos.
Junto com o “Imperador” sorteavam-se, também, o Guarda Bandeira e o Capitão do Mastro.
O Guarda Bandeira recebia no ato do sorteio uma bandeira de seda vermelha ilustrada com o bordado de uma pomba branca representando o Divino Espírito Santo. O Guarda era o responsável pela conservação e manutenção (incluindo reformas) da Bandeira. Durante o ano a Bandeira percorria toda a cidade, visitando casa por casa sendo essa visita muito querida e esperada pelos fieis pois, simbolicamente, representava a visita do Espírito de Deus. Além do aspecto religioso, o que causava muitas alegrias aos residentes, a visita tinha também o objetivo de arrecadar alguma contribuição em dinheiro, dos que podiam dispor de alguma quantia, para o custeio da festa do Divino.
O Capitão do Mastro era o responsável pela guarda, manutenção e conservação do mastro durante um ano, para, quando do início das novenas da festa do Divino enterrá-lo na porta da Igreja. O mastro era um tronco de árvore com mais de 20 metros de altura, pintado de vermelho e encimado por uma bandeira do Divino que passava 9 dias tremulando em frente à Igreja.
O Imperador e seus vassalos, o Guarda Bandeira e o Capitão do Mastro eram os cidadãos mais importantes da cidade na época da Festa do Divino, sendo que o primeiro se encarregava de patrocinar a missa, a procissão do Divino e, após as solenidades religiosas, oferecer aos fiéis um lauto almoço na sua residência para o qual eram convidados as pessoas que estavam dentro do círculo de amizade desses tres personagens.
Algumas pessoas queixavam-se, sem fundamento, de que o sorteio do "imperador", sempre recaia sobre uma família rica da cidade. Sou testemunha de que algumas vezes o "imperador" sorteado não fazia parte da elite financeira. Explica-se pela forma como é feito o sorteio. Com uma certa antecedência as famílias que desejavam participar da escolha do "imperador", apresentavam ao Pároco o seu nome para constar de uma lista de candidatos. No dia da festa, no final da Missa o sorteio era feito somente entre aquelas famílias que externaram o desejo de serem, por sorteio, o "imperador" na festa do ano seguinte.
Todavia, não obstante a importância que se dava ao escolhido bem como o carisma que cercava o "imperador" principalmente quando aparecia devidamente paramentado na porta da Igreja no dia da festa, o lado religioso do evento, quando se comemora a descida do Espírito de Deus sobre os Apóstolos que estavam trancados e com medo dos judeus, sempre teve muita importância para os xiquexiquenses que com espírito contrito e cheios de fé demandavam em massa para a Missa solene da Festa do Divino, com destaque especial para D. Apolinária (D. Pulú) que, com grande espiritualidade e muita religiosaidade se encarregava da parte liturgica de todas as comemorações religiosas levadas a efeito pela Igreja Católica de Xique-Xique.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Foto Antiga: Secretariado do Prefeito Cel. Francisco Xavier Guimarães.

O PREFEITO E OS SECRETÁRIOS


O Coronel Francisco Xavier Guimarães foi o cidadão xiquexiquense que por mais tempo, em períodos alternados, exerceu a chefia do Poder Executivo em Xique-Xique (BA). No dia 05 de junho de 1933 o Cel. Francisco Xavier Guimarães assume pela terceira vez o cargo de Prefeito da cidade para um mandato que durou até 30.11.1938. Antes havia exercido a função de Intendente Municipal por dois mandatos, o primeiro de 1920/1922 e o segundo de 1923/1924.
No terceiro mandato, 1933/1938, o Coronel destacou-se dos demais administradores pela introdução da energia elétrica movida a vapor (uso da caldeira) em 1936 e pela construção das Escolas Reunidas Cézar Zama, conhecido como "O PRÉDIO", a primeira escola pública da cidade, em 1937.
A foto registra o Prefeiro Coronel Francisco Xavier Guimarães, em seu terceiro mandato, cercado pelos seus auxiliares na Prefeitura. Quem são os auxiliares? Conhecem?


Por do Sol em Xique-Xique (BA)



POR DO SOL


Às vezes o nosso astro rei se cansa de, rotineiramente, completar o seu passeio diário de 180° pela abóbada celeste.
Assim, algumas vezes permite-se brincar com as sombras e, em parceria com as nuvens forma figuras fantasmagóricas mais parecidas com monstros pré-históricos, com o único objetivo de enfeitar o final do dia.
Quando isso acontece o Lago Ipueira fica emoldurado por essas ilustrações que podem ser facilmente admiradas pelos xiquexiquenses.

Fotos de Amantes: Casal de Macacos

A FARRA


A orgia não é uma prática exclusiva da espécie humana. Esse mau procedimento pode ser copiado, também pelos animais que mais se parecem conosco.

Esse casal de símios, após ou antes do momento amoroso, esbalda-se numa farra com o amante se dando ao direito de, usando óculos a la Waldik Soriano, fumar e fazer pequenos círculos de fumaça enquanto abraça a namorada que, pelo semblante está muito feliz.


Pelo jeito, a farra promete

Propaganda Antiga: A famosa ANTISARDINA


ANTISARDINA (o segredo da beleza feminina).

No ano de 1948 o creme facial ANTISARDINA prometia transformar as peles problemas em suave e "acetinada", "dando-lhe mais viço e frescor", ao propor DESCERRAR O VEU QUE ENVOLVE A BELEZA de cada mulher.
Esse anúncio, para a época, mostrava uma clara evolução da propaganda brasileira. Ilustração bem produzida, título chamativo, texto curto e, o produto em sua embalagem, fecham um conjunto harmônico e bem profissional.
O que pensam as mulheres de hoje passados esses 62 anos? Ainda usam Antisardina ou já existe algum similar substituindo o produto?

Prefeito Municipal: Dr. Naylor de Souza Nogueira

Prefeito Naylor de Souza Nogueira (8º)
– 1946 –

Mandato: 02 de janeiro de 1946 -10 de abril de 1946.
Presidentes da República: José Linhares(29.10.1945-31.01.1946) e Eurico Gaspar Dutra (31.01.1946-31.01.1951).
Interventores Federais da Bahia: João Vicente Bulcão Viana (28.10.1945-19.02.1946) e Guilherme C. da R. Marback (19.02.1946-26.07.1946).

Aceitando o pedido de renuncia feito pelo Prefeito Dr. José Manoel Viana de Castro, no dia 12 de dezembro de 1945 o interventor federal Dr. João Vicente Bulcão Viana designou para substituí-lo o Dr. Naylor de Souza Nogueira que tomou posse no dia 02 de janeiro de 1946 como 8º Prefeito nomeado de Xique Xique (BA).
O Dr. Naylor de Souza Nogueira era cirurgião dentista e filho do coronel José de Souza Nogueira que foi o primeiro prefeito nomeado para o mandato de 28.11.1930 a 05.06.1933 e de dona Alcina Nogueira.
Teve um mandato curtíssimo que durou apenas noventa e oito dias, tempo ínfimo, em uma época de vacas magras, insuficiente até para elaborar um mero e simples projeto, muito menos para executá-lo. Além do mais, sendo um período de mudanças em todas as esferas governamentais, praticamente nenhum político que estivesse ocupando algum cargo eletivo andava preocupado com qualquer fato novo a não ser com que função iria se ocupar quando passasse a transição. Coube-lhe, apenas como prefeito cumprir o expediente normal no gabinete da Prefeitura.
Entrou na História de Xique-Xique, mas gostaria de fugir o quanto antes daquele tédio diário do não tem nada o que fazer. De tanto pensar, resolveu agir: no dia 31 de março de 1946 o prefeito Dr. Naylor de Souza Nogueira telegrafou para o interventor federal da Bahia Dr. Guilherme Carneiro da Rocha Marback solicitando demissão do cargo.
No dia 03 de abril de 1946 o interventor federal da Bahia decidiu nomear o Sr. Adão Moreira Bastos, que já havia sido o 6º prefeito municipal no ano de 1945, por quase dez meses.
Apesar de estar com o objetivo de concorrer às eleições para a Assembleia Constituinte Estadual que se realizaria em janeiro de 1947, o Sr. Adão Bastos aceitou a indição e assumiu como o 9 º prefeito nomeado, tendo tomado posse no dia 10.04.1946. O novo prefeito Adão Bastos era casado com uma das irmãs do prefeito Dr. Naylor Nogueira e portanto seu cunhado.
Eventos acontecidos durante o governo:
***12 de janeiro de 1946: Nasceu Edilton Torres Rapadura, na cidade de Chique-Chique, estado da Bahia, filho de Mário Torres Rapadura e de Odília Pereira Machado.

A OBRA SACRA DE CARLOS ROLDÃO


O ESCULTOR XIQUEXIQUENSE

CARLOS ROLDÃO, jovem e autodidata escultor xiquexiquense hrdando a vocação dos seus ascendentes, a mãe Iris, famosa artista e artesã xiquexiquense e o avô Roldão, famoso pintor que por muitos anos pontificou com as pinturas decorativas das famosas residências da cidade, que já vinha se impondo como grande escultor, desponta agora como grande artista sacro com a escultura da imagem de Santa Rita de Cássia que agora embeleza a entrada da cidade homônima, da qual é a padroeira. Vejamos, na íntegra, a matéria sobre o assunto publicada por Marília Fidélis, ilustrada com fotos de Valdir Paz, no jornal da Prefeitura daquela cidade.

"Prefeitura Municipal de Santa Rita de Cássia inaugura imagem da padroeira colocada na entrada da cidade.
Texto: Marília Fidé
lis Fotos: Valdir Paz
A Prefeitura Municipal de Santa Rita de Cássia, cidade distante 1.027 km de Salvador, inaugurou ontem, 17 a imagem de Santa Rita de Cássia. A escultura religiosa é a padroeira da cidade, que também realiza todos os anos a missa no dia 22 de maio, além do evento festivo que começa dia 21 e vai até o dia 23 de maio.
A inauguração contou com a presença de autoridades políticas, religiosas, os santarritenses e o Pe. Matteo Soma da paróquia da cidade. No primeiro moment
o, houve aclamação em cantos e a palavra de Deus. Em seguida, o professor José Olavo falou que a imagem é o resgate da história do município. “Santa Rita foi uma mulher que existiu. Ela faz parte da nossa história e merece receber o nome da santa das causas impossíveis”, afirmou.
Após a imagem da Santa ser apresentada, o Pe. Matteu Soma benzeu-a dizendo aos fiéis que a obra mostra ser um significado de fé e esperança aos devotos de Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis. “Muitos católicos e também devotos de Santa Rita de Cássia sempre fazem suas promessas e pedidos à santa. O local onde a imagem estará servirá também para as pessoas acenderem suas velas e entregar seus pedidos”.
O prefeito do município, Romualdo Rodrigues Setubal disse que essa imagem é um marco que representa a cidade, levando em consideração que todos os municípios possuem seu símbolo. “Estamos felizes com esta construção de fé e renovação de esperança à nossa padroeira. Sinto-me honrado pela criatividade dos meus parceiros de trabalho (Rômulo Setubal e Miguel Alves) para a construção desta imagem. Esta obra é um compromisso da minha primeira gestão que foi construída neste ano de 2010. O governo Compromisso com Você quer realizar aquilo que as pessoas esperam e desejam dessa administração. Muitas obras virão, porque o povo desta terra merece e devemos retribuir a confiança depositada”, disse o prefeito.
O artista e escultor da imagem, Carlos Roldão, disse que quando começou a fazer a escultura sentiu uma grande emoção devido esta ser a primeira imagem da santa que ele fez. “Passei 40 dias para confeccionar esta imagem. O processo de construção se começa com o modelo, em seguida faço este modelo com água e argila e depois a fibra. Fico muito feliz de ver a imagem sendo apreciado por tantos fiéis”, explicou.
Aposentada e residente no município há mais de 30 anos, dona Alzira Guedes disse que estava maravilhada com a escultura que viu. Devota de Santa Rita de Cássia, ela aproveitou o momento e entregou seus pedidos à santa das causas impossíveis. “Esta imagem representa aquilo que nossa terra é, e o que nossa santa foi. Nós merecemos esta imagem que é o símbolo da nossa história cristã”.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

História: POMPEU o Expedicionário Xiquexiquense


XIQUE-XIQUE NA 2ª GRANDE GUERRA

Em meados de 1944, sob o comando do general Mascarenhas de Morais, partiu para a Itália a Força Expedicionária Brasileira (FEB). O primeiro escalão da FEB, sob o comando do general Zenóbio da Costa, desembarcou em Nápoles, em 16 de julho de 1944, onde foi incorporado ao 5º Exército dos Estados Unidos.
A FEB dirigiu-se para o norte da Itália, onde se desenvolveria a ofensiva aliada entre os rios Arno e Pó. Os expedicionários lutaram ao lado das forças aliadas nas batalhas de Camaiore, Monte Castelo, Castelnuovo, Montese e Fornovo. Durante o conflito a Marinha Brasileira acompanhou, prestando cobertura, mais de 3 mil navios mercantes. As cinzas dos 451 oficiais e praças brasileiros mortos no conflito, entre eles oito pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB), foram transladados do cemitério de Pistóia, na Itália, para o Brasil, em 5 de outubro de 1960, e hoje repousam no monumento aos mortos da II Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.
Quando a Segunda Grande Guerra foi deflagrada, nos idos de setembro de 1939, o Brasil estava sob a ditadura de Getúlio Dornelles Vargas, que, segundo algumas versões históricas achava-se indeciso, se apoiava os países Aliados ou os países do Eixo, somente vindo a juntar-se aos aliados, quando os nazistas destruíram navios mercantes brasileiros, alguns deles em águas nacionais.
Xique-Xique, também, teve o seu “pracinha”, representado pelo herói Pompeu Ribeiro dos Santos que embarcou com destino à Europa, tendo servido junto as tropas Aliadas, concentrando-se no território italiano e contribuindo grandemente para derrotar o nazismo-fascismo e ajudar o mundo a respirar liberdade e democracia.
Nascido no dia 14 de dezembro de 1922, filho do Sr. José Ribeiro dos Santos e de D. Maria Ribeiro, permaneceu no Itália até meados de 1945, tendo retornado a Xique-Xique, no final da guerra, no quarto trimestre desse ano.
O soldado Xiquexiquense sentiu o impacto dos bombardeios que arrasavam a periferia e as proximidades das instalações brasileiras. As terríveis experiências vividas na Itália pelo "pracinha" Pompeu Ribeiro dos Santos acabaram lhe custando, na continuação de sua vida, após o retorno, um preço muito alto. Durante o transcorrer de sua existência o expedicionário Pompeu Ribeiro dos Santos passou por intensos surtos de pavor e de medo das lembranças que marcaram sua vida. Principalmente depois dos quarenta e cinco anos de idade.
Ao retornar a Xique-Xique, o expedicionário foi alvo de grandes homenagens pelos conterrâneos, que o receberam em carro aberto, desfilando pela Av. Dr. J. Seabra, Praça Dom Máximo, Rua Mal. Deodoro da Fonseca encerrando o desfile com muitos discursos em palanque oficial colocado defronte à Prefeitura.
Pompeu casou-se em Xique-Xique com a Sra. Maria Madalena Chaves dos Santos e tiveram 14 filhos. Faleceu no dia 27 de maio de 1989, aos 67 anos de idade.
Foi homenageado pela Câmara Municipal da cidade que colocou seu nome numa das principais ruas centrais de Xique-Xique.

PRAÇA DO PIRULITO X PRAÇA GETÚLIO VARGAS


Elucidando dúvidas.


Em 18 do mês em curso postei a foto à esquerda, indicando tratar-se da Praça 6 de Julho, conhecida na década de 1950 como PRAÇA DO PIRULITO, e, atualmente chamada pela população como Praça da Caldeira.
A matéria foi divulgada no Blog XIQUESAMPA do, também, xiquexiquense Adriano que reside em São Paulo, tendo sido objeto de alguns comentários feitos por jovens conterrâneos informando que "a praça da Caldeira nunca se chamou praça do Pirulito, com esse nome é aquela praça de calçamento rustico, onde ficava o Canecão, bar do Pacheco, no meio da rua e acho que ainda existe, um monumento parecendo um pirulito, por isso o nome."
O monumento a que se refere o comentarista "parecendo um pirulito" ainda existe (foto a direita) e está situado na Praça Getúlio Vargas, "onde ficava o Canecão".
São dois obeliscos totalmente diferentes: o da foto a esquerda foi construido e inaugurado no dia 06.07.1932 pelo Prefeito Cel. José de Souza Nogueira para comemorar o centenário da Emancipação Política de Xique-Xique, dando ao local o nome de Praça 06 de Julho. Esse obelisco bem como o círculo de cimento que o contornava não mais existem, mas, pelos xiquexiquenses sexagenários e septuagenários o local era conhecido como "Praça do Pirulito". A foto da direita, segundo obelisco, foi construído pelo Prefeito Ten. Antônio Justiniano de Souza, no ano de 1942 para homenagear o ditador Getúlio Vargas e deu ao local o nome de Praça Getúlio Vargas. Esse obelisco ainda existe e deve ser conservado e protegido de demolição pois é um dos marcos históricos da cidade. Nunca foi chamado de Praça do Pirulito.
Esses esclarecimentos tem apenas o objetivo de informar aos jovens xiquexiquenses que não tiveram a felicidade de andar de bicicleta em volta do Pirulito, situado nos fundos da Igreja Matriz.







quarta-feira, 19 de maio de 2010

Campanha Presidencial: Visita ao PADIM CIÇO


O CANDIDATO DO PSDB
no Ceará: muita cena e pouco apoio

Bastou a candidata Dilma Russeff, do PT, colocar 2,5 pontos na frente do candidato José Serra, do PSDB, segundo pesquisa realizada nos dias 10 a 14 do mês em curso, pelo Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte - CNT (35,7 x 33,20) e o PMDB oficializar a indicação de Michel Temer para vice na chapa do PT, para que todo o PSDB, tendo a frente o seu condidato à Presidência da República se mandasse para a cidade de Juazeiro do Norte (CE) para pedir a bênção ao PADIM CIÇO.
Aos pés da estátua o Padim, no Horto, o candidato do PSDB chegou ao ponto de, repetindo o gesto do romeiros do Padre Cícero, "andar em volta da bengala do padre por três vezes, amarrar uma fitinha e pedir para ser Presidente da República", para no final declarar alto e bom som: "Vim absorver um pouco desse espírito", disse o candidato José Serra após deixar sua assinatura na base da estátua.
Entre outras coisas, durante a visita à Juazeiro do Norte (CE), terra do PADIM CIÇO, o candidato José Serra chegou a cantar o refrão "Só deixo o meu cariri no último pau-de-arara...". Logo depois, em dueto com o Senador Tasso Jereissati, cantou "Vida de Viajante".
Tudo dentro de um roteiro para amenizar sua alta rejeição no Nordeste.
HAJA ORAÇÃO!!
Não obstante toda essa movimentação, PADRE CÍCERO, o "PADIM CIÇO" só atende pedido de quem é amigo do nordeste. Quem avisa amigo é!!!
OBS.: Informações e foto obtidas nas edições do "DIÁRIO DO NORDESTE" dos dias 18 e 19 de maio/2010.

sábado, 15 de maio de 2010

Crônica: OS ESTUDANTES


OS ESTUDANTES

Na década de 1950 o único curso existente em Xique-Xique(BA) era o Primário, por todos frequentado nas Escolas Reunidas Cézar Zama, também conhecida como “O PRÉDIO”, único grupo escolar estatal.
Por isso, quem quisesses continuar os estudos e concluir o ginásio e o segundo grau para poder fazer o vestibular teria que ir estudar em outra cidade. A preferência era por Salvador, mas, muitos estudaram na cidade da Barra (BA), na cidade de Senhor do Bonfim (BA) e na cidade de Petrolina (PE), tendo como principal motivo as limitações financeiras dos pais. Esses jovens que tinham a felicidade, a sorte e o privilégio de saírem de Xique-Xique para estudar fora eram, genericamente, denominados de ESTUDANTES.
Naturalmente, naquele tempo onde reinava a pobreza no meio da grande maioria da população, sair de Xique-Xique para estudar em outra cidade, mesmo na vizinha Barra era uma proeza só permitida para os tidos como ricos locais. E aí fica a questão: como não existiam ricos, mas apenas poucos comerciantes remediados e esforçados, como se explica que um grande número de jovens xiquexiquenses foi estudar o ginásio e o científico em outras cidades, principalmente em Salvador? A resposta está no instituto da “Bolsa de Estudos”, principalmente as bolsas federais, geralmente obtidas por intermédio de um político e que se destinavam a alguém, sem condições financeiras, que quisesse estudar e que fosse da sua ala política. Foram essas “bolsas de estudos” que permitiram grande número de jovens xiquexiquenses continuar os estudos em outra cidade.
Mas, o que mais caracterizava a juventude de Xique-Xique naquela década, independente da situação financeira dos pais, era a disposição que tinham para estudar. O sonho maior de qualquer jovem era poder continuar os estudos além do curso primário, nem que fosse na cidade da Barra no ginásio do Sr. Elísio Mourão, uma pequena instituição particular que fazia concorrência com o colégio Santa Eufrásia, das freiras. Talvez essa generalizada vontade de estudar tenha explicação no fato de que antes, nas décadas de 1930 e 1940, quando existia uma elite rica que ganhara muito dinheiro vendendo cera de carnaúba durante a segunda grande guerra, os filhos desses fazendeiros foram estudar em Salvador e até mesmo no Rio de Janeiro e isso deve ter influenciado a geração dos anos 1950 para, também, ampliar os estudos além do curso primário.
Podemos afirmar, sem medo de errar que os jovens que estudavam em outras cidades, somavam pelo menos 50 (cinqüenta) rapazes e moças que passavam o ano internos e internas nos colégios de padres e de freiras somente retornando a Xique-Xique nas épocas das férias letivas no meio e no fim de cada ano. E, esse número tem uma grande representatividade se levarmos em conta que Xique-Xique na década de 1950 era uma pequenina cidade do interior baiano, com não mais que 5.000 habitantes, sem energia elétrica, sem ligação rodoviária com a capital e dispondo de apenas uma escola primária estadual.
A estudantada interna nos colégios, sem dinheiro e sem opção de se divertir nas cidades onde estudavam, passava o semestre com a idéia fixa de voltar a Xique-Xique para desfrutar ao máximo nas férias letivas. Para a gente, naquele tempo, as férias em Xique-Xique era a melhor coisa do mundo. Não tinha programa que conseguisse desviar um dos estudantes das suas férias na cidade.
Devido á escassez de opção de transporte, geralmente os estudantes chegavam, normalmente, quase juntos, pois tínham que aproveitar ao máximo os transportes que se apresentavam. Quando chegavam de Salvador, as meninas que na grande maioria estudavam no Colégio Santa Eufrásia da Barra, já estavam todas na cidade devido à proximidade do colégio. Com a chegada dos estudantes, tinham início as animações a começar pela movimentação no jardim da Praça D. Máximo que nas férias ficava repleto de moças e rapazes adolescentes.
Essa movimentação começava no máximo, às 19 horas e ia até as 22 horas, quando o motor da “usina” dava o segundo sinal avisando que a luz ia se apagar. Mas, era tempo mais do que suficiente para dar uma voltinhas no jardim, namorando ou simplesmente batendo um papo com os amigos e amigas para logo seguir em direção à pensão de D. Hermínia Bessa, cujos netos também estudavam em Salvador, que tinha a maior alegria em receber os estudantes em sua modesta pensão, afastar os móveis da sala, ligar a radiola e nos ver alegres e dançando. A pensão de D. Hermínia Bessa já foi objeto de matéria no Blog XIQUEXIQUE no dia 10.out.2009.
A dança, quase diária, na pensão de D. Hermínia somente era dispensada quando, a Diretoria do Clube Sete de Setembro, atendendo aos insistentes pedidos dos jovens se dignava a favorecê-los com a abertura do clube que, nessa época, já dispunha de alguns discos mais novos do que o repertório surrado da Pensão de D. Hermínia. Mas, nem sempre a gente conseguia abrir a “Sete” e tinha mesmo que nos conformar com os discos da pensão compensados com a boa vontade de D. Hermínia.
Assim era a vida dos estudantes xiquexiquenses naqueles idos de 1950. Passavam todos os dias das férias sem nada fazer de novidade naquela pequenina cidade. Pela manhã, quando o rio estava cheio, a distração era pular do cais. À tarde a turma ficava jogando sinuca, pescando ou conversando com os amigos no jardim, à tardinha, quando o sol esfriasse um pouco e à noite, a partir das 19 horas já estavam circulando pelo jardim de mãos dadas com a namorada, dançando na pensão de D. Hermínia ou na “Sete”, até as 22 horas. Eram coisas muito modestas, mas que davam muitas alegrias. Praticamente não se fazia uso diário de bebidas alcoólicas e as brincadeiras eram sadias, pois meninos e meninas se conheciam desde pequenos, quando estudantes do primário no “Prédio” e tinham a maior consideração uns com os outros. Os namoros limitavam-se a pegar na mão, um beijinho apressado e excepcionalmente, uns amassos muito discretos. Essa era a vida de estudante em Xique-Xique. Eram felizes.

O Cemitério Novo de Xique-Xique (BA).

OS CEMITÉRIOS DE XIQUE-XIQUE
Zeca, em excelente reportagem postada, no dia 14 deste, no BLOGDOZECA100, nos dá uma ideia da situação de abandono em que se encontram os 3 cemitérios da cidade, conforme ilustrado nas fotos obtidas pelo autor. A reportagem obteve amplo sucesso e grande penetração entre os milhares do leitores do Blog, com reflexos nos inúmeros comentários sobre o assunto o que demonstra o grande interesse da população numa rápida restauração desses locais sagrados.
Dada a importância do assunto no seio dos xiquexiquenses, o Blog XIQUEXIQUE, apoiando e solidarizando-se com o BLOGDOZECA, reedita crônica postada no dia 29.10.2009, véspera do dia de finados.
















DIA DE FINADOS

"Um dia eu vou estar aqui também,
e gostaria que a pessoa viesse aqui
me ver, também, me prestigiar nesse
dia. Acho muito importante"
(Autor desconhecido)

Finados é o dia em que todas as pessoas se preparam para, em visitas aos cemitérios, prestar homenagens aos seus entes queridos já falecidos e que ali repousam. Nessa data todos os túmulos, sejam os mais ricos revestidos de granito ou uma pequena cova adornada por uma simples cruz de madeira registrando a data do nascimento e da morte do parente ou amigo, estarão cercados de pessoas independente do estrato social, da etnia ou da denominação religiosa, portando flores e livros de orações para a visita mais importante do ano.
O dia de finados sempre foi valorizado pela Igreja Católica, desde o início, quando, ainda no séc. I os cristãos visitavam os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram defendendo a fé. Para que as orações dos vivos atingissem a todas as almas, no século V, a Igreja Católica instituiu um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Já no ano de 998 santo Odilon, pedia aos monges, seus irmãos, que orassem pelos mortos. E os papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigavam as comunidades de cristãos a dedicar um dia aos mortos. No século XI, o calendário litúrgico da Igreja Católica incorporou o Dia de Finados, que deveria cair no dia 2 de novembro ocasião em que as celebrações seriam dedicadas a todos os mortos. A primeira celebração do dia dos mortos pelos povos católicos foi feita pelos monges beneditinos na França.
Por isso, os cemitérios são locais de grande importância para todas as pessoas que, ainda encarnadas, perambulam por esta Terra aguardando a data do retorno. Pode-se dizer até, que são locais sagrados que devem ser respeitados e pisados com a maior reverência possível pois é ali que descansam, para sempre os que nos antecederam. Qualquer que seja a cidade brasileira, da maior à menor, a população, no dia 2 de novembro, pára e num momento de reflexão queda-se junto aos túmulos espalhados por todos os cemitérios desse nosso Brasil para dirigindo orações aos seus mortos, solicitar, também, que nos protejam na caminhada terrena. Nós não celebramos a morte, celebramos a vida, porque, nós cremos que Deus é misericordioso e que aqueles que partiram estão na graça de Deus. Então, é a celebração da esperança, da vida. E, essa visita ao cemitério é mais para lembrança, para recordar onde foi colocado o corpo daquele que nós amamos.
Xiquexique não foge a regra e tem como um dos seus costumes a ida de grande parte da população ao cemitério local reverenciar os antepassados. Existe até um grupo de pessoas, minha Mãe fazia parte desse time, que não satisfeitas com apenas a visita do dia de finados, caminham para o cemitério, todos os dias do mês de novembro, para rezarem pelas almas. É um bom hábito, pois, mesmo depois de mortos, com certeza continuamos precisando de orações que são o alimento do espírito.
Mas, o cemitério de Xiquexique, cuja construção foi autorizada pela Lei Municipal nº 26, de 19.03.1926, portanto há 83 anos, já não suporta a demanda de uma população calculada em 50 mil pessoas. E, como todos desejam uma pequena área para depositar o corpo do ente querido sempre ocorrem procedimentos inadequados e que prejudicam famílias cujos parentes já estão ali enterrados há muitos anos mas que, por impossibilidade financeira, não puderam ainda construir um túmulo de alvenaria. Como o cemitério não mais possui novos espaços para sepultamento, as pequenas e modestas sepulturas muitas vezes são invadidas e destruídas por pessoas estranhas à família, para que ali seja colocado um novo corpo. Por tudo isso, é urgente a necessidade de um novo cemitério.
Mas, enquanto o novo não chega, é mais premente a necessidade de uma campanha de sensibilização do nosso Poder Público no sentido de levá-lo a promover um saneamento no nosso cemitério. E, diga-se de passagem, o custo para isso é relativamente pequeno e quase insignificante para o Erário. Sem muitas pretensões, bastaria que a área fosse capinada eliminando-se a erva daninha que está impedindo o livre trânsito das pessoas.
Poder-se-ia pensar, também, na delimitação de pequenas ruas cimentadas por onde as pessoas pudessem caminhar com mais conforto. Estas modestas melhorias nada representam se levarmos em conta a importância daquele lugar para todas as famílias xiquexiquenses.O atual cemitério era conhecido até bem pouco tempo como “cemitério novo” denotando que existia um “cemitério velho”. E isso é verdade.
O “cemitério velho” foi destruído pelo Poder Municipal e transformado numa praça ajardinada. No que pese a boa intenção considero que foi um desrespeito às famílias dos mortos que ali repousavam. Não é que os mortos precisassem do “cemitério velho”, mas, por certo os parentes ficaram sem um referencial importante para suas vidas. Acredito que se, naquela época, a sociedade xiquexiquense houvesse se organizado para estudar um destino para o “cemitério velho”, que já estava desativado, a solução teria sido melhor e diferente, talvez recuperando-o, iluminando-o e transformando-o num local de visitação tão ou mais importante que a pracinha construída sobre antigos túmulos.
É, para evitar o mesmo destino dado ao “cemitério velho”, que a sociedade de Xiquexique precisa estar atenta e se envolver com o necessário saneamento e permanente manutenção do “cemitério novo”. Mesmo sendo uma responsabilidade dos nossos Poderes Municipais, o zelo por esse equipamento é de toda a comunidade local e a OMISSÃO DO POVO, um dos piores males, se não o pior, é a maior responsável pela degradação da nossa sociedade. Unamos-nos e transformemos o nosso “cemitério novo” que não é assim tão novo, num local limpo, saneado, iluminado e que permita conforto e bem estar a todos os que procuram reverenciar os seus mortos.
Torçamos para que no próximo dia de finados, em 2010, possamos contar com esse ambiente. O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. Vida eterna que não vai terminar nunca, pois, a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus, agora e para sempre. É também o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro nunca morrerá.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Prefeito: Dr. José Manoel Viana de Castro

Prefeito José Manoel Viana de Castro
– 1945-1946 –

Mandato: 10 de novembro de 1945-02 de janeiro de 1946.
Presidente da República: José Linhares (29.10.1945-31.01.1946).
Interventor Federal da Bahia: João Vicente Bulcão Viana (28.10.1945-19.02.1946).

Aceitando a renuncia do prefeito Adão Moreira Bastos, o interventor federal da Bahia João Vicente Bulcão Viana, designou o Dr. José Manoel Viana de Castro, Juiz de Direito de Xique-Xique para ser o sétimo Prefeito Municipal, tendo a solenidade de transferência do cargo acontecida no dia 10 de novembro de 1945. Na ocasião o novo Prefeito convidou, para ser seu secretário o cidadão Moacir Albuquerque Libório.
O Dr. José Manoel Viana de Castro durante o curto período em que esteve á frente do Poder Executivo acumulou as funções de Juiz de Direito da Comarca e Prefeito Municipal, tarefas que foram facilitadas pelo fato de o Fórum da Comarca e o gabinete da prefeitura municipal de Xique-Xique estarem funcionando no mesmo prédio – o Paço Municipal.
Por questões políticas e por estar sentindo dificuldades em exercer a contento as duas funções – prefeito e Juiz de Direito - O Dr. José Manoel Viana de Castro no dia 12 de dezembro de 1945 telegrafou ao Interventor baiano informando que se demitia do cargo de prefeito municipal de Xique-Xique.
Em resposta o gabinete do interventor federal João Vicente Bulcão Viana passou telegrama, no dia 23 de dezembro de 1945, informando que aceitava a renúncia do Dr. Viana de Castro e, ato contínuo designou o Dr. Naylor de Souza Nogueira para o cargo de prefeito municipal de Xique-Xique.
O Dr. José Manoel Viana de Castro, a pedido do Dr. Naylor de Souza Nogueira, tendo em vistas as festas de natal e ano novo, marcou o dia 02 de janeiro de 1946 para a transmissão do cargo e a respectiva posse.













João Machado: O Fotógrafo de Xique-Xique (BA)


João Machado, o fotógrafo Xiquexiquense
Dando continuidade à série de fotografias da autoria do conterrâneo JOÃO MACHADO, estamos focando excelentes vista do Rio São Francisco, Porto da barcas em Xique-Xique e a cidade vista de um ânguo totalmente novo.

Propaganda antiga: O FUSQUINHA


VOLKSWAGEN NO BRASIL

Em novembro de 1957 concluiram-se as instalações da fábrica brasileira da VW, iniciando-se no mesmo mês a produção de 8 automóveis por dia, com a linha Kombi.
Em 1959 foi lançado o primeiro Sedã 1.200, que logo foi carinhosamente apelidado pelo povo de “besouro” ou “fusquinha” .
A partir de então, possuir um "fusquinha" tornou-se o sonho de toda uma pequena classe média e sinal de "status" principalmente para os melhores salários, pois, a classe rica e dominante continuava a adquirir os carrões fabricados pela industria automobilística dos Estados Unidos.
Por isso, nada mais natural que o "reclame" pergunte se "Não é justo que ela tenha um Volkswagen só para ela?", vez que a mulher já estava participando do mercado de trabalho e deveria ter, também, o seu "fusquinha" para ir ao mercado ou levar as crianças para a escola.

Pessoas que fizeram Xique-Xique: Aristóteles Marçal da Silva

Aristóteles Marçal da Silva nasceu na vila de Marrecas, atual Iguira, pertencente ao município de Xique-Xique (BA), filho de José Marçal da Silva e de Júlia Rosa da Silva. Desejando conseguir trabalho e melhorar o nível de instrução, Aristóteles, na juventude, sujeitou-se ao êxodo nordestino e partiu para o sudeste brasileiro onde trabalhou e estudou durante alguns anos na cidade de São Paulo (SP). Após alguns anos de residência na capital paulista e já com um melhor nível de instrução, Aristóteles retornou à Bahia e, após algum tempo residindo em Salvador (BA), conseguiu ingressar nos quadros da Secretaria Estadual da Fazenda naquele Estado, sendo designado para a Coletoria Estadual de Xique-Xique, na função de Guarda Fiscal. Mais tarde, já residindo em Xique-Xique, ingressou na função de Serventuário da Justiça, onde exerceu a função de Oficial (Substituto) do Registro Civil das Pessoas Naturais e de Escrivão (Titular) dos Feitos Criminais.
Além de servidor público, Aristóteles Marçal da Silva fez, ainda, uma pequena incursão na política de Xique-Xique tendo sido eleito vereador por dois mandatos para a Câmara Municipal, nas legislaturas de 1951-1955 e 1959-1963.
Aristóteles Marçal da Silva se casou com D. Olindina Pereira Silva e tiveram sete filhos: Clélia Marçal da Silva, Milton Marçal da Silva, Clécia Marçal da Silva, Aristóteles Marçal Filho, Nilton Marçal da Silva, Nancy Marçal da Silva e Lília Marçal da Silva.
Aristóteles Marçal da Silva faleceu no dia 13 de maio de 1982, em Xique-Xique, onde seu corpo está sepultado.

Foto de Amantes: Galanteio Canino

NAMORO CANINO

A foto é explícita ao mostrar o olhar enamorado do cão dirigido à fascinante cadela.
Esta, desviando o olhar, exibe a técnica feminina de demonstrar não estar interessada no galã que a corteja.
Mas, este já lhe segura as mãos e com certeza nada o impedirá de pular o muro que os separa.
Quem for vivo há de ver!!!

Por do Sol em Xique-Xique (BA).


POR DO SOL

Dois barranqueiros pescadores, encostam a canoa na beira do rio e quedam, no fim da tarde, olhando o sol que devagar e com habitualidade diária se esconde por detras da Ilha do Gado Bravo, deixando sobre o Lago Ipueira o reflexo acinzentado/laranja das nuvens que teimam encobrí-lo.

Foto antiga e histórica: O PIRULITO

O PIRULITO
Antes da existência do movimento de algumas pessoas de Xique-Xique (BA) para que essa pracinha, quase um largo, seja tratada de Praça 6 de julho, seu real nome, esse aprazível lugar, hoje mais conhecido como Praça da Caldeira, era carinhosamente chamado de Praça do Pirulito.
A Praça do Pirulito foi construída pelo Prefeito Cel. José de Souza Nogueira que a inaugurou no dia 06.julho.1932, dando-lhe o nome de Praça 6 de julho, para comemorar o Centenário de Emancipação Política de Xique-Xique.
No que pese a festa de inauguração no ano de 1932, até o advento da Caldeira, a pracinha ficou conhecida, mesmo como Praça do Pirulito.
É um dos logradouros mais bonitos da cidade, principalmente por ser a confluência das principais ruas da cidade e por estar cercada pelas residências dos antigos coroneis, como a que aparece ao fundo, residência do Cel. José de Souza Nogueira, que não mais existe por haver sido demolida por um herdeiro neto.

Os cangaceiros: Maria Bonita. A primeira cangaceira

" MARIA BONITA"

A primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros foi Maria Gomes de Oliveira, conhecida como "Maria Bonita", nascida no dia 8 de março de 1911 numa pequena fazenda em Santa Brígida (BA), filha de Maria Joaquina Conceição Oliveira e José Gomes de Oliveira. Aos 15 anos casou-se com José Miguel da Silva, sapateiro local conhecido como Zé Neném. Casamento conturbado desde o início, o casal constantemente vivia às turras com Maria, nessas ocasiões indo se refugiar na casa dos pais.
E foi, justamente, numa dessas “fugas domésticas” que ela, em 1929, reencontrou capitão Virgulino, o Lampião, que, com o bando, estava de passagem pela fazenda dos pais de Maria Bonita, velhos conhecidos do capitão Virgulino. Lampião nas suas andanças costumava dar uma parada nessa fazenda para um descanso, pois o povo do lugar mostrava respeito e admiração pelo Rei do Cangaço.
Dessa vez, no entanto, Lampião olhou de outra forma para Maria tendo demonstrado amor a primeira vista e foi, prontamente correspondido. A partir daí, começou um namoro e, um ano depois Maria Bonita foi convidada por Lampião para integrar o bando. Nesse momento, Maria Bonita entrou para a história. Ela foi a primeira mulher a fazer parte de um grupo do Cangaço. Depois dela, outras mulheres passaram a integrar os bandos. Maria Bonita conviveu durante oito anos com Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos. Como seguidora do bando, Maria foi ferida apenas uma vez. No dia 28 de julho de 1938, durante um ataque ao bando ela e Lampião foram brutalmente assassinados. Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, Maria Bonita foi degolada viva.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Crônica: O CAFÉ ESTÁ NA MESA



JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE REZENDE, Professor titular de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João Del-Rei (MG), publicou no nº 139 do periódico “Folhas das Vertentes”, no ano de 2009, a interessantíssima crônica “O CAFÉ ESTÁ NA MESA”, que nos sentimos honrados em transcrevê-la, integralmente, neste Blog XIQUEXIQUE.

“O CAFÉ ESTÁ NA MESA

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
- Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino.
Repetia-se toda a diplomacia.
- Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha - geralmente uma das filhas - e dizia:
- Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga?
A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
- Vamos marcar uma saída!... - ninguém quer entrar mais.Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!"

domingo, 9 de maio de 2010

Foto Antiga e Histórica: Visita Importante

VISITA HISTÓRICA


No dia 12 de dezembro de 1912 o coronel Militão Rodrigues Coelho, um dos chefes políticos da cidade de Barra do Mondes (BA), situada na Chapada Diamantina, faz uma visita de solidariedade ao coronel Gustavo Teixeira da Rocha, na Fazenda Carnaúba, município de Xique-Xique (BA).
Por medida de segurança o Cel. Militão se fez acompanhar de um batalhão de homens armados, (guarda-costas), pois Xique-Xique estava conflagrado pelo grande conflito, que ficou conhecido pelo nome de ‘Barulhos de Chique-Chique’. Essa visita foi uma demonstração de força, colocando-se a disposição do amigo.

Por do Sol em Xique Xique (BA)


POR DO SOL

É começo de noite em Xique Xique. As canoas já estão encostadas após um dia de labuta andando pelo rio a procura de peixes.

O pescador já está em casa com o produto da pesca.

Todos descansam e somente poucos se deslocam até a beira do rio para ver o lindo por do sol.

João Machado: O Fotógrafo de Xique-Xique (BA)










Dando continuidade à série de fotografias da autoria do conterrâneo JOÃO MACHADO, estamos focando duas excelentes vistas da cidade, a Praça D. Máximo (Pr. da Matriz) e a Rua Monsenhor Costa, sem esquecer o lado pitoresco do fotógrafo quando enquadra pequenos pontos de vendas no Mercado Municipal.

Fotos de Amantes: Casal de Cágados

CASAL DE CÁGADOS


A conquista amorosa é sempre um procedimento lento e que exige paciência e competência dos parceiros.
Para os apressados, o casal da foto serve de exemplo de amor bem sucedido.
Vejam a calma deles!!!

Propaganda Antiga: VEMAG



O VEMAG

O DKW-Vemag foi o primeiro automóvel fabricado no Brasil e, por suas características próprias era o que se podia chamar de único. Usava motor a dois tempos de três cilindros e tração dianteira. Um médio-pequeno, transportava seis pessoas com bom conforto para os padrões da época. Sua passagem pelo Brasil durou 11 anos. Um dia o DKW-Vemag acabou melancolicamente, saiu de repente do cenário brasileiro, pois a fábrica, foi comprada pela Volkswagen do Brasil que, um ano depois, tirou o tirou de linha. Mas esse carro fantástico, que mexeu com os corações de toda uma geração no Brasil, permanece vivo na memória e na garagem de muitos. Um alemão que se naturalizou brasileiro.

Crônica: O Caixão da Misericórdia


O CAIXÃO DA MISERICÓRDIA

Tenho dúvidas se os xiquexiquenses mais velhos ainda se lembram do famigerado “Caixão da Misericórdia”. Mas, tenho certeza absoluta que a geração mais nova com menos de 40 anos, desconhecem ou nunca ouviram falar do referido “caixão”. Pois bem, para os mais novos, vou adiantar que se tratava de um caixão comunitário que servia para levar ao cemitério o corpo das pessoas mais pobre, dos indigentes, daqueles desfavorecidos da sorte cujas famílias não podiam adquirir um caixão para enterrá-lo, mesmo dos mais baratos.
Nos primeiros anos do século XX, Xiquexique (BA), não dispunha de funerária e sempre que ocorria um óbito imediatamente era chamado um carpinteiro para se encarregar do fabrico do caixão, sob medida. Por isso, apenas as famílias mais abastadas podiam, decentemente, enterrar seus mortos envoltos em caixões de madeira.
O pobre, como nas demais cidades do interior deste grande Brasil, sofria até após a morte, pois a obrigação dos parentes de enterrá-lo causava muitos transtornos pela falta das mínimas condições financeiras para pagar um caixão de madeira, feito às pressas e sob encomenda. Por isso, geralmente, os pobres transportavam o seu defunto até o cemitério, enrolado numa rede presa a um caibro de madeira apoiado sobre os ombros de parentes e amigos. Fazia a sua última viagem parecendo um porco sendo carregado para a feira.
Segundo as pesquisas realizadas pelo cronista xiquexiquense Carlos Santos o fabricante do “caixão da misericórdia” foi o carpinteiro Possidônio que no ano de 1934, fora convidado pelo Prefeito Cel. Francisco Xavier Guimarães para construir um “caixão”, em boa madeira de lei, com um tamanho padrão que coubesse qualquer defunto pobre, que precisasse ser transportado para o cemitério. Era um ato de caridade e solidariedade do chefe do executivo municipal às famílias daqueles que miseravelmente eram levados para a sua última morada enrolados numa rede.
Contam os mais velhos que o carpinteiro Possidônio iniciou com afinco o fabrico do artefato encomendado pelo Prefeito, tendo, pessoalmente, escolhido as melhores tábuas de madeira que após serradas dentro das medidas por ele determinadas, foram afixadas com pregos especiais, a prova de ferrugem e, para maior resistência utilizou folhas de flandres como forro interno. Como deveria ser usado em vários enterros, para não aparentar a sujeira que surgiria com o constante uso, utilizou como cor externa um verniz escuro.
Mas, ao concluir a obra acabada, contam os contemporâneos, o mestre Possidônio não ficou satisfeito com o trabalho por entender que o “caixão” ficara excessivamente pesado pelas grossas tábuas utilizadas, além de apresentar um aspecto lúgubre e mesmo pavoroso. Expôs suas decepções ao Prefeito, que, não levando em conta as preocupações do marceneiro com o “caixão” e como tinha pressa em utilizá-lo, deu o caso por encerrado, batizou-o como “CAIXÃO DA MISERICÓRDIA” e mandou colocá-lo numa pequena capela do cemitério novo para que ficasse a disposição de todos os pobres do município que necessitassem enterrar seus mortos.
Possídônio que já deveria ter propensão para a doença ante a reação do Prefeito entrou em grande depressão e daí para a loucura foi um pulo. De tanto sofrer física e psicologicamente, Possidônio faleceu no interior de um terreno murado vizinho ao clube dos operários, na Praça 6 de julho e somente passado alguns dias foi localizado por populares em face do mau cheiro que exalava do seu corpo já em adiantado estado de putrefação. Por ironia do destino ou pela falta de caridade do povo, Possidônio foi levado para o cemitério dentro do Caixão da Misericórdia por ele construído e contra o qual sempre nutrira uma aversão pavorosa. Felizmente o seu corpo não ficou eternamente dentro daquele caixão, vez que fora lançado à cova.
Eu, ainda, cheguei a conhecer o Caixão da Misericórdia e o seu construtor mestre Possidônio. Este, já o conheci sofrendo das faculdades mentais, perambulando pelas ruas de Xiquexique. Era um louco pacato que não fazia mal a ninguém e sempre fora respeitado até mesmo pelos meninos que tinham como uma das diversões perturbar os doentes mentais.
Quanto ao Caixão da Misericórdia, lembro-me bem dele, lá pelos idos de 1954, como uma coisa pavorosa e que já deveria estar desativado. Se já era feio e até repugnante aos olhos de Possidônio o seu construtor, nos idos de 1934, quando novo, imagine passados 20 anos, tendo transportado dezenas ou centenas de defuntos pobres e sem sofrer nenhuma manutenção. Era um artefato que vivia na escuridão da pequenina capela do cemitério novo e que a gente podia vislumbrar olhando pelas grades da porta, como uma coisa horripilante e de fazer medo a qualquer criatura. Devia já estar mal cheiroso entranhado com a inhaca de tantos defuntos carregados, com o forro de flandres totalmente enferrujado e resistente apenas nas partes de madeiras representadas por grossas tábuas pintadas de preto.
O “Caixão da Misericórdia” desapareceu em 1964, após 30 anos de “bons” serviços prestados. Contam que naquele ano, com a morte de um velho e pobre pescador os seus amigos decidiram homenageá-lo com um enterro digno para compensar a pobreza e o sofrimento que tivera quando em vida. O velho pescador não tinha família e os amigos tão pobres quanto ele fizeram uma coleta que deu apenas para comprar a mortalha, mas insuficiente para comprar um caixão digno e por isso a solução foi usar o velho Caixão da Misericórdia. Chegando ao cemitério decidiram os amigos do velho pescador não atirar o corpo diretamente na cova, mas, como sinal de afeição e carinho enterrá-lo juntamente com o Caixão da Misericórdia.
O velho pescador foi a última pessoa de Xiquexique a ser transportado dentro do miserável Caixão da Misericórdia, sendo, no entanto, condenado a ter as suas cinzas presas naquele tenebroso invólucro que ainda deve estar intacto, em algum lugar do cemitério, pois, pela espessura e peso das suas tábuas de madeira, o chão levará talvez séculos para consumi-lo.

sábado, 8 de maio de 2010

O IDIOTA E A MOEDA



Interessante esta narrativa do escritor ARNALDO JABOR retratando o preconceito e a discriminação que determinadas pessoas impõem aos semelhantes principalmente quando estes são portadores de alguma deficiência, sem se incomodarem com o constrangimento que podem estar causando.
Vejamos:
"O IDIOTA E A MOEDA
Arnaldo Jabor

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Este era um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele duas moedas: uma grande de 400 réis e outra pequena, de 2.000 réis. Ele sempre escolhia a moeda grande e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos. "Eu sei!"- respondeu o tolo assim e continuou: "Ela vale cinco vezes menos. Mas, no dia em que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar a minha moeda".

Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa:

1º Quem parece idiota nem sempre é;
2º Os verdadeiros idiotas não eram os que escolhiam a moeda;
3º Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda;
4º O mais interessante é que a podemos estar bem mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.

Moral da História....

"O maior prazer de uma pessoa inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente."



quinta-feira, 6 de maio de 2010

LULA: O Líder Mais Influente do Mundo

LULA, AS ELITES E O VIRA-LATAS

O Professor Francisco Carlos Teixeira, Titular da Disciplina História Moderna e Contemporânea, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), num momento de extrema lucidez e justiça, escreveu a carta abaixo transcrita, que foi publicada na Revista CARTA MAIOR, no dia 05.05.10. Leia na íntegra:
"Seguindo outros grandes meios de comunicação globais, a revista Time escolheu – na semana passada - o presidente Lula como o líder mais influente do mundo. A notícia repercutiu em todo o mundo, sendo matéria de primeira página, no jornalão El País.
Elite e preconceito: Na verdade a matéria o apontava como o homem mais influente do mundo, posto que nem só políticos fossem alinhados na larga lista composta pelo Time. Esta não é a primeira vez que Lula merece amplo destaque na imprensa mundial. Os jornais Le Monde, de Paris, e o El País, o mais importante meio de comunicação em língua espanhola (e muito atento aos temas latino-americanos) já haviam, na virada de 2009, destacado Lula como o “homem do ano”. O inédito desta feita, com a revista Time, foi fazer uma lista, incluindo aí homens de negócios, cientistas e artistas mundialmente conhecidos. Entre os quais está o brasileiro Luis Inácio da Silva, nascido pobre e humilde em Caetés, no interior de Pernambuco, em 1945, o presidente do Brasil aparece como o mais influente de todas as personalidades globais. Por si só, dado o ponto de partida da trajetória de Lula e as deficiências de formação notórias é um fato que merece toda a atenção. No Brasil a trajetória de Lula tornou-se um símbolo contra toda a forma de exclusão e um cabal desmentido aos preconceitos culturalistas que pouco se esforçam para disfarçar o preconceito social e de classe. É extremamente interessante, inclusive para uma sociologia das elites nacionais, que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com grande déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio sepulcral!
Lula Líder Mundial: Desde 2007 a imprensa mundial, depois de colocá-lo ao lado de líderes cubanos e nicaraguenhos num pretenso “eixinho do mal”, teve que aceitar a importância da presença de Lula nas relações internacionais e reconhecer a existência de uma personalidade original, complexa e desprovida de complexos neocoloniais. Em 2008 a Newsweek, seguida pela Forbes, admitiam Lula como um personagem de alcance mundial. O conservador Financial Times declarava, em 2009, que Lula, “com charme e habilidade política” era um dos homens que haviam moldado a primeira década do século XXI. Suas ações, em prol da paz, das negociações e dos programas de combate à pobreza eram responsáveis pela melhor atenção dada, globalmente, aos pobres e desprovidos do mundo. Mesmo no momento da invasão do Iraque, em busca das propaladas “armas de destruição em massa”, Lula havia proposto a continuidade das negociações e declarado que a guerra contra a fome era mais importante que sustentar o complexo industrial-militar norte-americano. Em 2010, em meio a uma polêmica bastante desinformada no Brasil – quando alguns meios de comunicação nacionais ridicularizaram as propostas de negociação para a contínua crise no Oriente Médio – o jornal israelense Haaretz – um importante meio de comunicação marcado por sua independência – denominou Lula de “profeta da paz”, destacando sua insistência em buscar soluções negociadas para a paz. Enquanto isso, boa parte da mídia brasileira, fazendo eco à extrema-direita israelense, procurava diminuir o papel do Brasil na nova ordem mundial. Lula, talvez mesmo sem saber, utilizando-se de sua habilidade política e de seu incrível sentido de negociações, repetia, nos mais graves dossiês internacionais, a máxima de Raymond Aron: a paz se negocia com inimigos. As exigências, descabidas e mal camufladas de recusa ás negociações, sempre baseadas em imposições, foram denunciadas pelo presidente brasileiro. Idéias pré-concebidas estabelecendo a necessidade de mudar regimes para se ter a paz ou usar as baionetas para garantir a democracia foram consideradas, como sempre, desculpas para novas guerras. Lula mostrou-se, em várias das mais espinhosas crises internacionais, um negociador permanente. Foi assim na crise do golpe de Estado na Venezuela em 2002 (quando ainda era candidato) e nas demais crises sul-americanas, como na Bolívia, com o Equador e como mediador em crises entre outros países.
Lula negociador: O mais surpreendente é que o reconhecimento internacional do presidente brasileiro não traz qualquer orgulho para a elite brasileira. Ao contrário. Lula foi ridicularizado por sua política no Oriente Médio. Enquanto isso o presidente de Israel, Shimon Perez ou o Grande-Rabino daquele país solicitavam o uso do livre trânsito do presidente para intervir junto ao irascível presidente do Irã. Dizia-se aqui que Lula ofendera Israel, enquanto o Haaretz o chamava de “profeta da paz” e a Knesset (o parlamento de Israel) o aplaudia em pé. No mesmo momento o Brasil assinava importantes acordos comerciais com Israel. Ridicularizou-se ao extremo a atuação brasileira em Honduras, sem perceber a terrível porta que se abria com um golpe militar no continente. Lula teve a firmeza e a coragem, contra a opinião pública pessimamente informada, de dizer e que “... a época de se arrancar presidentes de pijama” do palácio do governo e expulsá-los do país pertencia, definitivamente, a noite dos tempos. Honduras teve que arcar com o peso, e os prejuízos, de sustentar uma elite empedernida, que escrevera na constituição, após anos de domínio ditatorial, que as leis, o mundo e a vida não podem ser mudados. Nem mesmo através da expressa vontade do povo! E a elite brasileira preferiu ficar ao lado dos golpistas hondurenhos e aceitar um precedente tenebroso para todo o continente.
Brasil, país no mundo!: Também se ridicularizou a abertura das relações do Brasil com o conjunto do planeta. Em oito anos abriu-se mais de sessenta novas representações no exterior, tornando o Brasil um país global. Os nostálgicos do “circuito Helena Rubinstein” – relações privilegiadas com Nova York, Londres e Paris – choraram a “proletarização” de nossas relações. Com a crise econômica global – que desmentiu os credos fundamentalistas neoliberais – a expansão do Brasil pelo mundo, os novos acordos comerciais (ao lado de um mercado interno robusto) impediram o Brasil de cair de joelhos. Outros países, atrelados ao eixo norte-atlântico e aqueles que aceitaram uma “pequena Alca”, como o México, debatem-se no fundo de suas infelicidades. Lula foi ridicularizado quando falou em “marolhinha”. Em seguida o ex-poderoso e o ex-centro anti-povos chamado FMI, declarou as medidas do governo Lula como as mais acertadas no conjunto do arsenal anti-crise. Mais uma vez silêncio das elites brasileiras!Lula foi considerado fomentador da preguiça e da miséria ao ampliar, recriar, e expandir ações de redistribuição de renda no país. A miséria encolheu e mais de 91 milhões de brasileiros ascenderam para vivenciar novos patamares de dignidade social... A elite disse que era apoiar o vício da preguiça, ecoando, desta feita sabendo, as ofensas coloniais sobre “nativos” preguiçosos. Era a retro-alimentação do mito da “pereza ibérica”. Uma ajuda de meio salário, temporária, merece por parte da elite um bombardeio constante. A corrupção em larga escala, dez vezes mais cara e improdutiva ao país que o Bolsa Família, e da qual a elite nacional não é estranha, nunca foi alvo de tantos ataques. A ONU acabou escolhendo o Programa Bolsa Família como símbolo mundial do resgate dos desfavorecidos. O ultra-conservador jornal britânico The Economist o considerou um modelo de ação para todos os países tocados pela pobreza e o Le Monde como ação modelar de inclusão social. Mais uma vez a elite nacional manteve-se em silêncio! Em suma, quando a influente revista, sem anúncios do governo brasileiro, Time escolhe Lula como o líder mais influente do mundo, a mídia brasileira “esquece” de noticiar. Nas páginas internas, tão encolhidas como um vira-lata em dia de chuva noticia-se que Lula “... está entre os 25 lideres mais influentes do mundo”. Errado! A lista colocava Lula como “o mais” influente do mundo. Agora se espera o silêncio da elite brasileira!"